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sexta-feira, 7 de julho de 2023

DISCUSSÃO FILOSÓFICA SOBRE VINGANÇA




RESENHA: LITERATAQUE

RESENHISTA: ARYANE BRAUN

LIVRO: DUAS NOITES DE VINGANÇA

AUTOR: CLÁUDIO ANTONIO MENDES

Olá leitores queridos!


    Hoje trouxe mais uma resenha para vocês conferirem. O livro da vez é do escritor Cláudio Antonio Mendes, e trata-se de um livro de contos.

CAPA DA 1ª EDIÇÃO

    Em todos os contos a morte acontece, há contos em que o sobrenatural age ou até mesmo ele misturado ao que chamamos de realismo fantástico, eu diria. Gostei de todos os contos, achei-os criativos, uns mais e outros menos.
    O meu conto preferido foi o que dá nome ao livro, nele, uma mulher uma mulher se vinga de seus ex-colegas de estudo, após ser humilhada numa noite de sexo casual entre eles. Esse conto traz uma discussão filosófica sobre a vingança, nos fazendo refletir se ela vale a pena ou não.
    Também gostei muito do antepenúltimo e penúltimo conto, nele o autor puxou para o lado da fantasia e criou novos seres que representam perigo aos seres humanos, são descendentes do povo viking e tem hábitos alimentares muito bizarros. Andam disfarçados de góticos para abocanhar as suas presas.
    Os contos são uma leitura fluída e prazerosa para quem gosta do gênero terror, eu diria ainda que uma ótima alternativa para quem busca sair de uma ressaca literária.
    Vou ficando por aqui, não esqueçam de dizer o que acharam da resenha nos comentários. Para quem quiser adquirir o livro, o e-book está disponível no site da AMAZON.

ARYANE BRAUN



CAPA DA 2ª EDIÇÃO


LIVRO NA EDIÇÃO VISEU

DUAS NOITES DE VINGANÇA





segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

MINHAS LEITURAS PARA 2022

 

MINHAS LEITURAS PARA 2022

 

(imagem obtida em buscas na internet)

Fim de ano é tempo de fazer lista de desejos para o ano seguinte. Tenho visto youtubers que comentam livros fazerem suas listas de calhamaços para 2022. Ainda não vi a lista de Yuri Al’Hanati do canal Livrada, que eu mais sigo. Assim mando aqui a minha lista de livros físicos. Há ainda os livros da minha biblioteca da Amazon e da Google Play livros (Na maioria acesso gratuito), e os que conseguir em e-book para fins de estudos, livros que troco com recantistas, antologias em que participo, livros de autores regionais (principalmente de Mutum). Subsídios para meus roteiros, resenhas, etc...

 

Na lista há livros que quero terminar a leitura como O Evangelho de Tomé, de José Aristides. Outros são releituras como alguns contos de Caio Fernando Abreu e em dezembro, mês apertado.

Começo o ano com a Trilogia do Josés (José Ronaldo, José Wilker e José Aristides), Há um calhamaço no meio do caminho, no meio do caminho há um calhamaço” do maior biógrafo brasileiro de Karl Marx. Fecho o ano com releitura de Frankenstein.

 

JANEIRO: ATLAS ANATÔMICO PARA ALMAS PUÍDAS – José Ronaldo Siqueira (Terminar leitura)

FEVEREIRO: COMO DEIXAR UM RELÓGIO EMOCIONADO – José Wilker (Prefácio de Frei Betto)

MARÇO: O EVANGELHO DE TOMÉ: A OUTRA FACE DE JESUS – José Aristides da Silva Gamito. (Terminar leitura)

ABRIL1: FILIGRAMAS (POETRIX) - Beth Iacomini

ABRIL 2: A OUTRA - Neusa Jordem Possati (Crônicas) Terminar leitura.

MAIO: WIELAND OU A TRANSFORMAÇÃO – Charles Brockden Brown. (1º Romance Gótico dos Estados Unidos)

JUNHO: MITOLOGIA NÓRDICA – Neil Gaiman

JULHO: KARL MARX – José Paulo Netto (Biografia – Calhamaço) Subsídio para a peça OS VIZINHOS DE MARX.

AGOSTO: CONTOS COMPLETOS – Caio Fernando Abreu. (Alguns contos como releitura).

SETEMBRO: OUTSIDER – Stephen King.

OUTUBRO: PENUMBRA – André Vianco (terminar leitura)

NOVEMBRO: VHS: VERDADEIRAS HISTÓRIA DE SANGUE – Cesar Bravo. (Terminar leitura)

DEZEMBRO: FRANKENSTEIN – MARY SHERLEY (Releitura)

 Se der você poderá conferir as resenhas na série À SOMBRA DE UM CEDRO EU SENTEI E LI.

No final do ano a gente comenta o que foi possível e o que não foi. Qual a sua lista?

quinta-feira, 6 de maio de 2021

ERVILHAS E ATUM

 

            Aquele rosto morto, ensacado pelo inverno do ano mais triste e doído de sua vida, acordou juntamente com ela para mais uma quarta-feira. E todos os dias da semana se pareciam iguais. Domingo à tarde e uns dois dias por mês é que era diferente. Mas tempo apenas para descansar e organizar as coisinhas em casa.
            O supermercado com suas prateleiras cheias de produtos necessários a todos os padrões de consumo na cidade engaiolada pela pressa e falta de poesia da mulher e do homem que traz atravancado em seus tornozelos os grilhões da sobrevivência, a esperava para engoli-la por uma longa jornada de trabalho, e depois vomitá-la, expelindo-a através dos logradouros do bairro operário para dentro da sua caixinha de alvenaria para a qual dão o nome de casa.
            R$ 53,00. Ele lhe entregou R$ 60,00. Ela lhe devolveu R$ 7,00 enquanto que a empacotadeira colocava num misto de pressa e cuidado os pacotes de cereais e latas de conservas em sacolas de materiais nada degradáveis. A matemática naquele instante foi simples demais. Mas na quinta cavidade do seu coração, aquela invisível a qualquer raio-x, faltava algo. O troco que a vida havia lhe dado não era o suficiente diante da perda que teve. Tinha sido deixada por aquele homem que a havia preenchido de carinho e decepções nos seus últimos sete anos de sobrevivência.
            Desde então a jornada, para a sua sensação, havia se tornado o dobro mais árdua. E ele, aquele desgraçado, estava comprando aqueles cereais para quem? E aquela latinha de ervilha?
            Era a primeira vez depois da separação que ele entrava no supermercado e passava diante dos seus olhos. Tanto ele, como ela, agiram com naturalidade, a mesma de quando estavam juntos e ele ia lá, comprar o que ele tinha vontade. O homem durante sete anos gostava de atum e detestava ervilhas.
            A empacotadeira sorriu com o canto da boca quando ela abaixou a cabeça para respirar fundo. Pensava qual seria a reação da caixa quando soubesse para onde estava indo aquela mercadoria. Nesse mundo sem poesia, sobrava drama mesmo no recheio da dureza operária.
            Fim da jornada. As duas almas femininas e famintas tomaram o rumo de suas casas. A empacotadeira subiu a ladeira feliz. Iria desfrutar de sua conquista e discutir com ele como contaria para a colega de trabalho. Não poderia segurar tamanho segredo por tanto tempo.


            Ela caminhou cabisbaixa, derrotada, pela avenida até entrar na ruela em que morava. Abriu a porta e sentiu o cheiro de comida sendo preparada. Era ele ao fogão. No jantar haveria atum para ele e ervilha para ela em celebração ao seu retorno inesperado.
            A empacotadeira chorou diante do bilhete de despedida sem ter forças para encarar a colega de trabalho no dia seguinte. Resolveu não ir mais.


CONTO DA QUINTA PASSADA




quinta-feira, 15 de abril de 2021

A BARGANHA

 



A BARGANHA

 

 — Não precisava ser assim. Alberto não merecia morrer. Tudo bem, ele era um fanfarrão, um inútil, imprestável, mas era meu irmão gêmeo.  Envenená-lo foi uma ideia absurda. Vê-lo bebendo seu vinho preferido enquanto pescávamos naquela noite, recordando nossa infância pobre no interior de Minas Gerais e aí ele vai caindo para trás apontando as estrelas no céu que dizia serem nossos pais foi o assassinato mais paradoxal que cometi. Depois, jogá-lo dentro da represa deu pena.
         — Ah é?
     — E aquele mendigo embriagado na calçada? Ver seus miolos sob os pneus da minha moto foi muito angustiante. Já não lhe bastava dormir ao relento e ainda tinha que morrer covardemente assim? Eu mal imagino qual seja o seu nome. E ele certamente mal imagina o motivo que me levou a esmagá-lo. No dia seguinte li no noticiário em canto de folha de jornal. Falou-se dele como se fala de um animal morto ao acaso. Eu não me perdoo por isso.
         — Mas faz parte da nossa barganha. Eu te dou riquezas e proteção e você me dá mortes.
         — Com Munique foi mais difícil, eu amava de fato aquela mulher. Depois de dois anos a tendo por amante eu pensava em assumir nosso relacionamento. Desistir das demais e ficar somente com ela. Ela me acompanhou até aquele bosque para um piquenique. Eu a estrangulei com as mesmas mãos que tanto acariciei seu corpo macio. Vê-la arregalando os olhos diante dos meus enquanto sua vida se esvaía foi frieza demais da minha parte.
         — Ah, agora você tem pena? Agora você se arrepende? Vai lá. Entrega-te para a justiça dos homens. Você vai ver o que vai acontecer. Trinta e dois assassinatos sem autoria comprovada e de repente o famoso empresário se entrega. Que sensacional!
         — Vou sim. Primeiro eu reconheço a paternidade do meu filho que mora em Minas. Passo toda minha fortuna no nome dele. Depois contrato um bom advogado e no máximo eu vou ser internado no manicômio e lá viverei o que me resta da vida lendo os livros que sempre tive vontade de ler.
         — No manicômio? — gargalhou. — não te dou três dias, meu caro. Como que você acha que o diretor do manicômio se enriqueceu? Não foi sendo mero funcionário público. Três dias no máximo.
         — Poxa vida, você pensa em tudo.
         — Fez pacto comigo, aguenta. E só para te informar. Seu filho, que você ainda não teve coragem para reconhecer, acaba de morrer atropelado por uma carreta desgovernada perto de Manhuaçu.




PARA VOCÊ QUE ME DEU A HONRA DA SUA LEITURA

quinta-feira, 8 de abril de 2021

A DESEMPREGADA

 


Meu desejo sempre foi viver um momento feliz. Por isso frequentemente saiu pela noite em busca de alguém que possa me proporcionar um tiquinho de felicidade.

Naquela sexta-feira vesti o melhor que eu tinha para um solteirão de vinte e sete anos, entrei no meu carro razoavelmente confortável e resolvi entrar em um bar desconhecido. Para isso tive que ir a outro bairro nobre da cidade. Estacionei meu carro, encerado impecavelmente, e me dirigi para dentro do recinto, antes deixei a chave com o manobrista. Para minha surpresa, era uma manobrista.

Era a primeira vez que vejo essa atividade sendo praticada por uma mulher. Não quero fazer juízo de valor. Para mim, um técnico em informática que trabalha no maior hospital da cidade mediana, não cabe a mim julgar qual profissão é para homem e qual é para mulher. Apenas constatei o fato.

Entrei e me sentei em uma das banquetas, confortáveis por sinal, que faz parte de um dos três balcões do bar. Foi um amigo e colega de trabalho, enfermeiro, que me indicou esse lugar. Segundo ele mulheres bonitas e solitárias são frequentes. Ele me contou que só este ano já pegou três. Todas valeram muito a pena. Falou de uma morena de olhos verdes que ele não consegue esquecer. A loira de lábios vermelhos, a última que ele paquerou, está nesse momento internada no hospital em que trabalhamos.

Eu queria que ele estivesse comigo, mas hoje é o seu plantão e eu teria que aguardar mais duas semanas para desfrutar da companhia dele. Arrisquei vir sozinho.

Pedi o primeiro drink depois de olhar no menu o preço de cada tipo de bebida identificando aquela que caberia no meu bolso. Lembro que não posso exagerar nos gastos. Mês passado tive dificuldades e acabei fechando no vermelho. Cheguei a pensar em vender meu carro. Não ouso chama-lo de carango. Ele não é.

A princípio me decepcionei. O bar estava vazio e nada de mulher bonita. De cinco em cinco minutos eu fazia uma vistoria com meus olhos incomodados. Apenas seis mulheres, quatro acompanhadas e duas que não compensavam a investida, a não ser depois das três da manhã.

Entendi com o passar das horas que cheguei cedo demais. Onze horas da noite o recinto já estava lotado. Realmente haviam mulheres interessantes sentadas juntas, olhando para os lados. Caçadoras de homens como complemento para aquela noite. Eu estava lá, uma caça disponível.

Não demorou muito, uma delas sentou-se perto de mim, puxou assunto e eu fui dando corda. O primeiro beijo aconteceu ali no balcão. Mas assim que detectamos uma mesa desocupada em um canto mais reservado, ocupamos rapidamente. Enquanto a noite avançava, era cada vez menos conversa e cada vez mais carinhos, ou amassos como dizem por aí.

A partir das três e meia o bar começava a se esvaziar. E nós dois já estávamos começando a cansar de beijos, bebidas e conversas vazias. Ela fez menção de ir embora. Eu pedi para que ela ficasse um pouco mais. Ela ficou. Arrependi. No fundo eu queria ir embora com ela para algum lugar. Ter uma relação íntima com a mulher que estava bebendo por minha conta em troca de beijos e uma ou outra carícia mais ousada. Mas nos últimos minutos ela estava esfriando, me rejeitando.

Quatro e quinze e só restavam nós dois no bar. Os garçons olhavam para nós com reprovação e dizendo sem palavras para irmos embora, estavam cansados.

Levantamos, quando eu tomei a direção do caixa para pagar a conta ela fez menção de ir embora. Segurei-a pelo braço. Eu merecia uma despedida. Ela compreendeu e não forçou uma fuga.

No estacionamento restavam poucos carros. Quando a manobrista nos avistou dirigiu-se à mulher que me fazia companhia.

— Vou trazer o carro da senhora primeiro.

— Você está de carro?

— Sim, estou no meu carro. Por que a surpresa?

— Surpresa? Não estou surpreso. Eu só pensei que terminaríamos a noite juntos.

— E terminamos. A noite para mim já acabou. Foi bom ter ficado com você.

— Mas assim?

— É assim que eu termino meus primeiros encontros. Quem sabe depois de algum tempo a gente termine diferente. Venho aqui um final de semana sim e outro não. É só marcar no seu calendário.

Ela entrou no carro e arrancou. Eu a vi partir e notei que a manobrista estava percebendo a minha desolação.

— Fica assim não, senhor. Ela sempre faz isso. Não nutra suas esperanças, ela nunca fica duas vezes com a mesma pessoa. Eu já cansei de ver essa cena.

Minha cabeça começou a ficar pesada. O rosto da manobrista foi ficando distante. Tudo rodopiou e eu caí.

Acordei depois das onze da manhã. O sol entrava pelo meu quarto. Na minha cama havia vestígios de que outra pessoa estivera ali, deitada ao meu lado. Havia cheiro de relação íntima no ar. Meu corpo sentia, mas minha mente não se lembrava de nada.

Na cozinha tinha café pronto e na porta da geladeira um bilhete que dizia: — Foi bom ficar com você. A manobrista. — e o formato de uma boca em batom vermelho.

A manobrista trouxe-me para casa e me deu felicidade. Pena que eu não estava sóbrio para sentir.

Na quarta-feira eu estava contando para meu amigo enfermeiro minhas aventuras da noite de sexta quando vejo a mulher que tinha bebido às minhas custas entrar no refeitório do hospital.

— O que ela está fazendo aqui?

— Ela quem?

— A mulher que me deixou no estacionamento. — ele olhou na direção da porta.

— É a nova enfermeira. Começou a trabalhar hoje.

— Ela podia ter dito que estava desempregada. Quem sabe da próxima vez ela racha a conta?


*******

PRÓXIMO CONTO

A BARGANHA


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

LIGAÇÃO À PEQUENA DISTÂNCIA PARA COBRAR


LIGAÇÃO À PEQUENA DISTÂNCIA PARA COBRAR



            —Alô, Martielly.
            —Não, você não é real. Você morreu há dez meses, você está morto. Eu preciso me consultar com um psicólogo.
            —Eu sei que eu morri. Não precisa me lembrar disso. Eu lembro bem da sua máscara de tristeza enquanto você gargalhava por dentro. Você foi a última imagem de alguém vivo que vi antes da primeira pá de terra sobre meu rosto abaixo do vidro da tampa do caixão. Mas você não foi tão viva assim depois que morri. Matou-me trocando meus remédios por outros comprimidos feitos da farinha de trigo, conseguidos pelo seu amante com um médico fajuto. Você pensa que eu não fiquei sabendo? Depois que a gente morre, descobre-se o quanto de maldade se faz contra a gente.
            — Não foi bem assim. Eu te amei por algum tempo.
            — Você não sabe o que é amor. Eu também nunca te amei, apenas precisava de uma mulher bonita só para ficar bem nas fotos durantes os jantares enfadonhos da minha agenda. Se você soubesse amar de fato, amarrar o coração de um homem com sua sedução, o bobão do seu amante não teria te dado o golpe. De que adiantou você me matar? Agora está aí prestes a perder a última coisa que ainda te resta, a nossa casa de campo. Amanhã ela será leiloada pelo que estou sabendo.
            — Para quem já foi para o céu, você está sabendo demais.
            — Quem te disse que eu fui para o céu? Não querida, eu não fui para o céu.
            — Pro inferno, então?
            — Não, chuchuquinha. Eu não fui bom o suficiente para merecer o céu e nem mau o bastante para ser despejado no inferno. Eu estou vindo do purgatório.
            —Vindo? Como assim? Vindo para onde? E eu odeio quando você me chama de chuchuquinha. Deixe-me em paz, por favor.
            — Calma meu benzinho. Estou em liberdade condicional.
            — Você sai ao dia e volta à noite?
            — Não, saio à noite e volto ao dia.
            — Sai para quê?
            — Depois de algum tempo no purgatório, você recebe uma proposta. Ou você perdoa todos que te traíram e vai para o céu, ou você volta para se vingar. Advinha o que eu escolhi.
            — Já sei, você está se despedindo de mim antes de ir para o céu.
            — Resposta errada.
            — Vou está vindo vingar-se de mim?
            — Já estou aí.
            — Onde.
            — No lugar em que você escondeu seu amante naquele dia em que eu tentei te pegar no flagra.
            — Dentro do guarda roupa?
            — Isso mesmo, a dois passos do seu pescoço. Agora apenas um.
            — Ah não, por favor.


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

CONTOS DE UM NATAL SEM LUZ - VOL. 5

Uma vila, 20 casas, vinte histórias que mostram que nem todos podem ter a alegria de um verdadeiro Natal.
Vinte autores selecionados criando contos dramáticos que vão te fazer refletir sobre como pode ser a tão sonhada noite de Natal.
Publicação EDITORA ILLUMINARE - 100% Gratuita.
Ebook gratuito no site da editora após lançamento da obra em 8 de dez de 2018 - 14:00 - Biblioteca Viriato Correa - São Paulo - SP.



Casa 1 – Lorena Caribé – Conto: Uma Vida Nova
Casa 2 – Eloisa Alcântara – Conto: A Ceia
Casa 3 – Carlos Asa – Conto: Um Presente Amargo
Casa 4 – Tatiana Honorato – Conto: Façam Silêncio
Casa 5 - Mhorgana Alessandra – Conto: Voa, Voa, Joaninha
Casa 6 – Márcia Pavanello – Conto: Natal dos 15 Anos
Casa 7 – Adnelson Campos – Conto: Mais uma Chance
Casa 8 – Marissol Lorenço – Conto: O Natal do Palhaço Exilado
Casa 9 – Nicole Ayres – Conto: O Duende
Casa 10 - Bárbara Lúcia – Conto: A Espera
Casa 11 – Ro Mierling – Conto: Menininha
Casa 12 - Regiane Silva – Conto: Os Presentes de Natal
Casa 13 – Deborah Petrova – Conto: Eu não Tive Culpa
Casa 14 – Fernando Callado – Conto: A Última Casa da Vila
Casa 15 - Srta. Mendes – Conto: Santa Claus
Casa 16 – Sergio Mattos – Conto: O Corpo que Fala
Casa 17 – Michelle Fagundes – Conto: Girassóis
Casa 18 – Claudio Mendes – Conto: Na ausência de Esperanza
Casa 19 – Susan Cruz – Conto: O Pinheirinho
Casa 20 – Rudson Xaulin – Conto: Banquete de Sangue

domingo, 23 de setembro de 2018

MISSÃO SUBURBANA - SORTEIO PRIMAVERA LITERÁRIA




MISSÃO SUBURBANA

Há três anos completei dezoito de vida. Por muito tempo eu ensejei por esse momento. Confesso que me decepcionei um pouco. Nada de novo após o dia do meu aniversário.
Tratei de rapidamente conseguir meu primeiro objetivo, a habilitação para moto. Há dois anos comecei a cursar engenharia civil em Manhuaçu, distante a 110 quilômetros da minha cidade, e gasto meu pequeno ordenado que ganho, como balconista em uma loja de material de construção, entre mensalidades na faculdade e economias para adquirir ao menos uma 125 cc.
Outra conquista importante, para um jovem de vinte e um anos, é o cartão de crédito. Pareço inserido agora no mundo capitalista. Só falta um motor para eu me locomover. Não é fácil para um morador do morro. Somos identificados com a violência que aqui campeia, sobretudo agora, que há tráfico declarado e o controle feito pela turma do movimento.
Pego meu smartphone e começo a vasculhar uma moto nos sites de compra e venda, tipo Mercado Livre. Vou vasculhando com cuidado.
Encontro uma filezinha, seminova, com preço muito em conta. Anoto o telefone de contato. Não é de uma cidade longe. Tomara que o dono me atenda. Vou pechinchar um pouco, vê se sai mais em conta.
Pechincha feita, negócio fechado. A moto sai mais barata que eu esperava. Todas as minhas condições são aceitas. Assusto-me. Nenhuma imposição por parte do vendedor. Lembro-me do ditado popular: Santo quando vê muita esmola, desconfia.
Combinamos que ele vai entregar-me a moto na faculdade depois de amanhã. Preciso de um dia para ir ao banco e levantar a grana e ele fazer a transferência dos documentos.
No banco, nenhuma dificuldade. Levanto a grana que preciso.
Chega o dia. Assim que desço do ônibus, lá está o sujeito conforme ele se descreveu. Baixo, de jaqueta de napa, capacete na mão. Até o capacete virá junto com a moto. Os documentos já transferidos por eu ter passado os dados para ele. Muita gentileza da parte do vendedor. Entrego em um envelope o montante. Se eu contar como foi fácil, não haverá ninguém que não desconfie que eu esteja mentindo. No mínimo, eu estou aumentando os fatos.
Não assisto às aulas do dia. Ansioso, pego minha moto e retorno para Mutum. A certa altura acelero. A moto começa a sair do chão e decola. Acho estranho. Subi até ganhar as nuvens. Aí pego uma velocidade incrível, parece ser aquelas naves do Star War. Devo estar na velocidade da luz.
Em menos de dois minutos eu estou em um lugar muito frio, em frente a uma casa humilde, coberta por neve. Minha moto virou um trenó puxado por dois pares de renas. Desço da moto e bato palmas. Um anão vem me atender.
— Pois não. – Fala a minha língua.
— Não estou estendendo nada. Estava voltando para casa e vim parar aqui. — falo meio gaguejado.
— Chefe, o brasileiro chegou. – diz com o rosto voltado para dentro da casa.
Aparece um senhor idoso que reconheço como Papai Noel. Exclamo:
 — O senhor parece o Pa...
— Papai Noel. Sim, sou eu. Você está na Lapônia. Entre, aí fora está muito frio.
Entro e ele foi logo falando assim que me sento.
— Você foi escolhido para estar aqui. Sua moto é mágica. Ela é que te trouxe. Você vai voltar e vai transmitir dois recados para o chefe do movimento na sua comunidade: Ele quer impedir a igreja de fazer a entrega dos presentes de natal para as crianças, diga a ele que não impeça. O segundo recado é para ele suspender a distribuição de drogas durante os festejos de natal e ano novo.
- Eu? Como?
- Vá até ele e diga o que eu estou mandando. É uma missão.
Quero perguntar mais. Mas o velho e mais três anões se recolhem no outro cômodo me deixando sozinho.
Saio da casa e entro no trenó, as renas começam a correr. O fenômeno ocorre de forma inversa. Volto para a estrada no mesmo lugar em que a moto voou. Parece uma alucinação, mas é real. Eu vejo, eu sinto.
Chego afoito em casa. Ainda são 22h15. Resolvo ir ao encontro do chefe do tráfico, conhecido como chefe do movimento.
- Quero falar com o chefe.
- Pode dizer que eu transmito. - Fala o rapaz que faz a guarda da sede.
- É um recado direto.
Diante agora do chefe armado e sorridente, eu tremo.
- Trago para você dois recados do Papai Noel.
Gargalham tanto da minha cara que chegam a babar.
- Verdade. Se você não deixar o pessoal da igreja distribuir os brinquedos e não suspender a distribuição durante as festas natalinas e de final de ano, você não terá mais mercadoria.
- Sai daqui moleque. Parece que fumou baseado vencido. Tá malucão. Não temos tempo para isso.
Saio da sede do movimento meio cismado com a situação. Nunca tinha feito um papel tão ridículo.
Manhã do dia seguinte. Acordo da noite mal dormida. Assim que piso do lado de fora, vejo dois caras do movimento no portão.
- O chefe quer falar com você. – Levam-me até ele.
- Que palhaçada é essa, garoto? Que história é essa de Papai Noel me enviar um recado?
Conto para ele toda aquela maluquice da noite anterior. Como eu tinha comprado minha moto e o que aconteceu na estrada. Ele me ordena que eu o entregue a moto. Tive que atender.
Ele me retém na casa enquanto um de seus comandados sai na minha máquina mágica.
Durante esse tempo fico sabendo que toda mercadoria dele tinha virado balas, doces e pirulitos.
Quando o comandado volta, ofegante, conta que passou pelo mesmo que eu. Ele havia se encontrado com o Papai Noel. Até a transformação da moto em trenó e renas é constatada.
— E aí gente. O Mané também tá pirado.
— Não é piração não, chefe. Eu vi, eu senti. Os recados são os mesmos de ontem.
Sou liberto. Arrumo uma desculpa no trabalho para a minha falta naquele dia. Não vou também à faculdade. É final do período e minha situação já está resolvida em todas as disciplinas.
Chegando o natal, percebo a comunidade bem alegre. Há distribuição de brinquedos pelo pessoal da igreja. No ano novo é a vez do pessoal do movimento distribuir brindes entre as crianças. Parece que há uma trégua na distribuição da mercadoria. São dias de paz na quebrada. Se eu contar como foi difícil para eu fazer parte dessa missão, não haverá ninguém que não desconfie que eu esteja mentindo. No mínimo eu estaria aumentando os fatos. Dirão que é tudo fantasia da minha cabeça.


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CRITÉRIOS PARA PARTICIPAÇÃO NO SORTEIO

UM DEDO DE FELICIDADE - SORTEIO PRIMAVERA LITERÁRIA



A pessoa caiu dentro de um poço. Diziam todos que era muito profundo. Mas quando ela foi resgatada, não tinha nenhum osso quebrado. Pela noite, na pequena vendinha do vilarejo o assunto era o fato.
Encontrei com ela quando eu voltava para casa em minha velha bicicleta. Ela estava indo para o vilarejo em sua charrete puxada por uma égua que outrora tinha sido minha. O animal parece ter reconhecido minha voz na escuridão.
A pessoa disse que precisava me entregar algo estranho que ela tinha encontrado no fundo daquele posso. Fiquei assustado.
Ela ligou sua lanterna e tirou do bolso um embrulho pequeno. Entregou-me. Abri com a curiosidade saltando dos meus olhos que logo foi substituída pelo espanto. A pessoa tinha acabado de me entregar meu dedo que eu havia perdido há três anos picando as costelas de um porco com uma machadinha muito afiada.
Em casa, olhando à luz da lamparina aquele artefato que já tinha sido parte de mim, lembrei-me que havia sido dito na vendinha ser a égua que havia o derrubado dentro do poço. Foi o mesmo animal que me viu cortar o dedo enquanto pastava próximo à varanda enquanto eu desossava o porco para alimentar a família e fazer algum dinheirinho com os torresmos. Eu havia vendido o animal para pagar algumas dívidas que não estava conseguindo saldar, entre elas, a da farmácia onde comprei todo medicamento para cicatrizar minha mão.
A pessoa em questão nunca foi carinhosa com o animal. Minha mãe, por causa do Alzheimer, havia esquecido onde colocará meu dedo. Então, minha velha égua, que a viu jogar o dedo no poço no sítio vizinho, pensou certamente que se eu tivesse aquele pedaço de mim de volta, poderia buscá-la para onde ela era feliz.


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VITÓRIA: CONTO DE 22-09-18

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

VITÓRIA (SORTEIO PRIMAVERA LITERÁRIA)



VITÓRIA

— Você tem certeza que ama aquele homem?
            — Tenho certeza sim, dona Leni.
            — Mas ama de verdade?
            — Sim, meu amor por ele é de verdade.
            — Mas ama mesmo, do fundo do seu coração?
            — Amo do fundo do meu coração, dona Leni. Eu já contei para a senhora a nossa história, lembra? Eu falei como tudo começou. Foi naquela fogueira de Santo Antônio que meu falecido vô tinha como tradição fazer todo ano em sua fazenda. O Carlos tinha ido acompanhar seu pai que tocava viola. Eu me interessei por ele. Tinha dezessete anos. Naquela época eu estava estudando o segundo ano do ensino médio aqui na cidade. Todo dia eu pegava o Escolar bem cedo para vir estudar. Era estudar e trabalhar. Até conhecer Carlos, eu tive algumas paquerinhas, mas foi com Carlos que comecei a namorar sério.
            — Em casa?
            — Não. Aqui na cidade. Ele trabalhava fazendo cobranças. Então eu que não era excelente aluna, mas mediana, comecei a matar aulas para ficar com ele que começou a matar o trabalho. Aí, com dezenove anos, ele foi mandado embora do seu primeiro emprego. Enquanto ele não arranjava outro, e parecia que não queria arranjar, nós passávamos a maioria das manhãs juntos. Minha mãe descobriu e me tirou da escola. Aí quase não nos víamos mais. Somente nos finais de semana que ele ia a Centenário.
            — E aí então ele tomou coragem e foi em sua casa pedir para namorar?
            — Que nada! Ele dizia que não tinha coragem, e mais, que tinha vergonha de ser a causa de eu parar de estudar. Eu disse que ele não era a causa, eu já não estava mesmo a fim de concluir o ensino médio e continuar morando na roça cozinhando para companheiro e lavando roupa de toda família. Em um domingo que houve um jogo importante lá em Centenário, combinei com ele de fugirmos naquele dia. Estava tudo preparado. Ele disse que naquele dia não dava. Que poderia ser no dia seguinte. Tinha que arrumar as coisas. Combinamos tudo para ser na segunda-feira. Quando chegou a segunda-feira, esperei todo mundo lá em casa dormir, peguei a mochila com minhas principais roupas e sai pé por pé. Abri a porta devagar, caminhei durante uns vinte minutos até chegar à encruzilhada que combinamos. Ainda bem que era lua cheia nesse dia. Ele estava lá com uma moto emprestada. Foi assim que eu vim morar com ele.
            — Menina, você arriscou demais. Até parece que você não tinha juízo nessa época.
            — Se eu tinha juízo ou não, eu não sei. O que eu sei é que eu estava perdidamente apaixonada por ele. Viemos morar na casa de sua mãe que já era viúva e aposentada. Começamos dormindo no chão. Depois fomos economizando e construímos um barraco com dois cômodos e um banheiro nos fundos. Ele começou a trabalhar de ajudante de pedreiro e eu de faxineira. Com o tempo meus pais aceitaram e voltaram a conversar comigo.
            — E como você foi trabalhar no PSF?
            — Com a nossa situação equilibrada, Carlos queria ter um filho. Mas pedi a ele mais tempo. Voltei a estudar no EJA para concluir meu ensino médio e depois fiz o curso técnico em enfermagem. Se por um lado, foi bom por que eu tive um diploma e uma profissão, por outro lado, foi durante meus estudos que a coisa começou a desandar para o nosso lado. Enquanto eu ia para a escola, ele ira para o bar com um rapaz que também trabalhava na mesma obra que ele. Os dois ficaram superamigos e começaram a beber e jogar sinuca. Todo dia, quando eu chegava cansada da faxina e dos estudos, Carlos vinha com bafo de cachaça. Depois comecei a notar falta de dinheiro. Seu salário nunca sobrava. Teve mês que só tinha o que eu ganhava com as faxinas para fazer compras. Fui ficando triste e não estava vendo outra solução a não ser me separar dele.
            — Ih, o tal vício da cachaça é terrível. Aliás, qualquer vício destrói a família.
            — Ainda aguentei o que pude. Mas teve um dia que eu estava voltando para casa com pressa para almoçar e pegar outra faxina na parte da tarde quando encontrei com seu Douglas na rua me perguntando pelo Carlos. Fiquei assustada com a informação do pedreiro com o qual Carlos trabalhava. Eu tinha feito o almoço pela manhã e ele estava se arrumando sair quando fui para a primeira faxina. Seu Douglas me encarregou da péssima notícia, Carlos estava despedido. O homem justificou dizendo que há muito tempo Carlos não vinha trabalhando direito. E agora começou a faltar. Cheguei a minha casa e comprovei que realmente ele não tinha ido trabalhar. Só não tinha ido como tinha bebido a manhã toda. Fiquei furiosa. Fui discutir com ele as consequências da sua embriaguez, ele me lascou uma bofetada no rosto. Rodopiei e cai zonza no chão. Decide com meu rosto roxo colado no cimento frio que iria deixa-lo. Foi o que eu fiz. Fiquei na casa de uma colega do EJA por quatro dias até achar um lugarzinho para morar e recomeçar minha vida. Foquei nos estudos, conclui o segundo grau e o técnico em enfermagem. Veio o concurso da prefeitura, dediquei-me ao máximo e fui abençoada com aprovação em segundo lugar. Então fui trabalhar no PSF com pessoas boas como a senhora.
            — Vem cá minha filha, dá aqui um abraço.
            Enquanto as duas colegas de trabalho se abraçavam, Carlos havia comprado sua passagem e agora estava no hall de embarque do terminal rodoviário bem de frente para as duas. Assim que as duas mulheres terminaram de se abraçarem, os olhos de Ronilza encontraram se com os olhos de Carlos. Ele se levantou e ocupou a cadeira vaga ao lado da sua ex.
— Vai viajar?
— Sim, eu vou curtir minhas férias com Leni. E você?
— Vou também. Para onde você vai?
— Vitória. E você?
— Para Vitória também.
— Coincidência, não.
— Ronilza, eu estou limpo. Eu deixei de beber.
— E de me amar?
— Não, isso eu não nunca deixei. Eu sinto tanta saudade de você. E você ainda me ama?
— Eu também nunca deixei de te amar. — Ronilza olhava bem nos olhos de Carlos. Os dois sorriram juntos. A mão dele procurou pela mão dela. Foram se aproximando até seus lábios se tocarem.
Ao lado dona Leni já não se aguentava de tão contente por seu plano ter dado certo antes mesmo da viagem começar. Decidiu não ir mais viajar com Ronilza. Não precisava. Sua missão estava cumprida. Saiu sem que eles percebessem. O casal só deu falta dela quando os alto-falantes do terminal os trouxeram para a realidade.


NOTA DO AUTOR: Obrigado pela leitura. Agora preciso da sua colaboração como condição para participar do SORTEIO PRIMAVERA LITERÁRIA. Você pode deixar seu comentário aqui mesmo no blog ou ir para a página do grupo no FB/CONTO_VITÓRIA e deixar na postagem referente a esse conto sua contribuição. Pedimos que o comentário tenha no mínimo 20 caracteres. 

BOA SORTE NO SORTEIO

sábado, 15 de setembro de 2018

SORTEIO PRIMAVERA LITERÁRIA: CRITÉRIOS


CRITÉRIOS DO SORTEIO

Para celebrar a chegada da Primavera e fazer florescer o gosto pela literatura, o blog Escritos do Cláudio promoverá sorteio de duas obras:
    UNI VERSOS: Livro de poemas, de nossa autoria, escritos nos anos 90 transpirando militância social e pastoral em versos unidos para retratar uma época refletida na alma do poeta.
   DE A A Z, CONTOS SELECIONADOS: Antologia da Editora Illuminare com nossa participação através do conto GAIVOTA.

Durante quatro dias (22 a 24 de setembro de 2018) serão postado 04 contos no blog ESCRITOS DO CLÁUDIO, com link na página do nosso grupo no facebook (FB/ESCRITOSDOCLAUDIO). E na nossa página pessoal. A partir das 23h00 no dia anterior.

Os contos não serão longos, ainda não publicados, para facilitar a leitura em pouco tempo, indicados a partir de 14 anos.

Os contos possuem temáticas variadas, para atender a heterogeneidade dos nossos leitores;
Conto dramático: VITÓRIA. (22/09)
Conto insólito: UM DEDO DE FELICIDADE. (23/09)
Conto fantástico: MISSÃO SUBURBANA. (24/09)
Conto de suspense sobrenatural: O CHORO DOS ANJOS. (25/09)

Para cada conto lido e comentado por você corresponderá a uma vez que seu nome entrará no sorteio, dando-te a oportunidade de concorrer os dois livros com mais chances se vier a ler os 04 contos.

Em seu comentário na página do grupo no facebook você poderá:
  •       Ajudar-nos na revisão ortográfica e gramatical;
  •      Comentar sobre os personagens (Seja protagonistas ou antagonistas), realçando seus vícios e virtudes;
  •       Fazer uma crítica construtiva para nos ajudar a melhorar nossos escritos;
  •      Não vale dizer apenas Gostei. Justifique seu comentário;
  •     Também entrará no sorteio quem compartilhar com 04 (quatro) amigos no facebook os post feito no grupo do blog.

LINKS PARA OS CONTOS

CONTO DO DIA 22/09/2018
SÁBADO

CONTO DO DIA 23/09/2018
DOMINGO
UM DEDO DE FELICIDADE


domingo, 2 de setembro de 2018

NA TERCEIRA FASE DA LINHA DE PRODUÇÃO





O que estamos produzindo?
Sei que é preciso foco. Mas as ideias afloram como erva daninha. Na terceira fase de produção, aquela em que já temos os textos, passando por releitura, revisão gramatical e editoração para vir a ser publicado. Quando? Quando der.

POEMAS
RIMAS DE UM VASTO CORAÇÃO: Reunindo 75 acrósticos da série Acrosticando e 75 rondeis.

DECALOGIAS POÉTICAS: Uma experiência única, até então, de produzir 10 poemas por dia em torno de uma temática, em 10 dias seguidos.

DISENTERIAS POÉTICAS: Uma defecada de versos na cara do sistema e da superficialidade da vida.

EDIÇÃO EXTRA I e II: Poemas atuais produzidos sem estar dentro de um projeto específico.

EXTREMOS PERIFÉRICOS MENTALIZADOS: Experimentais produzidos a partir de propostas no Recanto das Letras.

GOTIKLAUS: Coletâneas de poemas góticos dentro de uma cosmologia particular do autor.

INSIGHT SÓCIO-POÉTICOS: Poemas ácidos, críticas sociais e dramas existenciais.

POEMAS EM PÓ: Poemas curtos, haicais e quadras.

KARNIFICINA POETRIKA: Primeira coletânea de poetrix.


CONTOS

O CASTELO DE ALICE: Contos participantes de antologias e inéditos como O PORTADOR.

A MORTE SEM DESCONTOS: Uma coletânea de 10 contos de terror.

A INSANIDADE EM TREZE ALFINETADAS: 169 contos minimalistas (nanocontos, microcontos e minicontos).

PEQUENOS ESPAÇOS, GRANDES NARRATIVAS: Contos minimalistas falando do cotidiano e das relações humanas.


NOVELA
PREÇO & RECONCILIAÇÃO: Da série DUOLOGIAS DRAMÁTICAS.


terça-feira, 24 de julho de 2018

INVESTIGADOS E RÉUS


         
(CONTO POLICIAL)

A sala era bem decorada com quadros pintados das mais variadas cores que nos transportavam através do tempo e espaço.
         O juiz sentado no sofá escuro olhava cada um como se estivesse no seu tempo de detetive, procurando uma prova para comprovar o crime e, no papel de juiz agora, dar a sentença final.
         De repente Margareth aparece na porta com sua bermuda estampada realçando a superfície abronzeada de suas coxas que sustentavam o resto do corpo moreno arrematado pelos cabelos castanhos, escovados um pouco antes. O juiz se espantou com sua presença. Os olhos que até minutos atrás vasculhavam a grama verde dos quadros passou a vasculhar aquele corpo de um metro e setenta e seis centímetros, de olhos castanhos claros e lábios carnudos.
         — Boa tarde, Dr. Brandão.
         — Boa tarde, Margareth.
         — Meu pai está no banho, daqui a pouco ele vem falar com o senhor.
         — Está bem, não se preocupe comigo. Estou apreciando a arte desses quadros. — apontou para as pinturas emolduradas na parede.
         Margareth deu alguns passos e sentou sensualmente no sofá menor enquanto o juiz se ajeitou melhor no grande sofá, fixando seus sexagenários olhos no bronze encorpado da garota.
         Passaram-se alguns minutos sem palavra alguma até o juiz quebrar o silêncio.
         — Margareth, você estuda?
         — Não doutor, eu não estudo mais. Eu terminei o ensino médio há dois anos. Sabe, eu sou um pouco preguiçosa. Acho que não me dou bem com os livros.
         — E com o que você se dá bem?
         — Sei lá. Talvez com os amigos.
         As últimas palavras de Margareth foram misturadas com o barulho dos passos da serviçal entrando na sala com a bandeja de café destinada ao juiz.
         — Aqui está. — disse a moça cordialmente e depois virou, tomando o rumo da cozinha com seus dezessete anos de idade, ainda concluindo o ensino fundamental, à noite.
         Margareth sentiu uma vontade irresistível te acompanha-la, imaginou a moça à beira da máquina de lavar roupas com aquelas duas coxas brancas. Vagou pela sua mente um desejo sútil e proibido. Seus olhos começaram a brilhar.
         O juiz, pressionando o couro do sofá com suas nádegas enquanto deliciava-se com o café fresquinho, percebeu a mudança de expressão no rosto de Margareth com sua experiência de tantos anos observando reações de investigados e réus, perguntou a ela o que havia acontecido.
         Margareth não soube responder, resmungou alguma coisa incompreensível, pediu licença e foi para o seu quarto.
         Ao sair da sala, ela esbarrou com seu pai que já estava chegando para fazer sala ao sexagenário senhor de fala e gestos meticulosos.
         Chegando a seu quarto, deitou-se sobre o colchão que sempre fora testemunha das suas angústias. O novo ambiente em nada ajudou a apagar a imaginação libidinosa. Ao contrário, passou a lhe dar mais subsídios para elaborar em sua mente situações e êxtases. Margareth repousou sua cabeça sobre o travesseiro depois de desistir frear a sanha imaginativa. Deixou que agora ela corresse solta e seu pensamento a levou diversas vezes à cozinha onde encontrava Lucinha na pia com seus pares de coxas brancas e a mesma saia de brim desbotado.
         O fim da tarde foi torturante. O desejo de possuir Lucinha não a abandonava. Arriscaria quando a noite chegasse. A moça chegava sempre pelas dez e meia do seu curso de supletivo, entrava no quarto reservado para serviçais. Ela iria lá. Encontraria a moça no banho ou vestindo-se. Momento perfeito para ao menos observa o resto do seu corpo, quem sabe, desnudo.
         As horas se arrastavam pelos relógios. Enfim ela ouviu os passos de Lucinha chegando no horário de sempre. Esperou um pouco para ter coragem e para que a moça se ajeitasse em seu pequeno quarto. Desceu com seu pijaminha curto. Precisava de um pretexto. Confiou na sua criatividade. Aproximou e percebeu que havia outra pessoa no quarto junto com a serviçal. Curiosa, olhou pela fechadura e viu seu pai acariciando o corpo branco da moça. Uma fúria irrompeu em sua mente. Precisava controlar-se. Sua paixão era de horas atrás e não conhecida por ninguém. Deu vontade de bater na porta. Inventar um pretexto para interromper o momento íntimo dos dois. Como não percebera antes a relação do pai com a empregada. Não se perdoaria pela desilusão que se permitiu ter, e nem perdoaria o pai por não ter respeito com a mãe, esposa que ele dizia que tanto amava, porém falecida há oito anos.
         No dia seguinte, Margareth acordou com a cabeça doendo e uma dúvida latejando sem cessar. Como encarar seu pai e o fruto do seu desejo repentino e ao mesmo tempo, uma desilusão tão sucinta. Contou até três e resolveu encarar a realidade. Nunca sentira nada por garota nenhuma, aquele sentimento deveria ser carência afetiva. Havia meses que não paquerava ninguém. Mas a atitude do pai era imperdoável. Quando chegou à cozinha, nenhum sinal de Lucinha. Foi até à porta do quarto serviçal, parecia entreaberta. Por curiosidade empurrou. Levou a mão à boca. O corpo branco que desejara no dia anterior e vira nos braços do seu pai estava inerte. O sangue escorrera manchando o lençol. Lucinha havia sido assassinada.
         Lembrou que o pai havia comentado sobre uma viagem que faria bem cedo. O advogado precisava ir até Manhuaçu acompanhar um caso. Ligou para a polícia.
         Dr. Ramos assumiu o caso. O astuto detetive quis ouvir Margareth. Ela tentou esconder alguns fatos, mas expôs o pai.
         O pai disse que não dera conta do assassinato devido à pressa em sair cedo. Como a serviçal estudava à noite, costumava por a mesa do café depois das sete da manhã. Como ele precisava sair cedo, fez o desjejum matinal na padaria da esquina.
         Dois dias após o assassinato, Dr. Ramos e Dr. Brandão estavam frente a frente no escritório do juiz.
         — Dr. Ramos, sei da sua reputação. Aprecio seu trabalho de investigador. Acredite, o consideramos o melhor detetive da Zona da Mata Mineira. Sua fama vai de Juiz de Fora a Governador Valadares. Acredito que já tenha chegado ao Rio de Janeiro. Gostaria de lhe confidenciar algo, e fica no campo da fofoca e do segredo. Não estou na condição de depoente, gostaria de lhe dizer que estive na casa do Dr. Almeida na tarde que antecedeu a noite do assassinato de Lucinha. Notei o olhar lascivo da senhorita Margareth lançado sobre a serviçal. É um detalhe Dr. Ramos que deve ser levado em consideração.
         — Certamente levarei, meritíssimo. Todo detalhe é relevante para chegarmos ao momento de um assassinato e esclarecer quem esteve lá e qual a motivação que o levou a estar lá. Ou quem tinha interesse na morte da vítima.
         Três dias depois Dr. Ramos retorna ao escritório do juiz.
         — Dr. Brandão, eu vim lhe agradecer o detalhe que o senhor me passou há três dias. Ele foi importantíssimo para a elucidação do caso. Eu ainda não sei observar as reações de um réu, não sou juiz. Mas eu sei como o senhor que já foi detetive, observar as reações de um investigado. Conclui que o senhor é um homem da lei, gosta de ciências humanas e odeia matemática.
         — Não estou entendendo, como o senhor sabe que eu não gosto de matemática?
         — O senhor não gosta de triângulos, sobretudo dos triângulos amorosos. Devido ao relacionamento sexual entre o senhor e o Dr. Almeida, o senhor era o único de fora daquela casa que tinha a chave da porta de entrada. Lucinha estava roubando o seu amante. Por isso o senhor eliminou um dos vértices do triângulo.
         — Não vou dizer que o senhor está certo, pois na nossa justiça o certo pode ser errado e o errado pode ser certo. Vou tentar me safar dessa com meus conhecimentos. Vou acompanhá-lo até a delegacia para prestar meu depoimento.
         — Então vamos.

DA SÉRIE: Dr. RAMOS


OBS: CONTO AINDA SUJEITO A CORREÇÕES.

MAIS DE Dr. RAMOS EM: