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sexta-feira, 25 de maio de 2018

TODO CAMINHONEIRO TEM UM PARENTE





O cara é parente de alguém. Todo mundo da família é parente. A direita brasileira também tem seu parente. Sim, ele se chama Pedro. E ele é uma espécie de pedra quando um governo de direita está no poder. Ele estava lá naquele apagão.
Mas todo mundo já ficou escuro por causa de um parente. É que o sujeito vai te visitar, gasta a energia indevida. Ou quando era lamparina, ficava até lá pelas dez da noite batendo papo, lembrando-se da infância, contando piadinhas sem graça, perguntando pela tinha que não vê há tempos. A gente não percebe que a querosene vai acabando dentro da latinha. E de repente o fogo mingua. A luz se vai e o parente deixa a gente no escuro.
Tem também aquela prima, que também é parente, que mesmo não apagando a luz, convida a gente para encostar um pouco mais prum canto, para a gente se beijar.
Mas tudo isso passa, hoje na casa da maioria dos parentes não há mais lamparina. E nem na nossa casa. Então a gente recebe o cara, ou a cara, que traz um monte de bugigangas eletrônicas. A primeira coisa é carregar o celular, depois de pedir a senha o wifi, claro. Depois vem o secador de cabelo, a chapinha, pede para usar o liquidificador para fazer sua mistureba que emagrece, usa o barbeador para barbear sei lá o que, e vai usando, abusando, se lambuzando, e de repente, a energia do barraco que é gato, cai. Fica todo mundo no escuro. E o parente segue causando apagão.
E quando a gente pensa que o parente foi embora, ele volta. Agora mais moderno. Mais abusado. Pede o carro emprestado e dá uma volta, duas, pede mais uma vez, e quando a gente percebe a gasolina acabou. Com a chegada do parente, agora há mais concorrência. Se o dólar subir, a gasolina também vai subir, o parente é sempre aborrecente. Então é preocupação e canseira, a gente tem vontade de estacionar a carreta no meio do caminho. Temos a sensação que o combustível está acabando.  Dá vontade de parafrasear o homem de Itabira de onde partem os poucos trens que ainda restam, “há um parente no meio do caminho, no meio do caminho há um parente.” Não tinha, ainda tem, há, agora , no Brasil onde a maioria pode escolher o seu Parente.
Cada um ganha a vida como pode e nem sempre se tem o parente que quer. Mas há quem escolheu o Parente. O Parente, com P maiúsculo, que gosta de causar apagão ou deixar o preço da gasolina, do etanol e do diesel flutuar e esquece que o que é volátil só sobe, nunca desce. O Parente parece não entender disso.
E o caminhoneiro parado no trevo, com um trevo de quatro folhas no bolso, arriscando a sorte nas estradas noturnas, trazendo tudo, levando tudo, da maionese do hambúrguer a erva que abastece a boca. Do remédio do hospital ao chumbinho para matar os ratos, os gatos, as cachorras, e abastece cada um no seu quadrado, tem o parente para sustentar e para se aperriar. Então o Parente chega como sua alegria, parece ser a salvação. A gente abre mão de outras pessoas e o acolhe. Ele vai ficando quieto no seu canto, ganha a confiança e a gente confia que ele sabe. Mas ele faz do jeito dele e bagunça a vida, se deixar, de um país inteiro. Então a gente passa a desejar a saída dele. A gente começa a entender a lição: a nem todo Pedro deve se dar a chave do céu e nem do galinheiro, mesmo se ele for Parente.
Então passamos a não ver a hora do parente voltar para donde veio e cuidar dos seus próprios frangos.


domingo, 24 de julho de 2016

CORRA QUE A política VEM AÍ: 1.6

CORRA QUE A política VEM AÍ: 1.6.


Esse ano é ano de eleição municipal. Para a maioria dos eleitores, ainda está distante. Mas para os partidos políticos, não.
Os partidos já começaram a planejar as estratégias de disputas. Há uma corrida para vereadores. Cada chapa que disputará o pleito tem necessidade de pensar em um puxador de voto em cada bairro, ou distrito, no caso de municípios do interior.
Mas antes fica claro ao caro leitor que a ideia do título da crônica, o que pode vir a ser uma série, é baseada na conhecida sequência cinematográfica de comédia.
Política é coisa séria. Quando aparece um candidato na minha casa em época de eleição, eu digo com franqueza que vou ser sincero por que entendo que política é coisa séria. E dessa política não devemos correr. Mas a politica com p minúsculo, essa parece mais uma comédia, tamanha a cara de pau que alguns personagens dessa politiquinha, ou politicagem, para melhor ficar especificado de que estamos falando.
Em tempos de lava-jato, onde o partido que foi a esperança de tanta gente, acaba tendo desvendando um de seus esquemas de financiamento de campanha, o que devemos discutir não é a ética de um partido que, na verdade, se igualou aos demais. Mas o processo de financiamento de campanha. Isso, sim, é o que devemos discutir.
Hoje disse para um amigo: “Quer ver como vai aparecer dinheiro nessa campanha, Isso não é coisa para nós entrarmos”.
Todo esse processo corrupto e corrosivo da política no Brasil tem início na campanha municipal. O candidato a vereador, cargo mais competitivo da política, acaba gastando além do que pode e logo termina a campanha, está endividado. Ganhando a eleição ou tendo boa votação, fica com prestígio. Daí a dois anos aparece um candidato a deputado querendo apoio do dito bom de voto, e aí é hora de pagar as dívidas de campanha. Cobrando do candidato dinheiro em troca do apoio. Se o candidato a deputado A não pagar, o candidato a deputado B pagará. Nesse caso, o candidato a deputado, seja estadual ou federal, acaba fazendo caixa dois com dinheiro e conluio com as empresas, com consentimento dos candidatos majoritários. É na eleição municipal que é semeada as sementes da corrupção.
O eleitor, que esbraveja que odeia corrupção, mas não abre mão de pedir alguma ajudinha ao candidato a vereador, é conveniente nesse processo.
Para candidatos não corruptos, precisamos de eleitores não corruptores.


quinta-feira, 14 de julho de 2016