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sexta-feira, 20 de julho de 2018

O DIA IGUAL (MINICONTO)




Quando acordei percebi que hoje está tudo igual a ontem pela manhã. Todas as coisas na mesma disposição e quando me dei conta estava vestido com as mesmas roupas de um dia atrás, algo que não tenho o hábito. Esquisito. Mas é assim que está começando meu dia. Na rua os mesmos carros passando por mim no mesmo local e na mesma hora. Incrível, mas o dia está se repetindo. Algo dentro de mim começa a se questionar se não é loucura. Mas penso que não. Deve ser apenas coincidência.
E está tudo no mesmo lugar, as mesmas pessoas e as mesmas palavras que ouvi a vinte e quatro horas, e eu continuo achando que é coincidência até me dar conta que ontem pela tarde eu fui assassinado. Tento fugir, mas minhas pernas me traem. Estou, enfim, no mesmo ponto que levei o tiro fatal e o meu executor está do outro lado da rua levando a mão para pegar sua arma. Eu apenas respiro fundo e abraço definitivamente a morte, mais uma vez.

domingo, 26 de julho de 2015

O TEMPO DE CEM ANOS

O TEMPO DE CEM ANOS

Quando essa cidade fizer cem anos
A criança que acabar de nascer
Fará cem anos
Todo aquele que jaz em nossos cemitérios
Fará cem anos
Toda tribo dos botocudos
Fará cem anos
Todo sangue de todos os nossos crimes
Fará cem anos
Quem vier nascer aqui
Daqui a mil anos
Fará cem anos
Todas as coisas
Vivas e não vivas
Farão cem anos

Pois a maior bobagem do homem
Foi medir o tempo

OS ANOS

DA SÉRIE: POEMAS DE OCASIÃO

segunda-feira, 20 de julho de 2015

SERVE DE FESTA

DA SÉRIE EXPOEMAS

SERVE DE FESTA


















quem diria que a vida era assim
um lampejo de desejo no meio da escuridão
eu me acendo, eu me apago
eu me ascendo, eu me estrago
a cada tragédia, a cada tramoia

quem diria que eu dirigiria um automóvel
que eu mobilizaria uma família
que eu mobiliaria uma casa
que eu teria asas para voar sobre o caos

quem diria que eu digeriria um hamburguer
quem eu torceria para o bayern de munique
quem eu seria feliz sendo filho único
quem eu me fecharia para balanço

nenhum banco investiu em mim
nenhum profeta previu meu fim
nenhum poeta me definiu em suas métricas
eu não sou silabável, sou assimétrico mesmo

e assim eu digiro a vida com catchup
e assim eu pago meus pecados com cartão de crédito
e assim eu não arredo o pé nem que a vaca tenha vaca louca
e assim o pouco que me resta me serve de festa
quando o mundo ficar fétido demais