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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS XXVI: CERTEZA, CHAMA E FOSSA

 

 CERTEZA, CHAMA E FOSSA

 

SÉRIE: 
PENTALOGIAS DAS MINHAS 
PÉTALAS SEMANAIS.
 

Trago mais uma postagem para a série que se aproxima do segundo livro da obra. Esta semana eu falo:

  • do efeito das carícias da pessoa amada em A paixão em meu coração;
  • da convicção que machuca bem dentro em Essa certeza;
  • da ausência sentida e suas consequências no poetrix Hora da chama(da);
  • da depressão de faz com que a gente não tem vontade de se divertir em Minha fossa;
  • da imprevisibilidade da vida como força motriz para se viver em Não posso perder.

 
Aprecie sem moderação e se afogue em poesia.
 
***
A PAIXÃO NO MEU CORAÇÃO
 
Com você até moro em uma cabana
Para eu te namorar sob um belo luar
A paixão no meu coração é soberana
A você eu estou preso, não vou negar.
 
Quando a solidão era noite muito fria
Como aço de espada a me transpassar
Não havia rima ou respingo de poesia
Minutos eram cartas de jogos de azar.
 
Era feito time de futebol sem o atacante
E eu só tentava sobreviver heroicamente
O fim trágico do meu ser era tão ululante
Mas eu resistia a melancolia bravamente.
 
Com suas carícias minhas dores partiram
E do céu o amor em forma de anjo desceu
Junto com as dores as angústias sumiram
E a tristeza no meu peito do nada pereceu.
 
 ***
 
ESSA CERTEZA
(rondel)
 
Eu não faço parte da sua vida
Sequer eu faço mais da minha
Eu procuro e não acho a saída
Eu só acho que já saí de linha.
 
A desilusão é minha vizinha
E eu estou sempre de partida
Eu não faço parte da sua vida
Sequer eu faço mais da minha.
 
Nada cicatriza a minha ferida
Minha força cada dia definha
Há melancolia em mim retida
Essa certeza é que me espinha
Eu não faço parte da sua vida.
 
 ***
HORA DA CHAMA(DA)
(poetrix)
 
Sua ausência se espalha
Sozinho, eu tomo vinho
Vazios me atrapalham.
 
 ***
MINHA FOSSA
(rondel)
 
Se não fosse essa minha fossa
Que me obriga a ficar em casa
Quem sabe ouviria uma bossa
Para esfria o coração em brasa.
 
Há uma agonia que me arrasa
E nenhuma alegria se alvoroça
Se não fosse essa minha fossa
Que me obriga a ficar em casa.
 
Não há nada então que possa
Ser feito se o tédio se embasa
É a vida me dando uma coça
Eu até faria da farra uma asa
Se não fosse essa minha fossa.
 
 ***
NÃO POSSO PERDER
(rondel)
O que me mantém ainda vivo
É a incerteza se vai acontecer
Todo dia há um novo motivo
Para optar por dor ou prazer.
 
Toda manhã vejo o que fazer
Minha escolha não tem crivo
O que me mantém ainda vivo
É a incerteza se vai acontecer.
 
O que eu consumo é corrosivo
Eu não meço a força do poder
Da jaula da qual eu sou cativo
Mas sei que não posso perder
O que me mantém ainda vivo.

***


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NOTA DO BLOG: Caso queira adquirir o livro I físico, entre em contato com o autor. mendesclaudioantonio@gmail.com

sábado, 19 de março de 2022

VENTRE, AMANHECER & DESILUSÕES: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVIX

 
fonte da imagem: blog.malupires.com.br

VENTRE, AMANHECER 
& DESILUSÕES

 SÉRIE: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS


Uma inflexão, dois curtos, um poetrix e um rondel. Na verdade é muito mais que isto. É o poeta forjado no ventre da desilusão em via de desespero. É o amanhecer que nada traz de novo e uma rotina de saudades e desilusões.
 
Desejo boa leitura da XVIX pentalogia da minhas pétalas semanais.
 

ACORDADO
 
Olhei pela janela
Durante uma manhã cinza
Nenhum raiar no horizonte
Do que eu esperava
Ser uma esperança sólida
Apenas o rugir do futuro
A cidade decadente
E o ontem virando entulho
Quis cair novamente
Em um sono profundo
Mas segui acordado
Pois sou homem forjado
No ventre da desilusão.
 

DESCONHECÊNCIAS
 
Tem muito de mim
Que eu não conheço
As avenidas sem fim
E casas sem endereço.
 
Certas flores no jardim
Que não me têm apreço
Rosa, cravo ou jasmim
Por elas não agradeço.
 
Só respingo de nanquim
Desapareço!
 
 


POEMAS MATINAIS
 
Os fios de uma Cemig
Trazem-me eletricidade
E sobre eles os pássaros
E alguma naturalidade.
 
Seres tranquilos
Cantos magistrais
Diversos estilos
Poemas matinais.
 
Eu abro minha cortina
Já engaiolado na rotina.
 


CONSTATÂNCIA
 
Nem vento lá fora
Nem vício contido
A vida se esvaindo.
 
 

UMA SAUDADE
 
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração
Enquanto vago pela cidade
Na batalha diária pelo pão.
 
Relembro toda a felicidade
Que agora parece ser ilusão
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração.
 
Já não tenho mais sanidade
Arrancaram-me toda razão
E este desalento me invade
Devasta-me feito um tufão
Convivo com uma saudade.

 


VISITE OUTRAS PENTALOGIAS:

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS



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sábado, 29 de janeiro de 2022

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVIII


 

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS
 
SÉRIE: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS

Não ser escolhido para dançar em um baile, só conhecer a dureza dos espinhos sem se deleitar com o aroma das rosas, sentir os murros de um relacionamento tóxico, ter uma lembrança que reacende um amor do passado e não conseguir falar com este amor apesar da de toda tecnologia da comunicação ao nosso dispor, são componentes dos meus poemas que compartilho neste 29 de janeiro, no Ano III da pandemia, infelizmente.
 

CACOS DE MIM
 
Ninguém recolhe
Os cacos de mim
Ninguém escolhe
Dançar comigo
Como se eu fosse
Algum perigo
E não oferecesse
Nenhum abrigo.
 
Ninguém cultiva
Cactos em mim
Já que eu sou
Tão deserto assim
Posso ser árido
Mas não tenso
Cultivo flores
No meu jardim
Suspenso.
 
Ninguém recolhe
Os cacos de mim
Como se eu fosse
Os cacos do fim
Da noite de festa
Verme que infesta
O final da magia
Anunciando o sol
De um novo dia.
 


DOM QUIXOTE SEM OS MOINHOS
 
Desconheço planícies em meus caminhos
Não acho as fontes d’água pelas estradas
Das rosas só inalo maldade dos espinhos
Eu vago por paragens não recomendadas
 
E a loucura encurta o tempo das paradas
Eu sou um Dom Quixote sem os moinhos
Desconheço planícies em meus caminhos
Não acho as fontes d’água pelas estradas.
 
Na minha presença aves deixam ninhos
Plantas morrem se acaso são admiradas
No meu deserto não conto com vizinhos
Uma ventania apaga as minhas pegadas
Desconheço planícies em meus caminhos.
 
 

 
MUDANÇA DE ATITUDE
 
Em cada dedo, paraíso
História registrada na pele
Hoje, murro abusivo.
 
 

O SOPRO DE UM RESQUÍCIO
 
Ao me lembrar do seu beijo
Do seu abraço envolvente
Tudo em mim fica quente
Como dia eterno de verão.
 
A lembrança é brasa que se acende
Com o sopro de um resquício
Reaviva a paixão como o vício
Dentro de um ser que não se entende.
 
Meu amor por você renasce sempre
Nas frias noites de ilusão dissolvente.
 

QUANDO EU LIGUEI PARA VOCÊ
 
Deu um trem na linha
Um vagão entre nós
Já se passaram estações.


Crédito da imagem: Visions of Quixote, Octavio Ocampo (Flickr)

PENTALOGIAS ANTERIORES




VOLUME I
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AGRADEÇO A SUA LEITURA,
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVII

 

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA


Me espera, estou chegando com fome
Preparando o campo e a alma pra as flores
E quando ouvir alguém falar no meu nome
Eu te juro que pode acreditar nos rumores
 
Temporada das flores/ Leoni
 
PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XVII
 
Sigo compartilhando o pouco da minha produção poética durante a semana. Nesta segunda temporada postando aos sábados. Eu ando preparando o campo e a alma para que meus poemas possam dizer o que um homem caminhando em busca da luz tem em seu coração retorcido.
 
Trago neste sábado para a nova temporada das pétalas semanais um rondel, um poetrix e três poemas que falam da lembrança da noite mais recente ou da infância, do doce lar ou dos instantes perdidos. A dúvida no caminhar ou diante do conteúdo que o mundo nos apresenta. Da loucura em que estamos mergulhado ao tentar desconstruir o que parecia tão consistente.
 
Boa leitura e tenha uma boa semana.

 

CALMARIA
 
Nada te conto sobre a noite
E seu bailar em meus lençóis
Perfume inebriante no toque
E nos mergulhos em mim.
 
Nada te falo sobre a canção
Acariciando meus ouvidos
Sintonia de êxtase e frenesi
Ápice da vida em sua rota.
 
Dou-te o silêncio como síntese
Do que vivi nas últimas horas
Em que eu abracei o universo
Contido dentro de uma fêmea.
 
Não há palavras para explicar
Os signos que ficaram comigo
Guardados para a eternidade
Prendendo-me a um momento.
 
Tente entender que era preciso
Para este meu coração sedento
Satisfazer-se de alguma magia
Antes que me falte uma aurora.
 
Eu te dou apenas um fragmento
Da epopeia em que me envolvi
A calmaria de um agitado prazer
Não se sente em oceanos usuais.
 


CAMINHANTE FERIDO
 
Estrada pedregosa
Instantes perdidos
Horizonte sem paraíso.
 
 

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA
 
Desfazer a fezes
Florir a morbidez
Descoser as roupas
Roubar a lucidez.
 
Descer ao inferno
Internar-se dentro de si
Minutar o tempo eterno
Musicar o mundo em si.
 
Deixo como está ou mudo
O conteúdo do contêiner
Falo o que é ou fico mudo
Ao mumificar o abdômen
 
Tudo é, tudo pode ser
Vai que amanhã será
Diferente do que se vê
Só quem viver, verá.
 
Eu não sei escrever
Eu não sei desenhar
Apenas quero rever
Como é doce um lar.
 

NA SUA SEDUÇÃO
 
E o amor dentro de mim renasce
Com fúria de vulcão em erupção
Como se o céu agora desabasse
Somente dentro do meu coração.
 
A minha vã tentativa de dizer não
É negada por um sorriso na face
E o amor dentro de mim renasce
Com fúria de vulcão em erupção.
 
Ainda que a vida para mim trace
Uma rota de fuga para a solidão
Ainda que a infelicidade me cace
Eu me escondo na sua sedução
E o amor dentro de mim renasce.
 


SOBRE AQUELA FELICIDADE
 
Jamais encontrei poesia na esquina
Não sei se é a luz do neon
Ou o luar pálido sobre a cidade.
 
A solidez do asfalto insonso absorve
Meus sonhos e minhas esperanças
Através das manchas de tantas pressas.
 
Então me perco entre prédios e pestes
Como um pássaro que não tem galho
Para pousar em dias de tempestades.
 
Eu não me acho na corrida do tempo
Sinto fragmentos de mim sendo levados
Pelo vento que roça meu rosto cansado.
 
Eu me pergunto sobre aquela felicidade
Que havia toda manhã no olhar ingênuo
De um menino que acreditava no amor.


E-LIVRO COM A PRIMEIRA TEMPORADA

domingo, 30 de abril de 2017

A COR DA TARDE (TRINCA DE POETRIX)



A ARTE DE VIVER

Se não houver verdade
Que haja mentiras criativas

Para que eu chame de arte

###

A CEGUEIRA

Ela o amou tanto
Que após cada crime
Ela o tornava mais santo

###

A COR DA TARDE

Desde que não me atinja
O mundo pode pintar
A tarde de cinza

sábado, 14 de janeiro de 2017

POETRIX EM DOSE DUPLA

POETRIX E DOSE DUPLA

SOLIDIFICAÇÃO

Eu aqui muito solitário
Você aí muito solicitada

É o nosso fim consolidado


TRÂNSITO

Um caminhão passa
Esmaga poeiras sobre o asfalto
E enche de fadiga o meu dia

domingo, 24 de julho de 2016

QUEBRA-CABEÇA

(poetrix)


Ainda que a cabeça quebre

Ainda que o sonho seja breve

Vale a pena tentar se encaixar

quinta-feira, 14 de julho de 2016

AVANTE (POETRIX)


AVANTE

não há o que me paralise
nem dilma, nem temer
nem a mais brava crise

TRINCA DE POETRIX


A DANÇA DA MUDANÇA

nessa panela de pressão
não se iluda
todo mundo muda


ILHADOS

não há caminhos
os buracos no asfalto
nos tomam de assalto


A COR DA TARDE

desde que não me atinja
o mundo pode pintar
a tarde de cinza

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O PODER DA LEITURA

DA SÉRIE: DE-K LOGIA POETRI-K


TELECARNIFICINA

Eu feliz no meu canto.
Liguei a Tevê,
Tive um espanto.


O PODER DA LEITURA

De correntes eu me livro
Perguntaram-me pelas chaves
Eu disse: livro.




PATROCÍNIO CULTURAL

A vale não mais banca
Agora produz longas
“TERROR NO VALE”


DESCONTROLE CONTÁBIL

Já perdi a conta
De quantas vezes morri
Em acertos de conta


POEMONIX

Para que a literatura
Não me atrase,
Resumo tudo em uma frase.



EFEITO COLATERAL

A cidade abafa meu grito
Então pego a caneta
E na poesia, exercito.


NA HORA DO FUTEBOL

Enquanto a bola rola,
Eu diblo o reumatismo
E me enbolo com você.


EM FRENTE

Sem ter certezas,
Sem acertar na mosca,
Marcho com minhas fraquezas.




SELVAGEM
Existe lama no Doce,
Existem chamas em Paris,
É o capital dando coice.



TROCA DE CONTEÚDO
Com o lamaçal no RIO DOCE,
Trocou-se a diversidade biológica

Pela tabela periódica.