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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

DEPOIS DO ESTRONDO: MEU POEMA PÓS-GÓTICO NA REVISTA BARBANTE


Na edição de Nº 50 da Revista Barbante, comemorando seu décimo ano de publicação, meu poema Depois do Estrondo que escrevo para minha série GotiKlaus, poemas pós-góticos, falo sobre o encontro do amor e as barreiras a serem vencidas para além do desastre de um mundo pós-moderno e decadente.

Na revista o poema saiu com um equívoco gráfico no primeiro poema da terceira estrofe, faltando o r em apertando. Mas acredito que erros como estes acontecem na correria do dia a dia. No final tem link para quem quiser baixar a revista na íntegra.                                                            

DEPOIS DO ESTRONDO

Sobre meus olhos inchados não se assuste

São as noites frias na companhia do corvo

Que me ensina como ser anjo neste inferno.

 

Com os lábios sangrando não se desespere

São serpentes que engoli para me fortalecer

Em banquetes letais por florestas sombrias.

 

Sinta minha mão trêmula apertando a sua

Não se acanhe se eu te perguntar sobre amor

Eu te encontrei em viagens para além da lua.

 

Sobre meus passos trôpegos eu apenas quero

Que você venha comigo pela trilha íngreme

E se deite ao meu lado sobre a relva urticante.

 

Sobre meu verso sem rima sinta uma canção

Sussurrando em seus ouvidos a lamentação

Que eu faço ao vento depois de cada manhã.

 

Seja comigo o casal que vencerá o apocalipse

Nunca duvide daquilo que teu olhar não vê

Seremos ainda hoje a parte escura do eclipse.

 

Paz e guerra são coisas do mundo redondo

Nada sobrará da Terra depois do estrondo

A não ser nós dois caminhando pelo infinito.

 

REVISTA BARBANTE Nº 50




 

sábado, 5 de maio de 2018

CONSUMAÇÃO



Foi essa chuva que me trouxe
O teu cheiro agridoce

E num relâmpago de relance
O calor do teu afago

E num trovão de sons guturais
A melodia dos teus ais

E a vida segue traiçoeira
Puxando-nos o tapete
No ápice da felicidade

A lembrança martela
Para além da morte

A saudade amarga a boca
E sangra os olhos

A verdade se esconde
Onde a gente não vasculha

E a vida segue a cada dia
Mais sádica, mais insana
Na panela da consumação

terça-feira, 7 de novembro de 2017

MEU DOMÍNIO



Não me adiantou amar as rosas
Plantadas em jardins alheios
A morte veio sem pedir licença
E sulcou um peito infértil
Para as ilusões do mundo

Precisei gritar em diversas noites
Por um nome desconhecido
Vi minha voz voar como morcegos
Entre as velhas casas da cidade
Em seus segredos extenuantes

Não exerci nenhum fascínio
Nunca ouvi um aplauso
Meu domínio não passou do meu corpo
E dos abraços que eu dei
Em miragens insinuantes

Morri como se morre naturalmente
Como uma lâmpada que se apaga
Na madrugada já tão escura
Na verdade eu é que desisti
De ver o sol raiar sem nenhuma razão


DA SÉRIE: GOTIKLAUS II