Mostrando postagens com marcador APPARERE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador APPARERE. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

VINTE VERSOS: TODO MUNDO ESTÁ EM CASA?! (COLETÂNEA)

 

VINTE VERSOS em 

TODO MUNDO ESTÁ EM CASA?!



 

OBRA: TODO MUNDO EM CASA?! Reflexões de um Pet (Coletânea).
EDITORA: PerSe (Projeto Apparere)
DESIGN DA CAPA: Leonardo Matoso

 

Esta é a primeira resenha da série. É normal, como aconteceu com Sete Face dos Poemas, em que procuro a relação de poemas diversos de uma obra, seja solo ou coletânea, com o Poema de Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade, aqui eu busco apenas comentar vinte versos a partir da sua importância dentro do poema e quais reflexões ou constatações que o verso nos provoca.

Composta por 51 textos diversos, temos apenas onze poemas compondo está coletânea. Ou seja, são dez poemas para 20 versos, uma vez que um dos poemas e de minha autoria. E como faço em resenhas de coletâneas, eu não incluo poemas ou contos de minha autoria nas minhas resenhas. O legal de termos apenas 10 poemas é que não precisei de deixar nenhum poeta de fora e a oportunidade de escolher dois versos de cada poema.

Fazer resenha de poemas em coletâneas, seja na série Sete Faces dos poemas ou Vinte Versos, é diferente de resenha de uma obra solo. Na obra solo a gente tenta achar a diversidade da literatura do autor, aqui busca-se a convergência entre autores diversos. Um coletânea com temática mais centrada, e sobretudo coletânea sobre o contexto singular da pandemia, esta convergência fica mais evidente. Na maioria dos poemas o eu-poético é o pet que persegue a mudança de hábito de seu dono, ou donos.

 

 

VERSO I

Até para cadelinha “Mel” que age feito gente.

ADRIANA FERREIRA DA SILVA// Mel, uma cadelinha moderna 

A poeta aqui começa nos apresentando a personagem do seu poema dizendo que o animal tem muito de humano. Ao longo da antologia vemos o antropomorfismo dando humanidade aos pets.

  

VERSO II

Desejar mais o que mesmo?

ADRIANA FERREIRA DA SILVA // Mel, uma cadelinha moderna

Este verso traz para o poema algo que lateje a mão do poeta enquanto escreve. O desejo é que move. Se Mel tem lar, água, comida, carinho e atenção, desejar o que mais? Saúde. Assim como os humanos.

 

VERSO III

Naquela nação distópica

ALBERTO DOS ANJOS COSTA // Desabafo 

O poema de Alberto dos Anjos Costa dialoga com o artigo de Sérgio Rodrigues de Souza, Brasil ou a Distopia Tupiniquim – Reflexões de um pet – Eu, Dr. Aslam Frederico. Ambos discorrem sobre decisões de caminhos que nosso país tomou como se fossemos um povo desajustado no tempo. Se na maioria dos poemas vemos o antropomorfismo, nos versos de Desabafo ocorre o inverso.

 

VERSO IV

que não escamoteia nossas imperfeições!

ALBERTO DOS ANJOS COSTA // Desabafo 

Aqui o poeta fala sobre nossas imperfeições que escondemos com nossos desabafos. E nós oscilamos entre o tudo e o nada. O isolamento social fez emergir muito do que somos.

 

VERSO V

o nome deve estar no serasa.

BRUNA LORENY DE OLIVEIRA // A humana enlouqueceu 

A poetisa coloca no falar de um gato o drama humano no que diz respeito à economia. A não pagar suas contas e as consequências para o dia a dia de muitos.

 

VERSO VI

Canta Tim Maia e bebe vinho, infelizmente

BRUNA LORENY DE OLIVEIRA // A humana enlouqueceu

A constatação do bichano aqui é sobre a carência afetiva que atingiu a muitos. A sua dona se revela carente e ele explica através dos seus atos. E lamenta.

 

VERSO VII

Ainda bem que ele sorriu e tirou logo aquilo estranho!

CINARA OM // Toby ahh...

Este verso revela mais uma constatação de um pet. A estranheza com as máscaras. Quando o ser humano sorrir e tira o apetrecho revela-se uma satisfação por estar em causa e poder afrouxar nas precauções que a pandemia nos trouxe.

 

VERSO VIII

Vamos respirar cada um da sua fonte cristalina...

CINARA OM // Toby ahh...

O que temos aqui é a busca para algo muito caro na pandemia causada por um parasita de transmissão pelo ar. E o respirar, uma necessidade, exige cuidado pois é no inspirar do ar é que podemos nos expor à contaminação. Aqui fica as reticências para a fonte não da respiração orgânica, mas da respiração existencial. Primoroso verso.

 

VERSO IX

Nossos donos mudaram seus hábitos

GIBSON JOSÉ DE SANTANA // Eles usam focinheiras

A mudança de hábito veio logo no título. E a focinheira (máscara) veio para todos. Independente se usam ou não black-tie. Mas alguns usam focinheiras que combinam e outros não. Os donos mudaram de hábitos, mas a sociedade com seus mecanismos de divisão nas condições não. É aqui o resenhista fazendo suas observações como se dialogasse com eu-poético do animal de estimação.

 


VERSO X

Focinheira para não morder...

GIBSON JOSÉ DE SANTANA // Eles usam focinheiras

A observação do eu-poético que se dirige a um outro cão no outro lado da rua, com focinheira para não morder os seres humanos revela uma contradição sobre os seres humanos usando focinheiras para não serem mordidos pelo vírus. Já que não se pode colocar focinheira no microrganismo, que coloquemos em nós.

 

VERSO XI

Comida!

GUILHERME BRASIL // A bolha

A exclamação aqui nos remete novamente a uma das preocupações humanas. Comida. Como alimentar a todos na pandemia? Como não deixar faltar o elementar para a sobrevivência humana? Mas elementar também para a sobrevivência de todos os seres vivos. Este verso se conecta com o último do poema que comentarei a seguir.

 

VERSO XII

e sua fome insaciável por alguma coisa nova.

GUILHERME BRASIL // A bolha

No belíssimo poema de Guilherme Brasil percebemos uma maestria singular ao repetir a estrofe por três vezes e revelando no penúltimo verso a memória curta do peixe de aquário, o eu-poético que tem uma fome, e aqui fica subjetivo de fome se trata. Na pandemia além da fome por alimentos, que, infelizmente, afetou a muitos, revelou também outras fomes. Ainda bem que tivemos a fome de fazer literatura em prosa e versos como as antologias do projeto Apparere nos revelam.

 

 

VERSO XIII

Nasci a poucos dias da quarentena

MARCOS ALVARENGA // Lingo em quarentena

A idade do animal é revelada logo no primeiro verso criando um contexto singular para o poema de Marcos Alvarenga. Há também crianças que nasceram no mesmo contexto. E o que era quarentena, virou anoena, e bienena, como viemos a constatar um ano depois dos poemas tão singulares como este terem nascidos para comporem esta coletânea.

 

 

VERSO XIV

Vou ter que aprender, apesar da solidão

MARCOS ALVARENGA // Lingo em quarentena

O eu-poético que tinha nascido a poucos dias de iniciarmos o distanciamento social vai ter que aprender a viver na solidão. O tema do verso, solidão, tornou-se interessante. Quem mora sozinho e se mistura ao dia, agora teve que amargar a solidão em sua casa. Mas há também os que preferem a solidão da rotina a viver se confrontando o outro na convivência em confinamento imposto. Cada um tem o seu jeito de se virar neste contexto.

 

 

VERSO XV

Será o paraíso?

NATY BRASIL // Pet contente

É uma pergunta distorcida, a princípio, feito em uma pandemia. Mas lembremos que se trata de um animal de estimação. E animais domesticados o paraíso é a presença humana para lhe dar comida e atenção. Animais de estimação que não fazem companhia para seus donos é como um brinquedo desprezado quando a criança cresce ou a convivência com alguém que não nos ama mais. Por isso a indagação. Para os animais, os donos em casa para ampará-los nas suas necessidades é indício de paraíso. E para quem também tentou ganhar dinheiro de forma desonesta, como revelou a CPI, também deve ter feito esta pergunta. Mas neste caso eles são parasitas sociais.

 

VERSO XVI

Estou torcendo para que se estenda

NATY BRASIL // Pet contente 

Aqui vai outra visão divergente. Enquanto o pet torcia para que a quarentena dos seus donos seja estendida ao máximo, a maioria dos seres humanos, ainda que por motivos diferentes, torcia para que a pandemia passasse logo.

 

VERSO XVII

Lembro de quando me resgatou na rua

TARIQUE LAYON LIMA VILHENA // Memórias de um ex-vira-lata

O eu-poético, lembre-se de que se trata sempre de um pet, vive suas memórias de cárcere feliz, pois para um animal de estimação é melhor a limitação de uma casa ou apartamento que o abandono nas ruas onde se caça em uma selva de concreto. Portanto ser levado por alguém é ter a possibilidade de se alimentar e se proteger das intempéries.

 

VERSO XVIII

Será que você fez algo de errado?

TARIQUE LAYON LIMA VILHENA // Memórias de um ex-vira-lata

O eu-poético tem vontade de dialogar com seu dono e saber porque ele mudou de hábito? O verso XVIII dialoga com o verso IX. Neste contexto não é de reprovação, mas de preocupação. Ele não entende sobre as exigências do isolamento social e ainda que ache melhor o dono ficar em casa, gostaria de saber a causa da mudança de hábito.

 

 

VERSO XIX

Não sei bem o motivo.

VERONICA STIVANIM // Não deveria ter crescido

Seguimos com versos que expressam a dúvida dos animais domésticos diante da mudança repentina que a pandemia nos impôs. Logo no primeiro verso a afirmativa do pet. Não sabe o motivo pelo qual seu dono está mais em casa.

 

VERSO XX

É só do seu amor que eu preciso.

VERONICA STIVANIM // Não deveria ter crescido

Com este apelo feito pelo eu-poético a seu dono é a síntese de todos os versos dos poemas desta coletânea, e de alguns textos em prosa também. É só de amor que eles precisam, com quarentena ou sem quarentena. O último verso do último poema da coletânea, da primeira resenha da série Vinte Versos não poderia ser outro. Verônica Stivanim acertou em cheio proporcionando fechar com chave de ouro tanto a coletânea quanto esta resenha.


PARA ADQUIRIR:

http://www.apparere.com.br/venda-coletanea-pet.php

domingo, 5 de dezembro de 2021

SETE FACES DOS POEMAS em A HUMANIDADE PÓS PANDEMIA

SETE FACES DOS POEMAS em 

A HUMANIDADE PÓS PANDEMIA:

TODA LONGA HISTÓRIA EXIGE UM LONGO RECOMEÇO


COLETÂNEA DE POEMAS, CONTOS E CRÔNICAS
PROJETO APPARERE
EDITORA: PerSe
ANO: 2020

A Coletânea de poemas, contos e crônicas conta com 133 contos selecionados. Com a temática focada na realidade vindoura pós pandemia, sugestão de C. Jos Bravo, a 33ª obra do projeto Apparere tem a capa produzida por Marcelo Tau.

Considerando nosso objetivo de analisar poemas que apresentam ligações com as sete estrofes que compõe o Poema de Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade, procuramos nos textos em versos trechos que nos fazem lembrar desta pérola poética do “homem de Itabira”.

A maioria dos textos traz um tom otimista, ressaltando a descoberta de que a solidariedade se faz necessária, contrapondo ao tom pessimista e intimista de Drummond. Ainda assim há aquelas e aqueles que verão na nova humanidade velhas atitudes.

Como de praxe não analisei o poema de minha autoria, Reencontros, que também está na coletânea e que serviu de posfácio em Versos Infectantes: (Mó)mentos de uma pandemia.

O desafio será buscar nas reflexões dos colegas da coletânea conexões com a concisão de Drummond. Espero que eu possa contribuir com minhas singularidade na expansão dos objetivos de cada autor(a) mencionado(a).

 

FACE I

 

Nossa íntima natureza nos revela:

que a essência é selvagem,

de instintos primitivos.”

Alberto Dos Anjos Costa // Íntima Natureza.

O poeta nos revela que podemos ter instintos primitivos como uma predestinação, que ao mesmo somos também o cultivar do amor sublime. Esta é os dois lados da moeda que trazemos. Qual anjo ouvimos?


Me apresso em tatear o meu sentir,

esmoreço

pois, percebo que não guardo esperanças em meu coração.”

Illana Mascarenhas // 2021 d.C.

O gauche, como metáfora do estranho, assume aqui toda sua agonia a sentir-se esmorecendo diante do futuro nebuloso, visto nos olhares humanos. Impressões parecidas com a do poeta itabirano ao observar a cidade.

 

E com cada destroço, iremos reconstruindo um novo mundo.”

MARCELO CANTO // Quando Tudo Passar

As notícias desanimadoras faz com que não o poeta, mas o mundo seja o gauche da história. Cabe ao poeta ver a possibilidade de um mundo novo a partir dos destroços.

 

Sou gerúndio da casualidade

Bicho do mundo mudado

Andarilho sem estrada

Intrépido assustado

MARCUS DEMINCO // Bicho do Mundo Mudado

A relação é o cunho autobiográfico de um eu-lírico. Ser gauche na vida é como andar sem estrada, vivendo de casualidades.

 

Nasci pobre

Desprovido de ouro

Um fato de nascença

Uma longa história

NATÂNI DA SILVA // Berço?

Aqui o eu-lírico começa se apresentando o seu eu desde o nascimento como em Sete Faces. Qual a diferença entre nascer pobre e ouvir um anjo que vive nas sombras? Os dois fatos marcam uma longa história para ambos.

 



FACE II

 

Quando tudo isso acabar,

Vou fazer um jantar pra nós dois

Vou te esperar para jantar

E fazer amor depois

ALINE ÁGUIDA LIMA // Meu Bem Querer

A busca pelo amor presente a esperança de poder reencontrar o amado após a pandemia. É o desejo presente, o mesmo dos homens que correm atrás das mulheres.

 

A mulher em casa encara

O poço

Dos olhos do marido

Em água viva

JULIANA FALCÃO // Água

O ambiente nesta estrofe sai da rua e vem para dentro da casa. A mulher assume o papel de observadora do marido. A observação das buscas e o papel feminino nesta relação ganha neste poema um contexto mais atual que em Sete Faces.

 

Hoje, sei que não posso

Ter o teu abraço

Mas para mim, és a essência

Que deixastes laços

ROBERTO PAIXÃO // Poema Pandêmico

A busca aqui não é a corrida atrás das mulheres, mas espera pelo tempo pós pandêmico para reencontrá-la. Quem sabe para um jantar a dois, conectando com o poema acima de Aline Águida Lima e uma música do Kid Abelha, Por que não eu?

 

 

FACE III

 

Seremos quem sabe mais digitais,

Nem por isso mais presentes.”

CAMILA DE ARAUJO CABRAL // Reflexões Sobre O “Novo Mundo”

As reflexões sobre o novo mundo de Camila de Araujo Cabral vai de encontro ao sentimento expressado por Drummond quando se sente desconfortável com tantas pessoas e sua solidão. O alerta da poeta aqui está ligado ao sentimento de Carlos na sua condição de gauche.

 

Estamos conectados, mas ainda solitários.

Somos modernos e mal-humorados.”

EDUARDO CALDEIRA // E Se Pudéssemos Voltar No Tempo?

As pernas no bonde pode aqui ser substituídas pelos rostos na tela em vídeos-conferências tão usuais em tempos de home office. Mas a solidão é a mesma, insubstituível.

 

Cenário difícil, Ambiente poluído, Planeta lotado,

Sociedade desigual.

FÁBIO SANTOS // Antropo Cena

A percepção de Drummond quando pergunta a Deus porque tantas pernas é uma constatação de que o planeta (cidade) está lotado, gente demais que deixa o poeta desconfortável.

 

A engrenagem não pensa nem tem escrúpulos

MAURO EUSTAQUIO PEIXOTO // Literat Alucina

A observação em Sete Faces é de uma engrenagem urbana funcionando. Aqui temos a adjetivação desta engrenagem dando a ela comportamentos humanos, uma vez que são os poderosos que criam tal maquinaria do sistema.

 

Pandemia, anemia da saúde, anemia social!

Social sem sociedade?

Sociedade dispersa!

MICAEL ARAÚJO ANDRADE // Anemia Social

O poeta aqui analisa a sociedade na qual Drummond estava observando em seu poema. É uma dispersão sistêmica que nos leva à conclusão de que o poeta observa separações na multidão.

 

Nunca se olhou tanto para ruas vazias,

Nunca se viu tanto luto na rua.

VERONICA STIVANIM // Ressignificação

Este cenário é o que Drummond teria se estivesse hoje conosco, passando pela singularidade de uma pandemia. Ruas vazias em vez de tantas pernas.

 

 

FACE IV

 

Um Planeta diferente

Bem mais resiliente

ALESSANDRA DE AZEVEDO COSTA CALIXTO // Pós Pandemia

Resiliência é a conexão entre este poema e Drummond com seu homem atrás do bigode, sério. A vida adulta, sem extravagância. Sem poluir e poluir-se e mais cuidadoso com a saúde. Para a poeta nos tornaremos mais adultos a partir da pandemia. Tomara que ela tenha razão.

 

Olho e vejo...

ELIZABETE BASTOS DA SILVA // Olhar – Esperança!

O homem atrás do bigode termina a estrofe também sendo o homem atrás dos óculos que olha a cidade e agora vê com seriedade a cidade assim como a poeta olha e vê o medo, a insegurança, a doença, o caos, a desigualdade. E nas demais estrofes ela vê muito mais. Mas há esperança, talvez com a maturidade do poema anterior poderemos ter esperança.

 

Resiliente é muito mais que

Excelente?!

MÁRCIO ANDRÉ SILVA GARCIA // A Quarentena Ensinou A Amar

É como se o poeta aqui dissesse para o poeta do Poema das Sete Faces que era preciso amar. Ninguém deve ser esquecido. Há também um diálogo com o primeiro poema desta face em que o nosso aprendizado sobre o amor vai fazer o Planeta ser diferente.

 

 


FACE V

 

É isso, só pode ser visto por aqueles que enxergam um novo Éden.

ADRIANO BESEN // Manifesto Da Nova Era

A conexão com Drummond em sua quinta estrofe se dá pela linguagem bíblica. Mas há uma contraposição. Drummond evoca a imagem do Calvário e o poeta aqui evoca um novo Éden a ser visto somente por aqueles que têm fé.

 

A vida não é só um sopro

GIOVANA FERNANDES LEITE // Memórias Futuras

A poeta quer que nós, mesmo nos sentindo abandonados, podemos ser mais, procurar mais e lembrar que viemos do sopro, nós somos mais que sopros, mais que corpos.

 

PÓS PANDEMIA, QUEM SOU?

Quem se permitiu mudou,

Tornou-se um ser humano melhor,

MALU DIONÍSIA // Pós Pandemia, Quem Somos?

Somo fracos, abandonados? Não somos deuses. Mas como humanos podemos mudar, tornar-se melhor. A pandemia nos proporcionou um momento de lamentos. A pergunta quem somos certamente foi feita por todos nós. Uns buscaram crescimento, outros se entregaram.

 

mais bela que a Babilônia!

OTÁVIO BERNARDES // Somos O Farol Do Mundo!!

A Babilônia do cativeiro é a Babilônia que faz lembrar das verdes pastagens. Aqui temos mais que verdes pastagens, temos a Amazônia. Não é preciso ir para Pasárgada. É preciso ficar em lutar pelo nosso país. Esta é a mensagem do poema a partir de uma referência a um lugar em que o povo de Deus foi cativo.

 

Hoje oro pelo futuro que espero

Acreditando que a piedade divina

Ajude-me da vida que quero

SALVADOR ADDAS ZANATA // Gente É Bom

O poeta aqui é um eu-lírico religioso. Mas a piedade de Deus permite que Ele seja louvado e também questionado quando seu filho se sinta uma ovelha perdida.

 

 

FACE VI

 

Sobre o que falar?

Sobre essa situação claustrofóbica?

Sobre o que um vírus pode causar na humanidade?

Sobre soluções de chegada para ver quem pode lucrar?

FABERSON MAMEDE DA SILVA // A Clareza Da Minha Visão. Meu Olhar Dessa Situação.

O poeta aqui questiona o vasto mundo de Drummond. Agora a vastidão está passando por uma pandemia. Mas a sede de lucro visto na reflexão de Drummond em que a rima não seria uma solução para suas questões existências, aqui a dúvida é que vai lucrar no final? Ao contrário da poesia, a pandemia foi vista como possibilidade de lucro como vimos na CPI.

 

Mas, a visão de poeta

que bebe da vida

reverência as disparidades,

as lutas e as guerras

enraizadas no universo de cada ser.

JOELMA COUTO // Semente

A metalinguagem da sexta estrofe aparece aqui ao mencionar a visão do poeta que enxerga disparidades. Drummond é um ébrio quando se falar em beber da vida. Ele contrapõe o fazer poético com o trabalhar para a subsistência. O mundo pós pandemia segue vendo rendimentos financeiros acima de rendimentos culturais com a arte, bem mencionado no poema anterior.

 

Pois preferira pegar seu livro de poesia

E com ele começar as leituras do dia...

JULIANA PEDROSO BRUNS // A Cura – A Luz

Ana Julia, personagem do poema prefere a poesia. Mas naquele dia algo diferente estava acontecendo. Na vida de Carlos, o gauche, todo dia ele tinha que buscar a solução que não estava na rima (poesia). O vasto coração ainda que mais vasto que o mundo, precisa compreender a sociedade e o que há de relevante para não arriscar a sobrevivência. Ana Julia e Carlos estão no mesmo dilema.

 

 

FACE VII

 

O tempo veio, para dar tempo da gente se sentir,

E se revisitar,

Se reencontrar.”

GABRIELLE STUQUE SAMPAIO GROBLACKNER // Um Novo Mundo

Para Drummond, a noite é tempo de refletir. Este tempo também existe para a poeta, tempos de sentir, revisitar, reencontrar. A pós pandemia é a noite de Drummond. Ao contrário, para o poeta, a noite é que nos liberta, e não o dia que nos aprisiona na busca por subsistência.

 

Noites tristes de confinamento

Muito silêncio...

Muito pensamentos...

GILSON CLEMENTE // Covarde Covid

Na tristeza do confinamento é que podemos viajar nos pensamentos e pescar deles versos primorosos como tantos que fazem parte desta coletânea. Drummond sabe aproveitar a noite depois das observações de uma cidade com tanta gente, com tantos desejos, de saber que a rima não é a solução. Há uma realidade que o poeta aqui aponta e não pode ser menosprezada. A perda de amigos e a vontade que a vida se refaça. A poesia nos permite exprimir nossas noites tristes de diversas maneira. O silêncio tem sido gritante.

 

Será tempo de guerra, ou tempo de paz?

Tempo de crescimento, ou tempo de incerteza?

MARCO DI SILVANNI // Doce Delírio

Seria a noite de Drummond um doce delírio de deixar a gente comovido como o diabo? Partindo da ideia que a pós pandemia seria a noite de refletir e ver o mundo com mais clareza. Que tempos pandêmicos não se diferente de tempos cativos na normalidade, temos as questões levantadas pelo poeta daqui. Troquemos a palavra tempo por noite de Drummond. Sim, será tempo/noite de paz, de crescimento e, sobretudo, de poesia.



LINK PARA COMPRA: 

http://www.apparere.com.br/venda-coletanea-pos.php

domingo, 14 de novembro de 2021

MEU 2020 NO PROJETO APPARERE - PARTE 1

 
MEU 2020 NO PROJETO APPARERE – PARTE 1

 
Compartilho aqui meu 2020 no Projeto Apparere da Editora PerSe. Foi ano que mais estive presente neste projeto. Meus poemas aparecerem em 6 coletâneas. Vou dividir este registro em duas partes com três poemas em cada. Hoje falo das três primeiras participações.
 
COLETÂNEA: TEMPO PARA O AMOR


Na apresentação da coletânea diz: Nesta Coletânea você encontrará textos que enaltecem o Amor em todas as suas faces, formas e intensidades... Amor Rasgado, Amor que Dói, Amor Doentio, Amor Bandido, Amor Platônico, qualquer tipo de Amor... um tributo ao Amor.
 
Minha participação foi com um rondel que fala da loucura quando o coração da gente está apaixonado.
 
EMBRIAGUEZ DE AMOR
 
Quando eu me embriago de amor
Bailo feliz na noite da rua deserta
Sonho anestesiando a minha dor
O coração é casa de porta aberta.

Mente preguiçosa agora é esperta
E respiro fundo o perfume da flor
Quando eu me embriago de amor
Bailo feliz na noite da rua deserta.

Sigo a alegria seja pr’onde  ela for
O cupido mesmo cego me acerta
Acendendo em mim todo fulgor
Então qualquer hora é hora certa
Quando eu me embriago de amor.
 



 
COLETÂNEA: MEUS FILHOS, MEU MAIOR TESOURO!
Apresentação da editora PerSe: Nesta Coletânea você encontrará textos sobre a relação Pais e Filhos. Relatos de momentos bons e momentos não tão bons dessa relação, que em geral são mais prazerosas que problemáticas. Quão intensas são essas relações? Encontrará também textos da relação dos filhos de nossos filhos. Esta é uma coletânea com textos em vários estilos: Poesias, Sonetos, Contos, Crônicas, etc.
 
Participo com um poema que fala de uma mãe que vê no abraço dos seus filhos a única razão para continuar vivendo.
 
NO ABRAÇO DOS REBENTOS

A vida foi lhe roubando o encanto
A tarde tinge seus olhos de cinza
Não há mais pássaros, nem canto
Nenhum poema a flor lhe inpsira
Ela segue pela estrada
Uma história cansada
Por causa dos seus filhos
É que ela ainda respira.

O mundo nunca lhe deu atenção
Pelas avenidas nunca foi notada
Ela foi perdendo o que era razão
Dizem que sonha quando delira
Estacada no fundo do poço
Sente a corda no pescoço
Por cauda dos seus filhos
É que ela ainda respira.

O tempo foi soterrando seus desejos
Ela mais nada quer além da partida
Olhando em volta ainda vê lampejos
No abraço dos rebentos forte suspira
Ficar ela decide
Amor nela reside
Por cauda dos seus filhos
É que ela inda respira.




 
COLETÂNEA: A HUMANIDADE PÓS PANDEMIA
Essa é nossa trigésima terceira Coletânea e estamos muito felizes com o sucesso dessa Coletânea, pois temos 133 textos selecionados pela Banca Julgadora; essa quantidade de Obras, bem como a qualidade delas, permitiu que tivéssemos uma Coletânea com diferentes visões de futuro para o período pós pandemia. Sem dúvida é um riquíssimo conteúdo para as futuras gerações entenderem como estava o animo e a esperança nesse período. Esta é uma coletânea com textos em vários estilos: Poesias, Sonetos, Contos, Crônicas, etc..
O poema, que também faz parte do posfácio do meu livro VERSOS INFECTANTES, fala da espera pelo fim da pandemia e de uma humanidade que não aprendeu a lição.

REENCONTROS
Depois que aquele ser for embora
Não sei
Não sou
O homem que vê raios no amanhecer
Mas sei
Mas sou
O poeta que traça certas rotas de fuga.
 
Após pandemias, restam lembranças
Partidas
Perdas
Quem se foi deixou algo de bom
Momentos
Condimentos
Agridoces para temperar a vida.

Depois que o distanciamento passar
Reencontros
Reencantos
Polindo nossos planos com intenções
Reorientar
Reiniciar
Toda a engrenagem de esmagamentos.

Após ficar em casa e ver ruas vazias
Olhos novos
Velhos corpos
E o que amassa a alma ainda pesa
Velhos medos
Espelhos mudos
E a vaga tentativa de ser diferente.


Em breve teremos a parte 2.