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sábado, 20 de maio de 2023

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XXIX: RESISTÊNCIA, INVERNO E PAZ

  

RESISTÊNCIA, INVERNO E PAZ

Trago nesta penúltima pentalogia cinco poemas que falam da luta e miséria em todo fim degradante da vida humana. Mas as fugas se fazem em instantes de loucura ou de fosforescentes momentos de paixão.
 
Boa leitura!
 


PÉTALA 1
RESTO E RESISTÊNCIA

Entre o espelho e a esperança
Entre conselhos e consciência
Eu que perdi o ritmo da dança
Busco manter minha existência.
 
Entre o que resta, a resistência
Quando até respirar me cansa
Entre o espelho e a esperança
Entre conselhos e consciência.
 
Entre a tormenta e a bonança
Eu tento ter alguma paciência
Mas uma degradação avança
Com elegância na decadência
Entre o espelho e a esperança.
 
 
PÉTALA 2
OLHOS TRISTES

Meus olhos são tristes
De tanto ver
O último trem partir
Para as estrelas
Ou suas pegadas
Apagadas
Pela poeira
E tudo é inverno
Dentro de mim
E tudo é inferno
Neste meu fim.
 

PÉTALA 3
TANTO FAZ
 
Você está em tudo
Que eu penso
No meu jeito desmedido
No meu cérebro denso
Ando perdido
Coração hipertenso
Eu não sei se fico
Ou se me fermento
Se venço a chuva
Ou me desmancho no vento
E para mim tanto faz
Você é minha cura
Pois é só na loucura
Que encontro paz.
 

PÉTALA 4
FOGO
 
Fogo queima
Fogo frita
Fogo teima
Fogo grita
Fogo formiga
Fogo amigo
Fogo parente
Fogo não tem
Patente
Fogo frio
Fogo quente
Fogo cio
Ou apenas
Você
Nua
Fosforescente
No meu
Quarto crescente.


PÉTALA 5
PASSOS DEGRADANTES
 
Todo dia
(faça sol, faça chuva)
Eu desço um degrau
São passos de uma
Degradação
Lenta
Avanço rumo ao nada
Insignificância
De um ser
Que se sovou
Na servidão.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XXVII: DESILUSÃO, GUERRA E LAMPEJO

 



DESILUSÃO, GUERRA E LAMPEJO
 
PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS
 
Trago em cinco poemas florescidos esta semana falando da desilusão com a vida diante da imensidão da história e da pequenez humana.
 
A guerra híbrida, bélica e bombástica, que destroça quem perde e quem ganha, em um constate retorno de todas a idas. E em cada ida nada encontrar faz o coração retrair diante da jornada desafinada com o desejo que trazemos dentro, fazendo com que o corpo seja apenas uma embalagem do nosso desejo de felicidade que não cessa. De ser, de floresSER.
 
RETORNOS
(indriso)
 
Eu prossigo sem foco
Sem força ou destino
Enquanto a vida toco.
 
Meu reflexo, franzino.
No retorno me sufoco
Nosso caso é genuíno.
 
Eu tateio todas saídas
 
Volto de todas as idas.
 
XXXXX
 
UMA GUERRA
 
Triste é haver
UMA GUERRA
 
campos minados
cantos degolados
 
Triste é viver
UMA GUERRA
 
dias de sorte
dias de morte
 
quando a paz
raia no horizonte
uma bomba cai
destrói a ponte
 
Triste é perder
UMA GUERRA
 
do seu tudo nada resta
nem pedra sobre pedra
 
Triste é vencer
UMA GUERRA
 
entre a pele e a medalha
sua farda é sua mortalha
 
XXXXX
 
HOMEM DE ALMA APRISIONADA
(rondel)
 
Sou um homem de alma aprisionada
Ao fascínio absoluto do feminino ser
Eu sinto minha energia ser dissipada
Sobre mim ela passa a ter todo poder.
 
Uma mulher me seduz, me dá prazer
À conta gotas até varar a madrugada
Sou um homem de alma aprisionada
Ao fascínio absoluto do feminino ser.
 
Avisaram-me que seria uma roubada
Mas eu procurava emoção para viver
No início era mágico o toque de fada
Transformou-se em vício a me deter
Sou um homem de alma aprisionada.
 
XXXXX
 
FIO SOLTO
 
Eu vago pelo hiato da noite
Como um fruto indesejado
Na pele as marcas do açoite
Nos sonhos algo impensado.
 
Mas tudo em mim sussurra
Todos os ais da humanidade
A dor profunda de cada surra
A escuridão de cada maldade.
 
Encontro da desilusão com a fé
Um vendaval se forma no peito
Crer sem recompensa qualquer
Partir no caminho mais estreito.
 
E vagar pela noite mais escura
Apalpando espinhos da morte
Colhendo na estima minha cura
Do que fere sem provocar corte.
 
Canção que em mim hoje grita
Como um desafino da jornada
Recolho o que o ser não palpita
Para no fim do dia não ter nada.
 
Trilhas sinuosas em montanhas
Sólidas como qualquer pesadelo
Desconhecem minhas façanhas
Sou fio solto no meio do novelo.
 
 
XXXXX
 
NA NOITE IRRISÓRIA
 
A vida é um pequeno lampejo
Na imensidão de uma história
O corpo é embrulho do desejo
E da sede de qualquer vitória.
 
Tão raro são os dias de glória
Mais raro é ter paz no vilarejo
A vida é um pequeno lampejo
Na imensidão de uma história.
 
Nunca conquisto o que almejo
Eu pertenço ao pior da escória
Pelos becos e ruas sujas rastejo
Abandonado na noite irrisória
A vida é um pequeno lampejo.




terça-feira, 17 de janeiro de 2023

MIL MOTIVOS PARA ESCREVER


FONTE: IMAGEM GARIMPADA NA INTERNT

MIL MOTIVOS PARA ESCREVER

Na última semana de 2022 participei de XXVII Evento Nenhum Dia Sem Poesia, intitulado Mil motivos para escrever. Foram seis dias postando poemas dentro deste tema, para aprimorarmos nossa escrita e, sobretudo, nossa poética.
 
O evento foi em comemoração à marca de mil membros no grupo. Houve participação de poetas de diversos países da América do Sul e países lusófonos, coordenado por Francisco Petrônio Ferreira de Oliveira (Efepê Efe Oliveira) que me convidou e está me apadrinhando na ALEGRO (Academia de Letras Guimarães Rosa) em que tomarei posse no próximo domingo (22.02.2023). Trata-se de uma academia virtual, atividade que vem se proliferando. Vamos ver se desta vez eu consiga incluir mais está peleja literária na minha pauta.
 
Compartilho nesta postagem cinco dos seis poemas que produzi para o evento.
 

PARA SENTIR QUE EU ESTOU VIVO

Meus dedos reclamam de cansaço
E as teclas seguem na mesma toada
É que eu preciso de um motivo
Para sentir que eu estou vivo.
 
E lá vem o primeiro verso
Como um big bang
Dando origem a um universo
Então rabisco alguma estrofe
Enquanto lá fora tanto chove.
 
Estar vivo é mais que um motivo
Pois a vida tem mil facetas
E para cada faceta um poema
Aqui vai um de saudade
Daqui a pouco outro de prazer
A angústia ou a alegria
Depende da imaginação
Muito mais que de como
Está indo o meu dia.
 
E quanto mais eu escrevo
Mais eu me vejo
Como se os caracteres
Na tela do laptop
Fossem cacos de um espelho.
 
 
 

MELODIAS E ESPERANÇA

Todas a pegadas que semeei
Pelas estradas do mundo-jardim
Afloram em meus versos
Como flores que exalam
Fragmentos de mim.
 
Pegadas que ficaram na poeira
Da estrada estreita
De um Córrego do Cedro tímido
Caminhada para a casa do avô
Ida rápida para o primeiro dia
Na escolinha da tia e madrinha.
 
E as que ficaram invisíveis no asfalto
Amassadas pela velocidade dos homens
Mas vistas pelos olhos poéticos
Daqueles que têm mil motivos
Para escrever nas dobras do tempo
Celebrando a sobrevivência cotidiana.
 
Pegadas deixadas pelas praias
Que visito em verões temerários
Ou em viagens que faço em sonhos
Pelos recantos de um mundo só meu
Pegadas cintilantes nas lembranças
Da alma saturada de desejos e dores
Enquanto escrevo para continuar
Meu itinerário de lobo solitário
Uivando melodias e esperança.
 
 

VONTADES E ESPERANÇA

Ela tem mil motivos
Para transformar suas lágrimas
Em rancores nos versos.
 
Ela tem mil motivos
Para escrever sua revolta
Contra o universo.
 
Da sua infância descalça
Da pouca comida no prato
Da sua pele amarelada
No tão raro retrato.
 
Da adolescência contida
Do trabalho infantil
Das mazelas na sua vida
De tudo que sentiu.
 
Dos namoricos tímidos
E dos não correspondidos
Dos seus desejos límpidos
E dos sonhos destruídos.
 
Do casamento necessário
E da separação dolorosa
Sem festa no aniversário
Sem poesia na sua prosa.
 
Ela tem mil motivos
Para escrever um viver
De infortúnios.
 
Mas ela tem um poema
Em seu sorriso
Como se estivesse
À porta do paraíso.
 
Mesmo com uma lágrima
Aflorando em seus olhos
Ela está sempre grávida
De vontades e esperança.
 

 
O SILÊNCIO E SEUS MURMÚRIOS

Dentre meus vários motivos para escrever
Escrevo para você e tudo o que te cerca
A cerca que te torna cativa, prisioneira
E o sonho com o paraíso que te liberta.
 
Escrevo para o nosso encontro
No dia em que nada foi combinado
E para o seu adeus tão inesperado.
 
Para a saudade que sinto de você
Dentro deste silêncio e seus murmúrios
Escrevo para fazer um lamento
Ou para curar as feridas no meu orgulho.
 
Escrevo para a noite que me assombra
E para tudo que me faz companhia
Um corvo que crocita, o coração que grita
E para que eu arranque do caos a poesia.
 

VERSOS FELINOS

Converso com o tempo
No espaçamento da noite
Dentro de uma atmosfera
Onde a brisa vira açoite.
 
Converso com a memória
Revejo os momentos idos
Espinhos ferindo a alma
Em cada adeus dolorido.
 
Tento entender o enredo
Que esta vida me destina
Manhãs fatais, tardes frias
No coração eterna neblina.
 
Não sou de muito reclamo
Meu silêncio fala por mim
Quanto às fugas eu tramo
Não passam por um jardim.
 
Sou poeta de versos felinos
Os motivos para eu escrever
Vêm destes meus desatinos
Da minha vontade de viver.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS XXVI: CERTEZA, CHAMA E FOSSA

 

 CERTEZA, CHAMA E FOSSA

 

SÉRIE: 
PENTALOGIAS DAS MINHAS 
PÉTALAS SEMANAIS.
 

Trago mais uma postagem para a série que se aproxima do segundo livro da obra. Esta semana eu falo:

  • do efeito das carícias da pessoa amada em A paixão em meu coração;
  • da convicção que machuca bem dentro em Essa certeza;
  • da ausência sentida e suas consequências no poetrix Hora da chama(da);
  • da depressão de faz com que a gente não tem vontade de se divertir em Minha fossa;
  • da imprevisibilidade da vida como força motriz para se viver em Não posso perder.

 
Aprecie sem moderação e se afogue em poesia.
 
***
A PAIXÃO NO MEU CORAÇÃO
 
Com você até moro em uma cabana
Para eu te namorar sob um belo luar
A paixão no meu coração é soberana
A você eu estou preso, não vou negar.
 
Quando a solidão era noite muito fria
Como aço de espada a me transpassar
Não havia rima ou respingo de poesia
Minutos eram cartas de jogos de azar.
 
Era feito time de futebol sem o atacante
E eu só tentava sobreviver heroicamente
O fim trágico do meu ser era tão ululante
Mas eu resistia a melancolia bravamente.
 
Com suas carícias minhas dores partiram
E do céu o amor em forma de anjo desceu
Junto com as dores as angústias sumiram
E a tristeza no meu peito do nada pereceu.
 
 ***
 
ESSA CERTEZA
(rondel)
 
Eu não faço parte da sua vida
Sequer eu faço mais da minha
Eu procuro e não acho a saída
Eu só acho que já saí de linha.
 
A desilusão é minha vizinha
E eu estou sempre de partida
Eu não faço parte da sua vida
Sequer eu faço mais da minha.
 
Nada cicatriza a minha ferida
Minha força cada dia definha
Há melancolia em mim retida
Essa certeza é que me espinha
Eu não faço parte da sua vida.
 
 ***
HORA DA CHAMA(DA)
(poetrix)
 
Sua ausência se espalha
Sozinho, eu tomo vinho
Vazios me atrapalham.
 
 ***
MINHA FOSSA
(rondel)
 
Se não fosse essa minha fossa
Que me obriga a ficar em casa
Quem sabe ouviria uma bossa
Para esfria o coração em brasa.
 
Há uma agonia que me arrasa
E nenhuma alegria se alvoroça
Se não fosse essa minha fossa
Que me obriga a ficar em casa.
 
Não há nada então que possa
Ser feito se o tédio se embasa
É a vida me dando uma coça
Eu até faria da farra uma asa
Se não fosse essa minha fossa.
 
 ***
NÃO POSSO PERDER
(rondel)
O que me mantém ainda vivo
É a incerteza se vai acontecer
Todo dia há um novo motivo
Para optar por dor ou prazer.
 
Toda manhã vejo o que fazer
Minha escolha não tem crivo
O que me mantém ainda vivo
É a incerteza se vai acontecer.
 
O que eu consumo é corrosivo
Eu não meço a força do poder
Da jaula da qual eu sou cativo
Mas sei que não posso perder
O que me mantém ainda vivo.

***


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domingo, 24 de julho de 2022

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XXIV: ESCURIDÃO, TEMPESTADE E VOLTA

 
FONTE DA IMAGEM: blog.nec.com.br

ESCURIDÃO, TEMPESTADE E VOLTA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS  SEMANAIS – XXIV
 
Cinco questões que pairam sobre nossa existência não serão respondidas pelos cinco poemas da nossa pentalogia da semana. Mas acredito que poesia existe para suavizar a vida, ainda que aborde solidão, dificuldades e limitações.
 
Qual a sensação de viver um falso amor? Em A ESCURIDÃO DO FALSO AMOR o poema explora a sensação claustrofóbica de está preso em uma relação tóxica. Serve como advertência para termos um olhar mais profundo em nossas relações amorosas.
 
O que difere um amor das demais coisas? O amor não se prende a nada. Trago aqui para o amor Eros a mesma reflexão de Paulo falando do amor Ágape em AS COISAS E O NOSSO AMOR. Tudo tem contexto e está preso no universo, exceto o amor.
 
É possível fugir do amor?  O poema NÃO QUERO MAIS A TEMPESTADE coloca as consequências para quem quer se fechar ao amor. É abrir mão do impetuoso para a amenidade de um chuvisco.
 
O que no mundo importa quando se vive um amor? Em TANTO FAZ o poema traz o descaso de quem está apaixonado para questões naturais e triviais da vida.
 
O que acontece quando fujo de mim? Em VOLTAR PARA MIM o poema reflete sobre o eu-poético consciente de que ele precisa voltar para o seu EU.
 
 
A ESCURIDÃO DO FALSO AMOR
 
Sem medo eu me entreguei
Para suas palavras sedutoras
Hoje eu percebo como eu errei
Eram só palavras enganadoras.
 
Cada frase rasgou o meu coração
Como agricultor sulca o terreno
A semente da ilusão foi plantada
Não era para alimento, era veneno.
 
Sem reservas eu me entreguei
Diante dos brilhos em seus olhos
Hoje eu sei que era só fogo-fátuo
E que não iluminaria meus passos.
 
É doloroso agora ir ao teu encontro
Começo a vê que foi tempo perdido
Eu quero fugir dos seus tentáculos
Eu me esforço, mas nunca consigo.
 
Acho que estou aprisionado em você
E não adianta mover-me rumo à luz
A escuridão do falso amor me pega
Enquanto meu corpo rasteja dorido.
 
 
 
AS COISAS E O NOSSO AMOR
 
As coisas sempre estão
Dentro...
 
Da casa ou da prisão
Da caixa ou do coração
 
Do universo ou do contexto
Mesmo um meio ou um terço.
 
Só o nosso amor
Tem asa para fugir
De qualquer labirinto.
 
 
NÃO QUERO MAIS A TEMPESTADE
 
Não me apaixono mais
Cansei de sofrer
Meu coração decepcionado
Não mergulhará mais
Em aventuras profundas.
 
O amor deixou de ser possibilidade
Para se tornar apenas tema
De poemas racionalmente elaborados.
 
Fechei todas as portas
Para que nenhuma sedução entre
Para que eu agora me centre
Somente no que vale a pena
O trabalho que traz o pão
A literatura que vende mais
A rima próxima a de Bilac.
 
Ser feliz deixou de ser meta
Estou me contentando com chuvisco
Não quero mais a tempestade
Não quero mais o traço perfeito
Estou me contentando com rabisco.
 
 
 
TANTO FAZ
 
Nossos corações no mesmo passo
Pelas veredas de uma paixão
Eu caminhando ao teu lado
Envolvido na leveza da emoção.
 
Tanto faz o sol, tanto faz a lua
Ou qualquer outro astro no céu
O que me ilumina são seus olhos
Mirando a essência do meu ser.
 
O vento tem acordes de uma sinfonia
Em homenagem ao nosso momento
O dia não se prende na sua monotonia
Tenta a cada segundo nos surpreender.
 
Tanto faz a praia, tanto faz o monte
O que vejo no horizonte é esperança
Entendo que encontrei o amor certo
Para viver para além dos séculos.
 
O tempo tem o ritmo dos nossos carinhos
Dos meus dedos vagando pela sua pele
Passado, presente e futuro se fundem
Na nossa história tão densa e tão discreta.
 
Tanto faz os minutos, tanto faz o lugar
O que sinto é aroma de outras dimensões
E tanto faz no deserto, tanto faz no mar
Nosso amor tem um ecossistema próprio
Para nos abrigar.
 
 
 
VOLTAR PARA MIM
 
Eu só quero voltar para mim
Para minha calma e paz interna
Nosso caso foi ficando turbulento
Como parasita sugando o tempo.
 
Quero encontrar aquele rapaz feliz
Que escrevia poemas em cadernos
E sonhava com futuros perfeitos
Nos braços de uma companheira.
 
Hoje tudo no meu mundo sangra
Não há como sorrir para as flores
A luz da manhã cega meus olhos
Meu dia é um rosário de martírios.
 
Eu me afogo em lágrimas ácidas
E a sua dose mínima de carinhos
Nunca é o suficiente para curar
As feridas que afloram em mim.
 
Quero voltar para minha certeza
Rimar minhas fantasias em versos
Dedicados à singeleza do belo luar
Em noites de estrelas brilhando
Em meus lençóis aconchegantes.


Fonte da imagem: pixbay


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MUITO OBRIGADO PELA LEITURA!!
VOLTE SEMPRE

segunda-feira, 27 de junho de 2022

JANTARES, PILARES E SÃO SEBASTIÃO DA VALA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XXIII

PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XXIII

 

JANTARES, PILARES E SÃO SEBASTIÃO DA VALA 

Poemas são respostas, ainda que sejam questionadores.

Sobre o nosso amor.... Como estamos?

É a Ucrânia... Fagulhas da guerra.

E por que me desmorono... Paredes e pilares.

Um lugar que me encanta... São Sebastião da Vala.

E me resta em um mundo de mentiras... Versos sinceros.

 


COMO ESTAMOS?

 

Sabe aquela história

Que tudo termina

Em pizza?

A nossa não.

 

Você em jantares

De gala

E eu em bares

Bebendo ilusão.

 

XXX

 

FAGULHAS DA GUERRA

 

Eu estava falando

Do encanto das montanhas

Do frescor do vale

Da canção que se cala

Diante dos seus olhos.

 

E aí veio um trovão

O gorjeio bélico

Do pássaro de aço

Lançando bombas

Sobre a nossa poesia.

 

XXX

 

PAREDES E PILARES

 

Penso que as paredes

De um castelo

São sólidas...

Mas não nos meus

Castelos

De areia.

 

Penso que os pilares

De um amor verdadeiro

São firmes...

Mas não no nosso

Que foi diversão

De uma noite

De verão.

 

 

XXX

 

SÃO SEBASTIÃO DA VALA

 

Quase ninguém conhece

São Sebastião da Vala

Quase ninguém conhece

O que há em mim.

 

Quase ninguém sabe

O que me cala

Como bola na trave

Ou comida que entala.

 

Quase ninguém, apenas

Uma única pessoa

Sabe qual grito

Que em mim ressoa.

 

E há muitos encantos

Em

São Sebastião da Vala

Tanto quanto cantos

Dentro de mim.

 

Magia sem fim!

 

 

XXX

 

VERSOS SINCEROS

 

Eles dizem “eu te amo”

Em suas insonsas cantadas

Eles dizem “eu te quero”

Quando não há mais nada

Eu quero ver é garimpar

Versos sinceros

De dentro do coração.

 

Eles dizem “o outro é que faz”

E ilude toda uma cidade

Eles gritam “nós somos do bem”

E a mentira repetida vira verdade.

Eu quero ver é lapidar

Versos honestos

Do fundo da alma.

 

E você sabe muito bem

Que eu somente garimpo

O que é precioso e limpo.

 

E você sabe muito bem

Que eu somente esmero

O que é honesto e sincero.

 

Pois se você não soubesse

Não ficaria comigo nas noites

Em que a mente enlouquece.


PENTALOGIA ANTERIOR

CHUVA, LABIRINTO E VITÓRIA