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quinta-feira, 24 de março de 2022

EU NA REVISTA: POEMA A CERTEZA NA REVISTA BARBANTE

 


O que me atormenta tanto 

São os vazios irreparáveis


Meu poema A Certeza do meu livro intitulado por hora de Inflexões de Cantondes fui publicado na revista Barbante, em sua edição comemorativa de 10 anos.


LINK PARA BAIXAR A REVISTA BARBANTE


sábado, 19 de março de 2022

VENTRE, AMANHECER & DESILUSÕES: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XVIX

 
fonte da imagem: blog.malupires.com.br

VENTRE, AMANHECER 
& DESILUSÕES

 SÉRIE: PENTALOGIAS DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS


Uma inflexão, dois curtos, um poetrix e um rondel. Na verdade é muito mais que isto. É o poeta forjado no ventre da desilusão em via de desespero. É o amanhecer que nada traz de novo e uma rotina de saudades e desilusões.
 
Desejo boa leitura da XVIX pentalogia da minhas pétalas semanais.
 

ACORDADO
 
Olhei pela janela
Durante uma manhã cinza
Nenhum raiar no horizonte
Do que eu esperava
Ser uma esperança sólida
Apenas o rugir do futuro
A cidade decadente
E o ontem virando entulho
Quis cair novamente
Em um sono profundo
Mas segui acordado
Pois sou homem forjado
No ventre da desilusão.
 

DESCONHECÊNCIAS
 
Tem muito de mim
Que eu não conheço
As avenidas sem fim
E casas sem endereço.
 
Certas flores no jardim
Que não me têm apreço
Rosa, cravo ou jasmim
Por elas não agradeço.
 
Só respingo de nanquim
Desapareço!
 
 


POEMAS MATINAIS
 
Os fios de uma Cemig
Trazem-me eletricidade
E sobre eles os pássaros
E alguma naturalidade.
 
Seres tranquilos
Cantos magistrais
Diversos estilos
Poemas matinais.
 
Eu abro minha cortina
Já engaiolado na rotina.
 


CONSTATÂNCIA
 
Nem vento lá fora
Nem vício contido
A vida se esvaindo.
 
 

UMA SAUDADE
 
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração
Enquanto vago pela cidade
Na batalha diária pelo pão.
 
Relembro toda a felicidade
Que agora parece ser ilusão
Convivo com uma saudade
Que fica alojada no coração.
 
Já não tenho mais sanidade
Arrancaram-me toda razão
E este desalento me invade
Devasta-me feito um tufão
Convivo com uma saudade.

 


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LOUCURA, DÚVIDA E LEMBRANÇA

CACOS, QUIXOTE E RESQUÍCIOS



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domingo, 18 de abril de 2021

CERTEZA, QUEDA E ENCONTRO: PENTALOGIA DAS MINHAS PÉTALAS SEMANAIS - XII

Trago mais uma pentalogia da minha lavra neste domingo outonal de abril quando a certeza é incerta, as folhas caem e encontram o chão. E na nossa vida também é outono? Quais certezas que temos? Nossas quedas são sempre perdas? O encontro é sempre enriquecedor? Nestes cinco poemas vamos refletir um pouco sobre isto. Estes poemas fazem parte do nosso projeto iniciado esta semana provisoriamente intitulado de Inflexões de Cantondes. 

A CERTEZA fala daquele amor prisional, do amor em meio a esta pauperização que estamos vivendo no Brasil. Qual a certeza que o eu-lírico tem nesta condição?

A LÁGRIMA NOS OLHOS traz um eu-lírico vagante pelo mundo e sua constatação de que uma lágrima em seus olhos pode causar mais danos que purificação quando não há amor verdadeiro.

A QUEDA NA FUGA segue a temática da desilusão. O fugitivo depara com lábios sedutores e aí se inicia a sua queda verdadeira.

AQUELA SIMPLICIDADE destoa dos demais poemas. Há aqui uma pegada inspirada em Arnaldo Antunes. O poema traz aquele quezinho de crítica a partir de uma nostalgia.

ENCONTRO O PARAÍSO fecha nossa pentalogia dando um alento com o romantismo. Pode ser aquele romantismo doentio? Pode. Mas vamos dar uma chance.


A CERTEZA

O que me inquieta tanto
São seus olhos caçadores
Buscando algo de papável
No meu coração tumultuado.
 
O que me puxa para baixo
É esta sua insistência no amor
Enquanto nossos armários
Carecem da migalha consentida.
 
Não consigo entender a paixão
Quando ela nos arranca a razão
E nos joga na cova das emoções
E eu fico cego tateando conflitos.
 
O que me atormenta tanto
São os vazios irreparáveis
Que ficam no peito pulsando
Ferido depois do seu carinho.
 
O que ainda me faz respirar
É a certeza de que dos seus braços
Eu jamais terei forças para fugir
E me fundir com uma calçada fria.


A LÁGRIMA NOS OLHOS

Eu não reviso os meus sonhos
Eu não refaço meus caminhos
Passo por momentos bisonhos
Pelas flores enfrentei espinhos
Mas tudo na vida vale a pena
Quando se luta com destemor
Mas se a gente não tiver amor
A lágrima nos olhos envenena
 
Eu não desprezo uma acolhida
Eu não menosprezo a paquera
Só para ter um prazer na vida
Aquela troca de carícia sincera
E um romance breve se encena
Para dissipar o nosso dissabor
Mas se a gente não tiver amor
A lágrima nos olhos envenena
 
Eu confesso que às vezes cansa
Vagar pelo mundo sem destino
Levando na mala desesperança
E no peito um quê de desatino
Finjo que seu sorriso me acena
E no meu coração alivio a dor
Mas se a gente não tiver amor
A lágrima nos olhos envenena


A QUEDA NA FUGA

Entreguei ao vazio
O que eu tinha de melhor
Um mar agitado
Dentro do meu coração
E aquele arco-íris de múltiplas cores
Em meus olhos.
 
Foi-se o que eu tinha de vital
Uma força hercúlea
Para trilhar caminhos impossíveis
Sem passos trôpegos
Sobre ladrilhos famintos
Em noites de lua duplicada.
 
Entreguei ao vazio
O que me fazia pulsar
Diante dos desafios seculares
Que lançam tristezas contra o peito
Fiquei de mãos empobrecidas
Acenando um adeus enxuto
Para o que eu tinha de melhor.
 
É que eu acreditei na velha promessa
Dita por lábios sedentos por fraquezas
Eu estava lá, presa fácil
Buscando fugas para minhas desilusões
Bastou aquele sorriso
E desde o primeiro beijo
Deparei-me com o precipício.


AQUELA SIMPLICIDADE

A careca encontrava o pente
A escova acariciava o dente
Era nosso dia com requinte
Que se repetia no dia seguinte
 
Mas um dia veio a velo-cidade
Engolindo a nossa feli-cidade
Nunca vi tamanha vora-cidade
Da fome com cara de fero-cidade
 
E o monociclo
E o monóculo
Foram soterrados
Por um vocabulário
Monossilábico
 
Já não se passeia mais no jardim
Já não se saboreia mais o pudim
Já não se teme o coronel Bim-bim
E dinheiro é chamado de dim-dim
 
Na pequena caixinha se via gente
Só de soletrar já se era inteligente
Aquela simplicidade tão pungente
Morreu diante do mundo urgente
 
E o monóculo
E o monociclo
Foram imolados
Por um imaginário
Monolítico


ENCONTRO O PARAÍSO

Impreciso
Imperfeito
É este amor por você
Dentro do meu peito.
 
Dele eu preciso
Nele me ajeito
Eu faço dos teus braços
O meu leito.
 
Céu poluído
Ar rarefeito
Mas em teu corpo
Eu me ajeito.
 
Indeciso
Quase rejeito
Em teus olhos bonitos
O meu espelho.
 
No teu sorriso
Que eu beijo
Encontro o paraíso
E seu desejo.


OUTRAS PÉTALAS SEMANAIS:








FONTE DA IMAGEM: www.nopontoaromas.com.br