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sábado, 13 de janeiro de 2018

A CURVA QUE ALIMENTA O CORVO

A cabeça que de besta se condensa
A cabeça, intensa desavença
A cabeça que guarda a crença
A cabeça aguarda alguma recompensa

O celeiro que cerra o segredo
O celeiro, cenário do medo
O celeiro, primeiro, vanguarda
O celeiro que se resguarda

O circo que chega à cidade
O circo, tudo ilusão, falsidade
O circo, picadeiro, singularidade
O circo da primeira vaidade

O corvo que come na curva
O corvo do tal Allan Poe
O corvo que me acompanha
O corvo que bate e apanha

A curva que alimenta o corvo
A curva que se dobra de joelhos
A curva que culmina na cidade
A curva que se quebra no espelho

Eu, no começo de uma percepção...

Eu, carecendo de extrema unção...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

UM RETRATO D'EU MESMO


Minha chegada aqui na terra
Foi algo esplêndido, triunfal
Num sábado frio de agosto
O ano caminhando pro final
Eu nasci para vencer na vida
Apesar de tão dura seja a lida
Eu venço cada batalha campal

Cheguei pelas mãos da parteira
Aquelas santas mãos abençoadas
Fez todo o trabalho de parto
Era sua missão naquelas paradas
Trabalhou com jeito e destreza
No seu rosto nenhuma tristeza
Eram alegria as lágrimas choradas

Logo que nasci fui me amamentar
Da seiva vinda do sangue materno
Eu sentia um pouco de frio, verdade
Afinal, no hemisfério sul era inverno
Leite para um bebê frágil e pequeno
Antídoto a cortar efeito de veneno
Nesse meu labutar que parece eterno

Vivi a infância no córrego do Cedro
Lugar bonito entre grotas e capins
Tinha uma vaca chamada Mansinha
Pelo pasto entre murundus de cupins
E no córrego lambari sempre tinha
No terreiro o ciscar torto da galinha
Havia patos, marrecos e aves afins

Mas cresci e vim para a cidade
Tentar estudar e crescer na vida
Enfrentei a chacota dos colegas
E a brincadeira às vezes doída
Mas das aulas tirei aproveito
Todo dia o dever estava feito
A lição da escola foi aprendida

Na vida é que se estuda de fato
E todo dia tem uma nova lição
É preciso escrever na linha certa
Não adianta ficar na lamentação
Se acaso errar, é preciso refazer
Saber na lida tirar o seu prazer
E não deixar o prazer virar ilusão

Agora casado e pai de família
Ainda tenho sonho e esperança
Que depois de cada tempestade
Haja momentos de pura bonança
E sigo feliz apesar da cara fechada
Mas minha cara é apenas fachada
Pois meu coração parece de criança

SÉRIE: O CORDEL DE COSTA FERREIRA

domingo, 13 de setembro de 2015

DEFLORAMENTO














DEFLORAMENTO
Canto só para ti
Um idílio
E quanto mais eu canto
Mais teus olhos brilham

Dê-me como mérito
Um beijo fremente
Que viole a castidade
Dos meus lábios

Darei brados estridentes

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

HOMEM DE ITABIRA











inveja de Drummond
lá no Rio de Janeiro
ao fundo um oceano
inerte, o ano inteiro

aqui em Mutum
Só vou dá uma forcinha
ao candidato que me prometer
fazer três estátuas minhas

cada uma tendo como fundo
cada rio de Mutum
Uma na Berica, outra no Cachoeirão
e lógico, Centenário terá uma

E aí só vai faltar
minha vida escrita
em versos e prosas
como o homem de Itabira

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

POEMAS EM ANGÚSTIA




APENAS

Sem liberdade de amar
Sem mar para navegar
Sem nave para ir à lua
Sem luz para iluminar teus olhos

Sem flor para perfumar a manhã
Sem manha para te prender
Sem peso de consciência
Sem ciência, sem sentido

Apenas te buscando a cada minuto
Apenas te beijando a cada sonho
Apenas te amando em cada cama
Apenas querendo cair em teus braços

Sem cidade para sitiar
Sem sede para saciar
Sem rede para pescar
Sem pecado para pedir perdão

Sem idade certa para se acertar
Sem privilégios para se vangloriar
Sem veredas para atravessar
Sem travas na língua para se censurar

Apenas penando de solidão
Apenas buscando o sol de cada manhã
Apenas se envenenando com qualquer maçã
Apenas esperando a morte chegar



SERENO, VENENO E BRISA
  

Eu sou feito de amor e sereno
Tão pequeno como um vírus no ar
Tão precioso como um osso para o cão
Tão em vão como o vento da tarde

Eu sou feito de ódio e veneno
A cada episódio dessa novela dantesca
A cada epílogo nesse drama eterno
A cada capa de chuva secando no varal

Eu sou feito de amor e brisa
E de cada sol que amanhece
E de cada pele que empalidece
E de cada pelo da minha barba

E nada dissipa minha inocente vida
E nada dissimula minha desilusão
E nada se destaca além da apunhalada
E nada descansa em paz em tempos de guerra

Sereno, veneno e brisa
E tua mão letal desliza
Sob o tecido da minha camisa
E esse instante se eterniza

!E você me mata





ENTULHO
   
O corte de navalha fora a fora
No peito que suspirou por ti

O corte de navalha até nos ossos
Do corpo que buscou teu corpo
A noite toda

Fim de uma epopeia
Sem mesmo ter cavalo de Tróia
Sem mesmo ter cabeça no lugar
Sem mesmo ter cálice de sangue

Dragões devoram meu coração
Ao som de sinfonias angelicais

Dragões degustam minhas vísceras
Como tira-gosto em bares de esquina

Fim de um mergulho
No que há de entulho na alma
No que há de orgulho nos olhos
No que há de escuro no coração

Fim de uma epopeia
Início de um inverno
Nesse corpo que buscou
O céu no meio do inferno



O CORDEIRO
  
A força de um furacão
Sopra sobre meus olhos fechados
Feito forca em meu pescoço
Feito osso em meu prato

A força de um vulcão
Irrompe em meu peito
Meus poros exalam enxofre
Minhas pérolas são jogadas aos porcos

A força de uma avalanche
Esmaga minha cabeça contra o concreto
Arrastando-me por um caminho reto
Direto para uma caldeira de siderúrgica

Busco na lembrança de uma tarde qualquer
Encontrar um minuto de felicidade
Mas o ar fica pesado, mas o ar fica brusco
Enquanto escorpiões infestam a cidade

Nada me lembra do meu último sorriso
Ninguém me aquece nessa noite gélida
Não faço a mínima ideia como seria o paraíso
Sem vestígio de flores nessa estrada tórrida

Sigo feito cordeiro
Para o abatedouro
Sem ter tido dinheiro
Sem ter tido ouro
Nem ter tido amor
Como consolo



CÚMPLICE

Perdido na mais escura das noites
Lutando contra todos os monstros
Enfrentando todas as criaturas do mal
Embrenhando-se por veredas dantescas
Nunca dantes exploradas

Impedido de ser feliz pelos astros
Tendo meus sonhos castrados
Figurando em algum cadastro da agonia
Confundido com a branca de neve pela madrasta

Tudo que minha boca profere
Soa como mentira absurda
Quanto mais minha boca profetiza
Mais a cidade fica surda

Sem ter saída, sem ter salvação
Afundando-se no oceano de idolatrias
Sem ter tábua de salvação
Soterrado por falsas profecias
Sem ser criado, sem ser criação

E a na mais escura das noites
Ninguém a minha procura
Ninguém sente minha falta
Enquanto a cidade me assalta
Enquanto a cidade me assusta
E ainda me julga
E ainda me culpa
De ser cúmplice da degradação
E me deixam atrás das grades
E me dão mostra grátis
Da morte



NEM SANDÁLIAS

Queria eu fazer da noite
Meu parque de diversões
Meu palanque político
Meu púlpito sagrado

Queria eu fazer pra noite
Minha declaração de amor
Declamar meu poema mais profundo
Dedilhar minha canção mais inebriante

Mas a noite me vomitou
Pelas calçadas frias da avenida
Mas a noite me defecou
Pelas sarjetas gélidas da vida

Queria eu beijar a noite
Com o mel límpido da minha boca
Mas a noite é uma mulher louca
Que virilmente me violenta

Queria eu abraçar a noite
Com esse desejo que me abrasa
Perdi carro, perdi casa
E a noite ainda me roubou a alma

Então fiquei sem nada
Uma mão na frente, outra mão atrás
Então fiquei sem asas
E nem sandálias para voltar atrás

E agora chega a aurora
E me revela toda minha nudez
Em busca de um mistério
Encontrei escassez
E miséria
E enfim
Morte




CAINDO POR TERRA

Pensando no que posso ainda
Ante a tarde que finda
Ante o covarde que sou
Ante a cova que me espera

Pensando no que pode ainda
Atormentar o meu corpo
A cárie, o corte, o câncer
E a coleira da depressão

Pesando meus anseios de condenado
Em uma das mãos meus sonhos
Em outra mão meus medos
E os segredos que ainda trago comigo

Pensando no que posso ainda
Perante a noite que se aproxima
Diante do anjo que extermina
?Qual será o tom do meu grito

Pensando no que pode ainda
Torturar a minha alma
A decepção e o descaso
Enquanto espero o descanso eterno

Pegando pesado no meu último poema
Passando a limpo meus erros
Segurando a vontade que dá
De novamente errar
Com mais perfeição
Já que tudo foi perdição
E daqui a pouco tudo será
Apenas lembranças na podridão
Desse corpo que começa
A cair por terra
Cansado de guerra
Que nunca acaba


SEM JEITO

Quero que meu desabafo
Contenha o que há de mais fétido
Do meu bafo
Dentro desse barco a deriva

Quero que meus desafetos
Morram jovens
Ainda fetos
Para não levar os bofetões
Dos meus punhos cerrados

Quero lembrar a todos os desavisados
Que não levarei nada dessa vida
Nem mágoa
Nem água purificada
Nem o aguardente
Que desceu queimando goela abaixo

Quero que todas minhas quimeras
Sejam quimicamente conservadas
Em álcool e formol
Sem formalidade alguma

Quero que todas as minhas crises
De nervos ou de ciúmes
Sejam esquecidas
Misturadas ao estrume

Quero que todos os meus rastros
Sejam apagados do mapa
Nenhum dado a meu respeito
Nem um pouco de suspeito
Que fui um sujeito
Sem jeito de ser feliz



SOU EU

Sou eu um ser que pra nada serve
Que não sabe nadar
Nem mesmo em uma bacia d’água
Que não sabe mentir
E nem ser metido a besta

Sou eu um ser que nada adianta
Nem pra ser servido no almoço
E tão pouco na janta
Nenhuma fama
Nem declama e nem canta

Sou eu um ser que em nada acerta
Se vou pra guerra
Sou soldado que deserta
Se me prometem terra
Por certo é deserta

Sou eu um ser que nada aspira
Nem ter calma, nem ter ira
Nem o pó da sala
Nem fugir pr’uma ilha
Nem fingir de morto
E nem que algum morto viva

Sou eu um ser que nada sou
Nem suor no rosto
Nem sonho na mente
Nem elixir composto
Nem água puramente

Sou eu um ser que se definha
No fim de linha
No findar da tarde
A morte se avizinha

Chega, já tarde


domingo, 2 de agosto de 2015

ALDRAVIAS DE UM DOMINGO


ALDRAVIAS DE UM DOMINGO

ALDRAVIA: É uma poesia composta por seis linhas poéticas resumida em palavras que exprimem grandes emoções!

Louco
Pensando
Sabiamente
Sabendo
Sintetizar
Vida


Sabor
Saltando
Janelas
Amor
Excitando
Donzelas


Vida
Clandestina
Lutando
Contra
Ditatura
Vigorando


Sigo
Singrando
Mares
Camas:
Palcos
Altares


Gatos
Abocanham
Carnes
Eu
Abocanho
Charmes

Noite
Escura
Causando
Medo
escondendo
Segredos



Mata-se
Muito
Em
Mutum
Mais
Um

Trabalhando
Ganhando
Salário
Salgando
Pão
Diário

Sol
Descortinando
Prazeres
Obrigando
Certos
Afazeres




Meu
Olho
Triste
Pimenta
No
Molho

Leitor
Lendo
Poesias
Alimentando
Suas
Fantasias


Apreciando
A
Lua
Feito
Mulher
Nua



Poemas
Em
Cacos
Nos
Fatos
Cotidianos


Teu
Corpo
Doce
Pena!
Sou
Diabético


Liberdade
Linha
Horizontal
Caminho
Nunca
Alcanço



Cada
Beijo
Teu
Sopro
De
Deus


Cidade
Assassina
Matando
Sonhos
Em
Esquinas


Todo
Poeta
Merece
Respeito
Enquanto
Fenece




Escorrendo
Entre
Dedos
Detalhes
De
Segredos


Vende-se
A
Alma
Quando
Perde-se
Calma


Sincero
Sigo
Itinerante
Entre
Mentiras
Galopantes



Uma
Vida
Vale
Ainda
cedo
Cale

Dias
De
Tristeza
Vivendo
Na
Incerteza


Revolta
No
Coração
Brota
Instiga
Revolução



Manhã
Meio-dia
Tarde
Eu
Quieto
Covarde



Ensinaram-me
A
Pescar
Aprendi
Apenas
Pecar


Cuidando
Do
Corpo
Esquecendo
Da
Cuca


Menina
Faceira
Seduzindo-me
Poeta
Carente
Iludindo-se


Princesa
De
Castelo
De
Cartas
Embaralhando-me
Todo


Cupido
Mirou-me
Errou
Sigo
Sem
Amor