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quarta-feira, 22 de julho de 2015

BELICAMENTE PIORADOSS

BELICAMENTE PIORADOSS















deu cárie nos dentes da engrenagem
deu gangrena na alavanca da máquina
deu merda na hora que abriu a boca
?qual a medida da nossa destruição

deu vírus no computador sem camisa de vênus
teve viúvas assim que saíram do altar
teve altar para sacrificar o povo inteiro
teve janeiro sem ter verão

?como posso estar pedindo esmola agora
na porta da escola onde estudei outrora
?como posso arrotar pólvora em forma de pastilha
?como posso ter uma trilha, uma rota qualquer

o mundo parece desabar sobre meu cabresto
o mundo parece estar com desande e preste a defecar
o mundo parece querer fazer uma prece a qualquer deus
que paque nossas dívidas e esclareça nossas dúvidas
já nem precisamos de saúde e paz como dádiva
não sabemos mais o que é isso
só temos filas nos sus
só temos filmes de guerra
para retratar a terra de nossos pais
não haverá resgate da nossa geração
somente generais geneticamente melhorados
somente generais belicamente pioradoSS
somente pirados

SÓRDIDO MUNDO MODERNO

SÓRDIDO MUNDO MODERNO
DO FILME SIN CITY














aquela vida parece perdida na esquina
aquele corpo parece ser copia mal feita
aquela pessoa parece um som sem ritmo
de tão aflito que é o mundo moderno

aquela vítima parece não ter visto nada
aquela víbora parece ter visto de turista
aquela vitrine parece não receber visita
não sei o que visto para o velório do mundo moderno

aquela viúva parece já está consolada
aquela vírgula parece está fora da frase
aquele vinagre parece não ter acidez
entre os acidentes de percurso do mundo moderno

eu no meio do fim de um começo nefasto
eu no meio da rua sem endereço correto
eu com receio de não ter hora do recreio
ou ter um recreio recheado de sangue
já que todo mundo tem a sua gangue
já que todo mundo tem a sua tribo
e eu solitário em meio à tribulação
e eu solitário no meio de um tribunal
e eu solitário nesse sórdido mundo moderno

terça-feira, 21 de julho de 2015

NO ÓLEO DA MÁQUINA DO ESTADO

da série EXPOEMAS



















NO ÓLEO DA MÁQUINA DO ESTADO

são poucos os passarinhos que voam
são poucos os peixinhos que nadam
são poucos os porquinhos que fazem casas
são loucos os homens que amam

são pobres os políticos que governam
são pobres os policiais que mantém a ordem pública
são pobres os pilares da nossa república
são cobras os que chegam ao poder nessa podridão

esses dias eu tenho pensado bastante
no que basta a um homem na humildade
no que basta a um homem nessa cidade
onde a perversidade se fez verbo
e se tornou verdade e verba desviada

eu vejo as bestas do apocalipse em marcha
veja, isto é uma época nefasta
não vejo nada nas páginas da revista
não ouço nada nas palavras de revolta
não tenho nada na minha mão direita
não digo nada sem meu advogado
apenas meu fígado está sendo fritado
no óleo da máquina do estado

e assim estou aqui
para mais um dia de dilaceração...

segunda-feira, 20 de julho de 2015

SERVE DE FESTA

DA SÉRIE EXPOEMAS

SERVE DE FESTA


















quem diria que a vida era assim
um lampejo de desejo no meio da escuridão
eu me acendo, eu me apago
eu me ascendo, eu me estrago
a cada tragédia, a cada tramoia

quem diria que eu dirigiria um automóvel
que eu mobilizaria uma família
que eu mobiliaria uma casa
que eu teria asas para voar sobre o caos

quem diria que eu digeriria um hamburguer
quem eu torceria para o bayern de munique
quem eu seria feliz sendo filho único
quem eu me fecharia para balanço

nenhum banco investiu em mim
nenhum profeta previu meu fim
nenhum poeta me definiu em suas métricas
eu não sou silabável, sou assimétrico mesmo

e assim eu digiro a vida com catchup
e assim eu pago meus pecados com cartão de crédito
e assim eu não arredo o pé nem que a vaca tenha vaca louca
e assim o pouco que me resta me serve de festa
quando o mundo ficar fétido demais

ONZE E MEIA DA NOITE

DA SÉRIE EXPOEMAS

ONZE E MEIA DA NOITE















onze e meia da noite
onde está meu amor
brincando de pique esconde
entre igrejas pentecostais

onze e meia da noite
quem fez feira pela manhã
quem tem uma fatia de maçã
quem mastiga a última migalha

onze e meia da noite
quem foi para a boate
quem espalhou o boato
quem deu o bote certeiro

onze e meia da noite
e agora um minuto a mais
e agora um milimetro a mais
no perimetro do meu sofrimento

onze e trinta e dois
daqui a pouco um novo dia
daqui a pouco uma nova loucura
daqui a pouco um pouco a mais

e assim a vida se esvai

O CAÓTICO

DA SÉRIE EXPOEMAS

O CAÓTICO














Era para ser um crítico
foi ficando caótico
apocalíptico
um fora de ordem

era para ser bacana
mas armou tanto barraco
que ficou muito banana
um barco sem rumo

começou a desanimar da vida
começou a desistir da vida
começou a destruir a vida
começou a insistir com a morte

mas nem a morte o quis
pois até a morte
prefere ser feliz
ou buscar sua própria morte

FOICE E MARTELO

DA SÉRIE EXPOEMAS

FOICE E MARTELO















era uma noite etérea
era uma nota de rodapé
era uma nova era
era tudo que se espera

mas aí foi ficando escuro
mas aí foi se erguendo muro
mas aí foi sendo foice e martelo
mas aí não deu certo 

agora buscando novos caminhos
agora embrulhando novos presentes
agora emboscando novos inimigos
agora bradando sob novas bandeiras

mas o sonho continua sendo o mesmo
todo mundo junto todo mundo janta
todo mundo dono de tudo
todo mundo dominando tudo
tudo de todos, novas regras
novo jogo
e o sonho sempre será o mesmo

NAUFRÁGIO UNIVERSAL

DA SÉRIE EXPOEMAS

NAUFRÁGIO UNIVERSAL













vamos abrir uma garrafa de cerveja
vamos abrir a tragédia de todo dia
transvestida de comédia de um dia só
camuflada em lençois rotos

vamos abrir uma fachada de uma igreja
cobrar 100% de dízimo
vamos dizimar a inteligência humana
vamos dinamitar as agências bancárias
e todas a bancas de jornais

precisamos de caos para nos acalmar
precisamos de castigo para sermos castos
precisamos nos castrar para aproveitar o cio
precisamos do frio para aquecer nossas consciências
e destruir toda ciência para ter uma teoria apenas

e assim caminha pero vaz de caminha
rumo às índias e suas cartas diabólicas
rumo a qualquer indício de vício e vida
rumo a qualquer estatística comprada
rumo a um naufrágio universal, rumo  a nada