sábado, 18 de junho de 2022

CHUVA, LABIRINTO E VITÓRIA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XXII

CHUVA, LABIRINTO E VITÓRIA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS  SEMANAIS – XXII


Em uma semana de gripe forte e celebrações religiosas, trago em meu versejar a força renovadora de uma chuva (indriso), o preço pelo amor intenso (indriso), o labutar do poeta que assassina seus poemas, a mulher que precisa ir embora por não se encaixar e a consequência do que fazemos.
 
Boa leitura!
 
 
CHUVA
 
Que caia a tempestade forte
Sobre meus canteiros férteis
E faça germinar meus sonhos.
 
Que eu me cure de cada corte
Feito na febre de noites inúteis
Que deixaram sangrias na alma.
 
Que esta chuva por dentro me lave.
 
Que esta chuva para longe me leve.
 
 

 
DENTRO DE UM LABIRINTO
 
Estou dentro de um labirinto
Que o mundo chama de paixão
E não encontro qualquer saída.
 
Meu fim está próximo, pressinto
Ontem dei adeus à minha razão
É na loucura que encontro vida.
 
Ninguém ama muito e sai ileso.
 
Em cada passo eu sinto o peso.
 
 


EM LEGÍTIMA DEFESA
 
Desovo meus versos
Em alguma vala
Do vasto universo.
 
Eu os matei, confesso
Foi em legítima defesa
Pois as rimas meliantes
Por motivos diversos
Tornaram-me cativo
Como em um sequestro
No refúgio dos poetas
Mortos-vivos.
 
 
 
DESENCAIXADA
 
Você não mora em mim
Você não é daqui
É outro o seu lugar
Faça as malas e vá
                            embora.
Embora eu queira
Que o tempo se estique
E queira que você fique
Um pouco mais
Você não se encaixa
Dentro da minha caixa
E nem nos meus
Códigos morais.
 
 
O QUE VOCÊ FAZ
 
O que você faz
Enquanto morre
Com o que se socorre
Quando se fere
O que você bebe
Na mesa de um bar
O que você ora
Diante do altar
O que você manda embora
O que você deixa ficar
Vai virando poesia
E você nem nota
Que a sua vitória
Pode estar na derrota.

 

 OUTRAS PETALAS DE OUTRAS PENTALOGIAS

XX

XXI


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sábado, 11 de junho de 2022

ESTRADA, GANGRENA E MARTE: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XXI

ESTRADA, GANGRENA E MARTE: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XXI
 


As estradas são sempre um atentado contra a nossa segurança. Com quem encontraremos? Quem passará por nós? Qual a velocidade? E a dúvida é sempre uma gangrena que atenta contra nossa saúde mental. E que tal a vida em Marte? Seria diferente?
 
Dádiva. Dívida e dúvida. Poesia é isto. Uma dádiva compartilhar com vocês meus versos como se fosse uma dívida, acima de tudo, comigo mesmo. Mas fica uma dúvida. Há poesia nos meus poemas?
 
Permita-me desejar a você uma boa leitura.
 

 
EXPANSÃO

Aprecio com moderação
Os momentos inadequados
A vida que se enovela
Tropeços em passos não dados
Lixo fora do saco plástico
Enquanto monto castelos de cartas
Sobre a água do aquário
Expandindo meu reino
Em universos imaginários.
 
 
CAMINHANTE

Na estrada pequena esburacada
Sou homem sem destino e mochila
 
Frustações casas velhas distâncias dedos tesos
A vida a morte bússolas extremos estreitos
Asas decepadas
 
Olho de lado
E peço para trocar de lugar
Com o espantalho.
 
 
INÚTIL
 
Descavar toda a filosofia
De uma cotidiana fofoca
Enquanto há qualquer lâmpada
Queimada
Para ser trocada
Não faz de mim
Um poeta
E sequer serei
Uma gangrena
Desta síndrome.
 
 
INDEPENDÊNCIA OU MARTE
 
Ou teremos independência
Ou eu irei para marte
Lá sim serei feio igual ao rei
E dormirei mirando o azul da terra
Não terei que ir para a guerra.
 
Em Marte as mulheres são verdes
Dá para beijá-las pensando
Em batidas de abacate
Enquanto na Terra
As melhores são as maduras.
 
Ou proclamaremos a independência
Ou viajarei para Marte
E escreverei crônicas
Como Ray Bradbruy
E como Tomás Antonio Gonzaga
Estrarei como em Moçambique
Um degradado
Por ter sido dedado
Pelo melhor amigo na Terra.
 
E quem sabe lá de Marte
Vou continuar amar-te.
 
 
MOTORES EM MIM
 
Você quer me encontrar ao acaso
Veste a jaqueta ofuscante
E parte de moto.
 
As luzes te seguem
Os postes te espiam
Tanta gente na calçada
E nenhum rosto de para.
 
Penso em saltar
Para encontrar o vazio da queda
Mas o ronco da sua moto
Acionam motores em mim
Que não funcionam sem você.


sábado, 4 de junho de 2022

SORRISO, SOPRO E TROVÃO: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XX

SORRISO, SOPRO E TROVÃO: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XX
 

Hoje em nossa Pentalogia poética falo da hipocrisia do mundo que prefere quem sorrir e rejeita o pensar. Falo também de como a vida premia e nos derruba do trono. Coisas que fazem o homem ir se degradando, se violentando por dentro na sua dose diária de um lento desfazer-se.
Boa leitura.
 
ESPINHOS DA SOLIDÃO (INDRISO)
As lágrimas caem dos meus olhos
Como folhas de um verão qualquer
Há um outono dentro de mim!
 
Páginas felizes foram arrancadas
Deixando um grande vazio na vida
Traças ou vermes? Não importa mais.
 
Havia um aroma de primavera em nós.
 
Mas só me restou os espinhos da solidão.
 
*****
SOPROS DE VIDA (RONDEL)
No tempo sopros de vida
E no suspiro uma história
Na espera talvez a saída
E na timidez uma vitória.
 
Morando nesta memória
A nossa felicidade retida
No tempo sopros de vida
E no suspiro uma história.
 
Mas e a palavra não lida?
Aquela tida como escória
Toda dor nela tão contida
Como verdade tão notória
No tempo sopros de vida.
 
***
DILEMA DO PREMIADO
 
Agora que a vida me premia
Dando-me fragmentos do paraíso
Eu sei que tudo vai passar
Eu sei que tudo vai acabar
E eu ficarei com saudade apenas.
 
Bebo do licor mais saboroso
Mesmo sabendo
Que a embriaguez já vem
Em passos largos
Abraçar o corpo sem vontade.
 
Agora que a vida me agracia
Laureando-me com honras sólidas
Eu sei que amanhã será novo dia
Eu sei que o futuro é só utopia
E estarei espanando poeiras apenas.
 
Nutro-me do maná mais delicioso
Com uma certeza
De que pão é menos que poesia
E eu estarei precisando de jejum
Justo agora que a vida me premia.
***
 
ESCUTO UM TROVÃO
 
Todo dia eu me estrago
É um violentar-me sempre
E quase aniquilado eu vago
Pelas trevas entre engrenagens
De um mundo que devora seres.
 
Ainda acho que dá para cultivar
Uns jardins sobre calçadas frias
Colher flores para saudar o sol
Enquanto dentro tudo apodrece
Como um cadáver em decomposição.
 
Todo dia eu me entrego
Já não aguento mais por em mim
Toda culpa pelos erros de todos
E choro gotas de sangue
Manchando as veredas do meu sertão.
 
Ainda penso que vamos abrir a porta
E deparar com um mundo diferente
Crianças brincando sobre o asfalto
Mas escuto um trovão ao longe
E um relâmpago cega meu entusiasmo.
 
***
SORRISO OFUSCANTE
Ele era um rapaz simpático
Que adorava possuir sapatos
Em sapateiros seus vários pares
Comprados-ganhados-roubados
Ele era um rapaz simpático.
 
Sorria para a cidade inteira
Sorria vinte e quatro horas
No trabalho-culto-redes
Ele era um rapaz simpático.
 
Capturou uma bela criança
Arrancou-lhe toda a pele
Curtiu-moldou-costurou-curtiu
E não tinha sido a primeira vez.
 
O seu sorriso ofuscante
Sugava a atenção de todos
Ninguém ouvia de seus pés
O choro das vidas tenras.
 
Ele era um rapaz simpático
E por isto, ninguém via morte
Em suas pegadas.


quinta-feira, 24 de março de 2022

EU NA REVISTA: POEMA A CERTEZA NA REVISTA BARBANTE

 


O que me atormenta tanto 

São os vazios irreparáveis


Meu poema A Certeza do meu livro intitulado por hora de Inflexões de Cantondes fui publicado na revista Barbante, em sua edição comemorativa de 10 anos.


LINK PARA BAIXAR A REVISTA BARBANTE


sábado, 19 de março de 2022

VENTRE, AMANHECER & DESILUSÕES: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVIX

 
fonte da imagem: blog.malupires.com.br

VENTRE, AMANHECER 
& DESILUSÕES

 SÉRIE: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS


Uma inflexão, dois curtos, um poetrix e um rondel. Na verdade é muito mais que isto. É o poeta forjado no ventre da desilusão em via de desespero. É o amanhecer que nada traz de novo e uma rotina de saudades e desilusões.
 
Desejo boa leitura da XVIX pentalogia da minhas pétalas semanais.
 

ACORDADO
 
Olhei pela janela
Durante uma manhã cinza
Nenhum raiar no horizonte
Do que eu esperava
Ser uma esperança sólida
Apenas o rugir do futuro
A cidade decadente
E o ontem virando entulho
Quis cair novamente
Em um sono profundo
Mas segui acordado
Pois sou homem forjado
No ventre da desilusão.
 

DESCONHECÊNCIAS
 
Tem muito de mim
Que eu não conheço
As avenidas sem fim
E casas sem endereço.
 
Certas flores no jardim
Que não me têm apreço
Rosa, cravo ou jasmim
Por elas não agradeço.
 
Só respingo de nanquim
Desapareço!
 
 


POEMAS MATINAIS
 
Os fios de uma Cemig
Trazem-me eletricidade
E sobre eles os pássaros
E alguma naturalidade.
 
Seres tranquilos
Cantos magistrais
Diversos estilos
Poemas matinais.
 
Eu abro minha cortina
Já engaiolado na rotina.
 


CONSTATÂNCIA
 
Nem vento lá fora
Nem vício contido
A vida se esvaindo.
 
 

UMA SAUDADE
 
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração
Enquanto vago pela cidade
Na batalha diária pelo pão.
 
Relembro toda a felicidade
Que agora parece ser ilusão
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração.
 
Já não tenho mais sanidade
Arrancaram-me toda razão
E este desalento me invade
Devasta-me feito um tufão
Convivo com uma saudade.

 


VISITE OUTRAS PENTALOGIAS:

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS



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sábado, 29 de janeiro de 2022

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVIII


 

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS
 
SÉRIE: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS

Não ser escolhido para dançar em um baile, só conhecer a dureza dos espinhos sem se deleitar com o aroma das rosas, sentir os murros de um relacionamento tóxico, ter uma lembrança que reacende um amor do passado e não conseguir falar com este amor apesar da de toda tecnologia da comunicação ao nosso dispor, são componentes dos meus poemas que compartilho neste 29 de janeiro, no Ano III da pandemia, infelizmente.
 

CACOS DE MIM
 
Ninguém recolhe
Os cacos de mim
Ninguém escolhe
Dançar comigo
Como se eu fosse
Algum perigo
E não oferecesse
Nenhum abrigo.
 
Ninguém cultiva
Cactos em mim
Já que eu sou
Tão deserto assim
Posso ser árido
Mas não tenso
Cultivo flores
No meu jardim
Suspenso.
 
Ninguém recolhe
Os cacos de mim
Como se eu fosse
Os cacos do fim
Da noite de festa
Verme que infesta
O final da magia
Anunciando o sol
De um novo dia.
 


DOM QUIXOTE SEM OS MOINHOS
 
Desconheço planícies em meus caminhos
Não acho as fontes d’água pelas estradas
Das rosas só inalo maldade dos espinhos
Eu vago por paragens não recomendadas
 
E a loucura encurta o tempo das paradas
Eu sou um Dom Quixote sem os moinhos
Desconheço planícies em meus caminhos
Não acho as fontes d’água pelas estradas.
 
Na minha presença aves deixam ninhos
Plantas morrem se acaso são admiradas
No meu deserto não conto com vizinhos
Uma ventania apaga as minhas pegadas
Desconheço planícies em meus caminhos.
 
 

 
MUDANÇA DE ATITUDE
 
Em cada dedo, paraíso
História registrada na pele
Hoje, murro abusivo.
 
 

O SOPRO DE UM RESQUÍCIO
 
Ao me lembrar do seu beijo
Do seu abraço envolvente
Tudo em mim fica quente
Como dia eterno de verão.
 
A lembrança é brasa que se acende
Com o sopro de um resquício
Reaviva a paixão como o vício
Dentro de um ser que não se entende.
 
Meu amor por você renasce sempre
Nas frias noites de ilusão dissolvente.
 

QUANDO EU LIGUEI PARA VOCÊ
 
Deu um trem na linha
Um vagão entre nós
Já se passaram estações.


Crédito da imagem: Visions of Quixote, Octavio Ocampo (Flickr)

PENTALOGIAS ANTERIORES




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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVII

 

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA


Me espera, estou chegando com fome
Preparando o campo e a alma pra as flores
E quando ouvir alguém falar no meu nome
Eu te juro que pode acreditar nos rumores
 
Temporada das flores/ Leoni
 
PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS – XVII
 
Sigo compartilhando o pouco da minha produção poética durante a semana. Nesta segunda temporada postando aos sábados. Eu ando preparando o campo e a alma para que meus poemas possam dizer o que um homem caminhando em busca da luz tem em seu coração retorcido.
 
Trago neste sábado para a nova temporada das pétalas semanais um rondel, um poetrix e três poemas que falam da lembrança da noite mais recente ou da infância, do doce lar ou dos instantes perdidos. A dúvida no caminhar ou diante do conteúdo que o mundo nos apresenta. Da loucura em que estamos mergulhado ao tentar desconstruir o que parecia tão consistente.
 
Boa leitura e tenha uma boa semana.

 

CALMARIA
 
Nada te conto sobre a noite
E seu bailar em meus lençóis
Perfume inebriante no toque
E nos mergulhos em mim.
 
Nada te falo sobre a canção
Acariciando meus ouvidos
Sintonia de êxtase e frenesi
Ápice da vida em sua rota.
 
Dou-te o silêncio como síntese
Do que vivi nas últimas horas
Em que eu abracei o universo
Contido dentro de uma fêmea.
 
Não há palavras para explicar
Os signos que ficaram comigo
Guardados para a eternidade
Prendendo-me a um momento.
 
Tente entender que era preciso
Para este meu coração sedento
Satisfazer-se de alguma magia
Antes que me falte uma aurora.
 
Eu te dou apenas um fragmento
Da epopeia em que me envolvi
A calmaria de um agitado prazer
Não se sente em oceanos usuais.
 


CAMINHANTE FERIDO
 
Estrada pedregosa
Instantes perdidos
Horizonte sem paraíso.
 
 

LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA
 
Desfazer a fezes
Florir a morbidez
Descoser as roupas
Roubar a lucidez.
 
Descer ao inferno
Internar-se dentro de si
Minutar o tempo eterno
Musicar o mundo em si.
 
Deixo como está ou mudo
O conteúdo do contêiner
Falo o que é ou fico mudo
Ao mumificar o abdômen
 
Tudo é, tudo pode ser
Vai que amanhã será
Diferente do que se vê
Só quem viver, verá.
 
Eu não sei escrever
Eu não sei desenhar
Apenas quero rever
Como é doce um lar.
 

NA SUA SEDUÇÃO
 
E o amor dentro de mim renasce
Com fúria de vulcão em erupção
Como se o céu agora desabasse
Somente dentro do meu coração.
 
A minha vã tentativa de dizer não
É negada por um sorriso na face
E o amor dentro de mim renasce
Com fúria de vulcão em erupção.
 
Ainda que a vida para mim trace
Uma rota de fuga para a solidão
Ainda que a infelicidade me cace
Eu me escondo na sua sedução
E o amor dentro de mim renasce.
 


SOBRE AQUELA FELICIDADE
 
Jamais encontrei poesia na esquina
Não sei se é a luz do neon
Ou o luar pálido sobre a cidade.
 
A solidez do asfalto insonso absorve
Meus sonhos e minhas esperanças
Através das manchas de tantas pressas.
 
Então me perco entre prédios e pestes
Como um pássaro que não tem galho
Para pousar em dias de tempestades.
 
Eu não me acho na corrida do tempo
Sinto fragmentos de mim sendo levados
Pelo vento que roça meu rosto cansado.
 
Eu me pergunto sobre aquela felicidade
Que havia toda manhã no olhar ingênuo
De um menino que acreditava no amor.


E-LIVRO COM A PRIMEIRA TEMPORADA