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terça-feira, 10 de outubro de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO VIII

                 Meire estava feliz e só não percebia que não a notasse ou não a mirasse como a sua mãe.
        
Meire se felicitava consigo mesmo, conseguira o que queria. Nem que fosse um só momento, amara e fora amada.
         No dia seguinte os olhos de Meire começaram a perder o brilho. Arrependeu-se de ter se entregado logo no primeiro encontro. Ele poderia julgá-la vadia que se entregava a todos que encontrasse. Mas agora nada poderia fazer. Fora a primeira para ele e disso ele jamais esqueceria. Sabia disso. Foi ele mesmo que disse e pareceu ser realmente principiante na arte do amor. Poderia estar mentido e fingindo. Mas não teria necessidade disso.
         Relembrava com emoção cada gesto, cada abraço, cada beijo e cada detalhe. Mas a indecisão sempre entrava sem bater à porta. O que ele estaria sentindo em relação a ela?
         Dois dias se passaram e ele não a procurou nem para dizer que foi bom. Não tinha coragem de ir à mercearia. Quando precisava mandava seu irmão.
         As dúvidas foram brotando com ervas daninhas no meio de uma lavoura.
         Sábado a tarde ela estava no portão quando ele surgiu e já ia passando sem dizer nada.
         — Afonsinho. — chamou quase gritando.
         — Oi Meire, como vai você? Hoje você está linda. — tentou ser agradável.
         — Afonsinho, tudo aquilo que aconteceu entre nós foi maravilhoso para mim. Eu só... — as palavras começaram a faltar — Eu só queria que você não pensasse mal de mim. Eu não sou vadia como você deve estar pensando. Eu só me entreguei por que eu sou apaixonada por você.
         — Olha Meire. — disse Afonsinho depois de um longo suspiro. — eu te acho legal.
         — Então por que você não paquera comigo?
         — Porque eu não estou a fim de ficar com ninguém. Foi bom ter ficado com você. Foi minha primeira experiência e isso deve ser nosso segredo. Mas eu não posso te namorar.
         Mal Afonsinho terminou a última frase, Meire deu de costas e entrou na pequena casa com os olhos cheios de lágrimas.
         Sua paixão por Afonsinho continuou mesmo depois de três meses tentado esquecê-lo.
         Depois de um tempo, mudou para outro bairro onde conheceu Carlos com quem começou a ter um relacionamento.



terça-feira, 18 de julho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO VII

Era pouco mais de duas horas da tarde quando o balconista deixou a mercearia e seguiu para a casa ao lado. Bateu palmas e foi recebido por uma moça sorridente que deixava transparecer a tentativa de ser gentil.
         A casa era realmente pequena. Possuía um banheiro que mal dava para se locomover dentro dele, uma cozinha só com os moveis necessários e sala uma mesa envernizada com quatro cadeiras mais a cama do irmão mais novo de Meire. No quarto uma cama de casal e um guarda-roupa de duas portas com alguns cantos com o compensado solto.
         Os dois jovens sentaram na cama da sala com a porta fechada.
         Meire puxou assunto:
         — Quanto te falei sobre os livros, esqueci-me que havia emprestado o pouco que possuo, só estou com um aqui em casa. Ele está velho e rasgado.
         — Olha, sabe que eu não faz mal, eu vou ler assim mesmo.
         — Afonsinho — Meire começou a falar num tom meigo, romântico. — eu não queria que você lesse apenas livros de romance. Eu preferia que você vivesse um romance, comigo de preferência.
        
Mais uma vez Meire não sabia de onde vinham as palavras.
         Surpreso, Afonsinho a olhou mais atenciosamente e seu olhar perdeu-se na pele loira de Meire, indo parar nos seus seios alvos que pareciam querer pular para fora da camiseta.
         Antes que os maus pensamentos viessem à tona na cabeça de Afonsinho, sentiu em sua boca o hálito de Meire com gosto de creme dental e o primeiro de vários beijos aconteceu.

         Poucos instantes depois dois corpos nus fundiam-se ali mesmo na cama da sala. Pela primeira vez Afonsinho recebeu tudo que uma mulher ousada pode oferecer em momentos de excitação.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO VI

NOTA DO AUTOR: Se você está acessando pela primeira vez um capítulo de O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ, sugiro que você retorne ao PRIMEIRO CAPÍTULO.



Nas primeiras vezes que Meire viu Afonsinho o classificou como um rapaz qualquer. Mas, pouco a pouco, sentiu-se cativada pelo jeito do balconista. Renasceu dentro de si aquele desejo que havia começado a morrer na noite em que foi flagrada no bar pela mãe. No início pensou que seria uma sensação passageira. Coisa de mulher. Enganou-se. O desejo de ter Afonsinho entre seus braços, de beijar aqueles lábios, enfim, de possuí-lo e ser possuída, crescia. Não. Não era só para alguns goles de cerveja em um bar lúgubre ou para um sarro no canto da cidade. Desejava-o para todas as diversões e para todas as noites.
Há tempos que carecia de um toque masculino. Carecia de uma cantada e até mesmo de um pouco de carinho. Reconquistada a confiança da mãe, reprimia o desejo de ir à busca de um homem. Desligara-se completamente de Luzia. Foram dois anos e meio sem diversão, sem passeios, sem uma emoção sequer. Temia que seu coração estivesse se transformando em pedra. Revirginou-se psicologicamente.
Aquele sentimento por Afonsinho, descobriu, era paixão. O que devia fazer? Era a primeira vez que vivia esta situação.
Afonsinho jamais notou nela alguma coisa que lhe atraísse. Tinha-a apenas por vizinha e freguesa. Talvez quisesse paquerá-la e nada mais. Mas ainda não havia pintado oportunidade.
Era quinta-feira. Antes de começar a preparar o almoço, Meire enfiou a mão na gaveta do armário, achou alguns trocados e teve a uma ideia. Mas como coloca-la em prática?
Foi até à mercearia e pediu suco de morango.
— Não temos — respondeu Afonsinho. — Só temos refresco Royal de laranja. Serve?
— Não, deixa pra lá. — animou-se. — Você estuda?
— Faço a oitava série. — respondeu sem grande ânimo.
— Você gosta de ler livros de romance? — Meire encontrava as palavras, não sabia de onde elas vinham. Mas as encontravam. Talvez estivesse vindo do meio das latas de óleo de soja.
— Leio. — mentiu o rapaz.
— Se você quiser um livro emprestado, vá hoje à tarde ali a minha casa.
—O.K. — respondeu como quem começasse a entender a pretensão da moça.

A verdade é que Afonsinho nunca tivera preferência pelos livros de romance, mas ter romance com quem lia livros. Achava as histórias sempre iguais. No fim sempre um final feliz. Lembrava-se de apenas um que não terminava assim. Preferia suas revistinhas de quadrinhos. Iria aceitar o livro não pelo oferecido, mas pela oferente. De uma garota não se rejeita nada, ainda que seja um fora. Não era o caso. Ele leu nos olhos dela se oferecendo como uma presa desatenta ao predador.
Meire, na verdade, só tinha um livro. Já estava velho, comprado em banca de jornal de rodoviária. O livro fora ganho do esquecimento de uma de suas tias que moravam em Vitória. Ela já sabia a história narrada no livro de cor e salteada. Não entendia por que aquele nome Sabrina em letras garrafais, mas já tinha visto outros livretinhos desses nas mãos de algumas de suas colegas de aula. Mas o título chamou a sua atenção.
Agora o livro seria apenas um meio para se aproximar mais do pretendido rapaz.

Meire planejara tudo. À tarde sempre estava sozinha. Seu irmão sia para a escola e sua mãe ainda estaria no trabalho. Não haveria outra chance melhor de oferecer a Afonsinho a única coisa que possuía: seu corpo. E fazer o que ainda não esquecera apesar de se reprimir por algum tempo.

sábado, 24 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO V


Essa história começa aqui:AFONSINHO: O GALÃ DA MERCEARIA

CAPÍTULO V
A mãe de Meire teve que arranjar uma folguinha no emprego para dar uma chegadinha até a escola dela sem entender o porquê da solicitação tão urgente.
         — A senhora sabia que sua filha tem faltado frequentemente às aulas? — perguntou a supervisora em tom autoritário.
         — Faltando? — surpreendeu-se — Mais como? Todos os dias ela sai de cada para vir à escola.
         — Mas não vem. Está com um número excessivo de faltas. Na certa vai ficar reprovada.
         — Vou procurar saber o que está acontecendo.
         Despediu humildemente da supervisora e voltou para o trabalho
         Ao chegar a sua casa, saindo mais cedo, foi logo querendo passar a limpo a afirmação da escola. Porém Meire achou uma saída. Disse que muitas vezes chegava atrasada. O portão já estava fechado e com medo que a mãe soubesse, esperava as colegas na volta. Disse que também estava preocupada com a situação.
         Numa noite o azar bateu na porta de Meire. Sua mãe estava indo ao aniversário de uma colega. Ao passar em frente a um bar, resolveu dar uma espiada por curiosidade. Ficou atônita. Viu sua filha como jamais imaginara. Em mesa de bar sendo cortejada por rapazes desclassificados. — Não, não era verdade. — pensou.
         A reação foi instantânea:
         — Para casa, sua vagabunda, antes que eu te dê uma surra aqui mesmo.
         Saíram mãe e filha sem dizer nada uma para a outra e seguiram para casa.
         Surrada, Meire não voltou mais às aulas e foi proibida por tempo ilimitado de sair de casa, a não ser na companhia da mãe. Desviciou-se do cigarro, da bebida e do sexo fácil.
         Pouco a pouco a poeira foi abaixando e ela reconquistou a confiança em casa.
         Talvez pudesse voltar a estudar, mas não teve coragem.

         Depois de algum tempo mudou com toda família, mãe e irmão, para a pequena casa ao lado do estabelecimento comercial.


terça-feira, 20 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO IV




COMECE DO COMEÇO: Se você vai ler pela primeira vez, comece do CAPÍTULO I

Depois de um dia cansativo, lutando com as panelas contra o fogo, manejando o cozimento, a fritura e o tempero, a mãe de Meire estava dormindo como nunca. Um sono pesado, profundo, melodiado com um estridente roncar.
         Meire entrou pé por pé. Deitou-se em sua dura cama com um colchão tão magro como o rapaz que há pouco instantes a possuíra. Sentia a rigidez das ripas em suas costas. Algo lhe parecia sujo, levantou-se e foi ao banheiro. Despiu-se rapidamente e lavou o sangue coagulado que ficou escorrido perna abaixo. — Até que não sangrou tanto. Com tanta dor até achei que meu sangue iria sair todo por entre as pernas. — pensou.
         Enxugou as pernas e voltou para cama. Puxou para cima de si uma desbotada colcha de retalhos. Não tinha sono. Não tinha mais hímen.
         Começou a pensar na sua primeira vez, no seu primeiro beijo, na sua primeira transa e até os copos de cerveja tomados assim num bar eram os primeiros. Sentiu que agora sua vida ia mudar. Ia ser diferente. Descobriu finalmente a função de suas curvas bem definidas e das partes íntimas, aquelas que a educação rígida e tradicional lhe dissera que eram proibidas. Intocável vulva, nádegas e seios.

         Os dias passaram. Luzia e Meire se tornaram agora mais amigas, inseparáveis. Viviam de segredos pelos cantos da escola. Onde uma estava outra também. Combinavam aventuras, provocavam os rapazes e fingiam estarem sempre felizes. Matavam com mais frequência os dias letivos.
         Primeiro uma rodada de cerveja, alguns cigarros divididos entre cinzas no chão e nicotina nos pulmões. Depois de escolhido os parceiros, lá se iam para um canto qualquer. Bom é quando o parceiro tinha um carro, ainda que fosse um Chevette velho. Não tendo, fosse onde pudesse.

         Meira sentia grande prazer em ficar com um em cada noite. Julgava ser isso a única diversão que a vida oferecia a uma pobre garota de quatorze anos.

sábado, 17 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAP III


NOTA: Se for a primeira vez que ler a nossa novela, não pague o preço, volte ao CAPÍTULO I

         Ao passar por uma rua escura, Meire sentiu o braço do rapaz envolvendo seu corpo. Parou sem saber por que. Parou sem dizer nada. Havia quinze minutos que estava calada. Pensou em fugir. Sabia que não era apenas o abraço que ele queria. Sabia que iria ser difícil dizer não, ou melhor, fazê-lo entender o não. Não adiantaria muito tentar resistir o que o seu próprio corpo queria. Já ia dize que hoje não, mas sentia os lábios de João Carlos tocando nos seus. Fechou os olhos e deixou acontecer.
         Era o seu primeiro beijo. Depois quis mais e mais. Mesmo não sendo João Carlos o rapaz da sua preferencia. Ainda, é bem verdade, não preferia ninguém. Com seus problemas familiares e a péssima condição financeira, não lhe restava tempo para os primeiros namorinhos comuns na adolescência.
         De repente sem saber o que fazer, perguntou:
         — Porque você me beijou?
         — É por que eu te acho uma gracinha. — respondeu o rapaz convicto de si.
         — É que eu nunca beijei antes.
         — Relaxa, tudo tem a primeira vez. – rebateu.
         Na segunda rodada de beijos, a mão do rapaz roçou-lhe as coxas em direção às suas partes mais íntimas. Ela tentou se defender. Mas a insistência venceu a resistência.
         Seguindo com os beijos, as mesmas mãos que roçavam suas coxas, contraia seus seios.
         Meire sentia-se suspensa e sem perceber foi puxada um pouco para o canto onde o escuro era mais forte que o resto da rua. Poucos minutos depois, Meire sentia, pela primeira vez, um corpo estranho em suas entranhas.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO II


SUGESTÃO: Antes leia o CAPÍTULO 01

Entre tantas fãs do jovem galã estava Meire, sua vizinha. Ela não estudava e nunca havia estado a sós com ele. Às vezes achava que só o admirava porque todas as garotas o admiravam. Todas as vezes que tinha que comprar alguma coisa no estabelecimento comercial ao lado, antes de por os pés na rua, já se imaginava diante dos olhos castanhos do balconista, que certamente estaria lá, entre o balcão e as prateleiras ao fundo, com suas empoeiradas garrafas de vinho tinto. Sabia que Afonsinho sempre notava o seu embaraço ao pedir a mercadoria e ela sempre trazia para casa, além do embrulho na mão, aquela lembrança na cabeça: o balconista singelamente trajado, com um jeito maroto de atender, de ir buscar a mercadoria em uma prateleira ou vitrine qualquer, de fazer o embrulho, de receber e conferir o dinheiro, devolver o troco ou anotar o que fica fiado, de agradecer a preferência e de sobra, cativar numa cantada com os olhos.
Meire ia ao estabelecimento menos que na verdade seria preciso, normalmente. Sua família era de baixa condição financeira. Órfã de pai desde aos seis anos de idade, morava numa pequena casa, que contrastava com a grande construção da loja comercial do pai de Afonsinho, com sua mãe e seu único irmão mais moço. Sempre estava lembrando de que era um ano mais velha que o príncipe encantado dos seus sonhos.

Já estudara.

Aos quatorze anos, estava cursando a sexta série no curso noturno. Estudava à noite ainda muito jovem, por que ao dia tinha que ficar em casa tomando conta dos afazeres domésticos em companhia do seu irmão de onze anos de idade. Sua mãe trabalhava de cozinheira com uma longa carga de trabalho em um restaurante.
Sua primeira amizade, no turno noturno, foi com Luzia, moça magra de ideias grossas, possuidora do terrível vício nicotínico.
Meire gostava de Luzia. Sentia-se bem em sua companhia. Até parecia que Luzia não era o que sempre falavam dela. Não, não acreditava. O povo tem a mania de inventar as coisas. Tudo bem que Luzia fumava muito. Fumava demais. Fumava no banheiro da escola. Tudo bem que suas roupas eram bastante decotadas, bastante curtas. Mas daí chamá-la de piranha não era justo. Por que não chamavam as filhas de papaizinho com esse nome? Todos sabem que quase todas as filhas de rico dessa cidade não têm lá muita moral. Mas tudo fica encoberto atrás do status dos pais. São quase todas, vacas de Basã. Só por que Luzia era pobre, chamam pelas costas com esse adjetivo desmoralizante.

A amizade das duas era perfeita. Eram carne e unha. Era sexta-feira, a turma não entrou para assistir aula. Ficaram empelotados no portão do colégio e pouco a pouco as turminhas foram se dispersando.

Luzia convidou Meire para irem a um bar, onde ela, Luzia, já haveria ido algumas vezes.

Meire, para não chegar cedo e ter que achar uma boa justificativa para a sua não entrada na escola, aceitou o convite da amiga.

O bar ficava num bairro de classe média da cidade. O local era lúgubre, as paredes salubres e as mesas desalinhadas. Ao lado de uma das portas de entrada, um cidadão anônimo tinha sido dominado pelo peso do álcool e caíra ali mesmo.

Luzia, puxando Meire pela mão, direcionou-se para uma mesa ocupada por três integrantes que já haviam esvaziado alguns copos enquanto conversavam alto e gracejavam à vontade. Meire foi apresentada pela amiga e calorosamente bem recebida pelo grupo enquanto Luzia providenciava assentos para as duas.

A conversa e os gracejos dos rapazes continuaram no mesmo ritmo e algumas vezes Luzia entrava no bate papo. Meire olhava de lado, olhava para fora, olhava para as outras pessoas e tentava ambientar-se. Era a primeira vez que estava num lugar assim. Desagradável? Não achava, apenas não estava habituada.

Depois de quarenta minutos já se ambientara. Passou a se interessar pelo assunto da patotinha e gracejava descontraidamente. Porém percebia o rumo bruto que aquela diversão ia tomando. Sentia medo. Talvez fosse melhor ter arriscado a chegar mais cedo em casa. Desculpa séria fácil achar uma. Enfim, resolveu deixar se levar para ver onde aquilo ia dar.

Luzia, que sentia bem a vontade desde que chegou, revezava a tragada com o gole. Meire a olhava e Luzia não percebia a reprovação da colega. Lembrou então do que falavam dela. Piranha. Será? Não. Reafirmou suas convicções. Daí a pouco viu que a mão de um dos rapazes roçava nas pernas de Luzia. Meire esperou uma reação de censura por parte da amiga. Decepcionou-se. Luzia retribuiu com um beijo permitindo que a mão do rapaz conquistasse mais terreno.

Ao lado de Meire estava outro rapaz, moreno, apresentava ter vinte e cinco anos de idade, fisionomia de mal nutrido e boêmio. Falava-lhe de filmes policiais: Quarenta e Oito Horas, Máquina Mortífera, Duro de Matar... Ela sorria e ouvia pouco interessada. Apenas ouvia e concordava. Torcia para que o conteúdo do rapaz fosse pouco nesse assunto. Era mais que ela esperava.


Já passava das dez da noite, Meire convidou Luzia para levá-la em casa. Esta recusou. O rapaz que estava ao seu lado ofereceu-se e Meire, sem nenhuma outra opção, não teve como recusar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O PREÇO PELA PRIMEIRA VEZ - CAPÍTULO I

NOTA DO AUTOR: O Preço Pela Primeira Vez pretendeu ser a primeira história de uma suposta trilogia trágica: Trilogiando Tragicamente.   Seguido por A Última Reconciliação e Trágica Sedução, esta pequena novela não tem nenhuma pretensão de ser a melhor novela já escrita. É minha primeira história longa depois de alguns contos, que levo a um desfecho final. Não espere um happy-end, estou trilogiando tragicamente. É pra chamar atenção para o "animalismo" que cada um de nós carrega dentro do nosso ser.


CAPITULO I

            A sineta soou e Afonsinho despediu-se da sua colega. Em passos lentos, com semblante sorridente, cumprimentava fazendo um desce-e-sobe com a cabeça para as pessoas que passavam por ele.
            Entrou na sala de aula e sentou-se. Era aula de ciências. Daí a pouco a professora começou a falar de células e suas partes. Afonsinho bem que estava interessado em células. Em um conjunto de células que compunha o corpo de sua colega ao lado.
             Considerado lindo, atraente, provocador de sorrisos de todos os lábios femininos, por mais tímidos que fossem. Seu aproveitamento escolar era aluno mediano, sempre com nota necessária para ser aprovado. Mas por duas vezes, na oitava série, não tinha sido, por isso agora estudava no noturno.
            Ao dia Afonsinho trabalhava de balconista no comércio de secos e molhados de seu pai. Com dezesseis anos de idade, sabia a arte de conquistar garotas com seu olhar profundo e caridoso e com suas palavras doces e cativantes. Fazia derreter corações, mesmo os duros como pedra.
            Na escola, na rua, nas festinhas, era um sucesso diante do plantel feminino. Sempre era uma paquera diferente. Era Jaqueline, era Adriana, era Rosângela e tantos outros nomes. Mas não era de guardar nome. Era Almerita, era Erondina. Às vezes era loura, outras vezes, morena. Mas que diferença fazia? Nome, cor; isto não importava. O que valia era o momento, o prazer de estar com alguém. O lugar? Onde desse, onde encontrasse, onde começasse a rolar algum lance. Quantas? Contara apenas até a décima sétima... Depois as oportunidades começaram a se intensificar. Chegou a ser cinco em uma semana. E a vida foi sento entre trabalho, paqueras e um pouquinho de estudo.
            Teve dia de seu pai reclamar da presença indevida de garotas no estabelecimento.

        Nunca teve um namoro sério e duradouro e apesar de tantas paqueras, de tantas chances, Afonsinho ainda se mantinha virgem. A virgindade para ele não era como um câncer como era para alguns de seus colegas. Conservava ainda alguns princípios religiosos: Rezar ao se levantar e ao se deitar. Fazer o sinal da cruz quando estava passando em frente à matriz. Tomar bênção e chamar os mais idosos de senhores e senhoras. Não frequentava muito a vida da comunidade religiosa. O padre estava idoso e cansado, não atraia tanto a juventude. As missas eram verdadeiras ladainhas. Afonsinho chegou a ser coroinha. Mas desistiu logo. Somente de vez em quando ia à missa.


NOTA DO AUTOR: SIGA LENDO

CAPÍTULO 02

CAPÍTULO 03

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 14 (FINAL)


CAPÍTULO XIV
A cidade já estava cansada de ver assassinatos serem esquecidos sem serem solucionados, sem acharem os verdadeiros culpados.
O assassinato de Marli seria mais um a ser arquivado se não fosse o relevante clamor popular por justiça que bocas conscientes começaram a levantar cotidianamente.
Havia, além do clamor popular, a recente presença de Dr. Ramos. Um detetive que mais que altivez, contava com o conhecimento do que há de mais novo na investigação criminal. Ele não se deixava influenciar pelas aparências, sempre mergulhava um pouco, ou muito, mais fundo e às vezes ia além do fundo.
Grande estudioso das mitologias, da psicologia, conhecia as doutrinas, apaixonado por filosofia, era simpatizante do marxismo. Dr. Ramos, que entendia que só era doutor quem ostenta o diploma de doutorado, frequentava lugares exóticos e distintos na sociedade, desde igrejas a prostíbulos.
Em suas mãos os depoimentos. A mãe da vítima contou a trágica história da vida da filha. Isso é. Tudo o que ela sabia. Nivaldo tinha um álibi. E Dr. Ramos reconhecia que seu álibi era real. Tinha saído mais cedo no dia do crime. Era 03h15 quando saiu de casa e deixou a esposa dormindo depois de uma noite de amor. Pegou o ônibus que o levou para a lavoura. Era época de colheita do café e ele estava fazendo um bico. Não negou que surrava Marli. Mas afirmou que apesar disso, amava-a. Era apaixonado por ela.
Passaram-se mais três dias. Dr Ramos releu os depoimentos. Foi interrogado pelo delegado sobre a sua opinião se devia arquivar o caso ou ele daria prosseguimento à investigação.
- Eu já sei quem é o assassino. Vamos fazer o mandato de prisão. Respondeu Dr. Ramos convicto.
De posse do mandato de prisão, Dr. Ramos pediu a viatura com três policiais e disse ao delegado.
- Dentro de instantes o assassino de Marli estará atrás das grandes. Todos na delegacia apostariam que o assassino seria Nivaldo, parecia evidente.
A viatura policial entrou na Rua Floriano Peixoto onde Nivaldo morava, e ao contrário do que os rostos que começaram a aparecer nas janelas esperavam, a viatura não parou em frente a casa onde o crime tinha acontecido. Ela seguiu mais adiante alguns metros e estacionou.
Dr. Ramos bateu na porta de uma casa residida por cinco mulheres. Uma loura veio atendê-lo.
- É da polícia. A senhorita poderia nos seguir, por favor.
A loura parecia um pouco assustada. Mas controlou-se e não viu outra saída a não ser atender aquilo que por ora era um pedido.
Na delegacia a loura, Margareth Vaz de Oliveira, vinte e oito anos, confessou o crime.
O que ninguém sabia é que Dr. Ramos, apesar de novato na cidade, já tinha uma amante. Era Sílvia, que também residia na mesma casa que Margareth e em algum momento de excitação contou algumas histórias de Margareth que Dr. Ramos, esperto, tomou nota. Era a vingança de Sílvia contra a colega que havia recentemente lhe tomado um freguês importante.
- Não entendo qual foi o motivo do crime?
- Sílvia não contou? Eu e Marli tínhamos um caso. Não aceitei o fim. Ela queria ir embora para não apanhar mais do Nivaldo. Mas como o senhor ficou sabendo que era eu?
- Um arranhado de unha ao lado do corte de navalha. Um arranhado de unha grande, unha de mulher. Rematou Dr. Ramos.

Se você está lendo pela primeira vez a postagem da novela A Última Reconciliação, comece a ler pelo capítulo 01.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 13


CAPÍTULO XIII

Dona Leontina acordou preocupada com a filha. Daria tudo para livrá-la de Nivaldo. O problema é que Marli sempre se derretia toda quando ele a pedia para que ela voltasse. Até parece que naquela rua tinha alguma coisa a mais que atraia Marli. Por instinto materno foi até a casa dela.

Parecia que não havia ninguém. O pequeno barraco estava imerso em um silêncio muito forte.

Empurrou a porta de madeira bruta e foi até o quarto. Quase não acreditou no que viu. Estendido na cama, inerte como uma pedra, o corpo de Marli já não respirava mais. O talho de navalha foi fatal. O pescoço branco está sob o sangue rubicundante. Controlou-se para não entrar em pânico. Não era o momento.

Chegou à delegacia quase sem fôlego. Relatou com dificuldade o fato. A única viatura policial da cidade dirigiu-se para o local do crime logo em seguida.

Esteve também avaliando a cena e o cenário Dr. Ramos, detetive novato na cidade, mas de renome no rol policial.

Feito as devidas observações e anotações, o corpo foi liberado para o sepultamento que ocorreu na tarde do mesmo dia.

Dona Leontina depôs de maneira tendenciosa. Pelo seu relato, Nivaldo era o assassino. Dona Leontina não estava sozinha em sua opinião. Todos desconfiavam de Nivaldo. Todos o incriminavam. – Só pode ser ele. Na certa descobriu algum caso dela com algum homem por aí. Comentava um. – Não deve ser isso não. Marli não dava canja para ninguém. Falava outro.

Leia os três capítulos anteriores: 101112

sábado, 22 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 12


CAPÍTULO XII
O casamento de Maria foi normal. Nada mesmo de extraordinário, nada de pomposo. Nivaldo compareceu para ajudar. Já frequentava com assiduidade a casa de Marli. Ajudou e bebeu a vontade. Conheceram a namorada de Marcus. Nem bonita e nem feia, apenas simpática.

Marli estava grávida. Como falar com sua mãe? Tinha que falar e falou. Dona Leontina recebeu a notícia como quem a esperava. Conversou com Nivaldo. Dai a um mês morariam juntos, sem casamento.

Alugaram uma casa de quatro cômodos numa rua não muito distante de Dona Leontina.

No quinto mês de gravidez, Marli teve hemorragia violenta. Perdeu a criança. Depois de alguns dias de repouso decidiu não trabalhar mais de doméstica.

As coisas de uma hora para outra começaram a ficar difíceis. Nivaldo não encontrava mais emprego, mais trabalho, raramente alguns bicos. Chegou passar quatro semanas sem um dia sequer de ocupação. Marli conheceu a dor e a agonia de acordar com o estômago e o armário vazio. Nivaldo passou a beber exageradamente e a fumar ainda mais. Marli também adquiriu, para acalmar os nervos, a hábito de encher os pulmões de nicotina.

Um dia, Nivaldo chegou de porre em casa. Não era nem a primeira e nem a segunda vez. Olhou para ela com os olhos caindo. Perguntou para ela onde tinha ido e por que passara a tarde toda fora de casa.

Tinham dito para ele que sua sogra aconselhava Marli a deixá-lo. Era verdade. Dona Leontina tinha pena da filha. Guardava sempre um prato de comida para ela.

- Você não é casada de papel passado minha filha. Só tá amigada. Deixa esse homem pra lá. Recomece a sua vida.

Bem que Marli concordava com a mãe. Porém, pobres noites de amor ainda a prendia a Nivaldo que lhe fazia morrer de gozo quando a possuía sobriamente.

- Onde cê tava, muiê?

- Na casa da minha mãe. Respondeu ela.

- Na casa da minha mãe. Arremedou ele.

Levantou-se e aproximou-se dela cambaleando.

- Eu já te falei para não ficar dando ouvidos à sua mãe. Terminou de falar e deferiu um murro fechado no rosto da mulher. Quando Marli começou a entender o que estava acontecendo já havia levado outros murros que a deixaram desnorteada. A cachaça parecia dar mais força ao homem.

Mudaram para uma casa menor. Aluguel mais barato. Dois cômodos e um minúsculo banheiro.

Marli gostou da mudança. Cinco dias sem ir à casa da mãe. Nivaldo vendeu o som, o jogo de sofá e a televisão. Liquidou as contas. O que sobrou juntou com a venda da geladeira e comprou uma carroça com uma velha mula arreada.

Cinco meses haviam se passado na nova casa. Marli tinha levado mais duas surras no novo lar. Prometeu para si mesma que na próxima deixaria Nivaldo apesar de ter encontrado um consolo na nova rua.
A próxima veio violenta como as outras. Marli cumpriu o prometido a si mesmo. Foi para a casa da mãe.

Nivaldo foi buscá-la. Humilhou-se. Prometeu que não a surraria mais. Ela voltou.

Ele a surrou muitas outras vezes e muitas outras vezes ela o deixou. Muitas outras vezes ele foi buscá-la e muitas outras vezes reconciliaram-se.

Desta vez não sabia o que fazer.

- Desgraçado. Não falou nada durante o almoço. Que esse filho da puta pensa que eu sou? Cansei de ser saco da pancada. Desta vez não vou voltar nem a pau. Decidiu. Iria para a casa de sua mãe como das outras vezes. Só que agora seria definitivo. Assim que ele saiu, ela se foi.

- Só tenho uma coisa minha filha. Dessa vez eu não vou deixar aquele caco do seu marido te levar de volta. Aquilo não presta, é uma merda.

Seis horas da tarde. As palmas estouraram do outro lado da porta. Dona Leontina atendeu:

- Some daqui, seu vagabundo, cachaceiro, ela não vai falar com você. Foi logo jogando essas palavras contra o rosto de Nivaldo.

- Ela é minha muiê. Lugar de muiê minha é em casa.

- Deixa mãe que eu me entendo com ele. Marli não resistiu sem ir até a porta vê-lo. Dona Leontina voltou para a cozinha como que dando por perdida a batalha.

- Marli, eu prometo que foi a última vez. Não vai acontecer mais. Eu prometo até parar de beber.

- ....

- Marli, acredite em mim. Eu juro pro cê.

- Jura mesmo?

- Juro.

- Nivaldo, eu vou. Mas da próxima vez eu fico e você nem adianta vim com essa cara de molenga pro meu lado, tá.


- Não vai ter próxima vez.

Se você está lendo pela primeira vez um capítulo dessa novela, volte ao CAPÍTULO 01

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 11

CAPÍTULO XI
Dona Leontina não engoliu o relato superficial da filha. Sabia do namoro dela com o tal de Nivaldo. Contaram para ela. Sabia até das intimidades. “No meu tempo não era assim”- Pensava consigo.
Preocupada com o casamento de Maria, que se aproximava, a mulher estendida na cama sentia falta do marido que faleceu há dois anos. Falta apenas, saudade talvez, solidão não. Seus três filhos não eram anjos, sabia. Eram humanos, metidos a moderninhos. – Essa mocidade de hoje, hum! - Sabia que o namoro de Maria já ultrapassou os beijos e abraços. Até onde já teria ido, não sabia. Sabia também que Marquinhos andava fumando escondido. Sabia que Nivaldo não era um rapaz bem comportado. Poucas mães o desejariam para genro.
Maria não a preocupava tanto. Antônio Carlos era um bom partido. Nivaldo não. Fumava e bebia demasiadamente. Era um verdadeiro estúrdio. Marli passava por problemas. Nem mais procurava as coisas da Igreja.
Igreja. Leontina lembrou-se de quando era moça e morava na roça. Loura, linda. Trabalhava a semana inteira. Tratava dos porcos, socava arroz no pilão, fazia comida, lavava roupa na bica. Pés descalços, vestido de chita ou carne-seca feito em casa. Feito em casa também era a roupa de baixo, como se dizia naquela época.
Domingo. Pela manhã havia trabalho. Preparava cedo o almoço. Era dia de comer frango com quiabo. Até às dez horas devia estar todo mundo almoçado para terem tempo de arranjarem e ir ao povoado. Eram sete quilômetros a pé. No povoado encontrava as amigas. Muitas delas, primas. Depois da celebração geralmente tinha jogo de futebol. Junto com as duas irmãs e mais três amigas procuravam um canto. Sempre vinha time de fora. Sempre tinha um rapaz bonito no time visitante. Só o olhavam de soslaio. Chegar como? Não davam um passo sem o acompanhamento dos olhos dos pais ou de um dos irmãos.
Contava com dezenove anos. Era atraente, principalmente com as bochechas rosadas de pó de arroz. Ela ia à celebração todos os domingos. Mesmo que se sentido mal, cólicas menstruais, por exemplo, falava que estava tudo bem. Naquele tempo ela era religiosa. Todas as moças eram religiosas. Os rapazes não. Preferiam fica na vendinha bebendo e jogando sinuca. Em casa, Leontina rezava o terço todo dia. A mãe é que tirava. Ela e as duas irmãs recitavam repetidos pai-nossos e sussurradas ave-marias. Sabia até a salve-rainha de cor. Isto é naquele tempo.
Não tardeou surgir pretendentes. Primeiro foi o João do Miquinha. Moço alto e magro com um chapéu de abas grandes. Mandava-lhe recados através de sua irmã. Insistiu muito. Ela não o quis. Ele enfim desistiu.
Seu pai dava-lhe conselhos curtos, diretos. –“filha minha não é égua para rapaz ficar repassando.”- falava num tom autoritário, determinante. Ela e as duas irmãs sabiam o que ele queria dizer. –“O maior desgosto da minha vida é ver uma de vocês barriguda antes do tempo.”- completava a mãe, mais categórica.
Surgiu o segundo pretendente. Rapaz louro como ela. Não era de ir à Igreja. Porém, não era chegado à bebedeira da venda. Muitas vezes chegava ao povoado na hora do jogo de futebol. Chegou a jogar algumas vezes no cascudinho, era perna de pau.
Um bilhetinho escrito num pedaço de folha de caderno pautada chegou até às mãos dela. Ela demorou entender o que estava escrito. Pouca escolaridade de ambos. O bilhete em suma dizia. –“Estou querendo namorar você. Posso ir à tua casa conversar com teu pai?”- Era assim que se procedia. Primeiro o rapaz tinha que conversar com o pai da moça, senão, nada feito.
Todas elas olhavam para a estrada sonhando com o dia que um cavaleiro alto, roupas bem engomadas, transpusesse a porteira e chegasse em suas casas, sorrisse e perguntasse pelo pai delas, conversasse com o chefe da família e depois viesse ao alpendre sentar-se ao lado delas. Era um sonho coletivo.
-“Consentiria que ele viesse conversar com seu pai ou não?”- Esse era o nó que Tina, assim a chamava em casa, precisava desatar. Era o seu sonho também, que em breve poderia se tornar realidade. Através de um bilhete foi procurada, e através de um bilhete disse o seu sim a Athayde. Marcou para que ele viesse na quarta-feira. Falou com sua mãe e esta transmitiu a informação ao seu pai.
Quarta-feira. O anoitecer chegou e Athayde veio no seu cavalo mangalarga baio. Transpôs a porteira com certa elegância. Apeou e amarrou o animal no jambeiro florescido.
O pai de Leontina estava no alpendre com as vistas perdidas no horizonte.
O rapaz subiu os cinco degraus de madeira. Cumprimentou o senhor de cabelos grisalhos cerimoniosamente. Falaram das plantações, da colheita farta que estava preste a acontecer, do preço do gado e, depois e tanto rodeio, do único objetivo pelo qual o rapaz estava ali.
O pai de Tina fez as suas restrições. Só conversar, respeito pela donzela, encontros só na casa dela, quartas e domingos. Isto é, -“aqui em casa”-. O pai da moça prosseguiu. –Noivado e casório o mais rápido possível. Quem tá na chuva é para molhar. Arrematou passando as mãos na grisalhice dos seus cabelos.
Athayde concordou com todos os itens das restrições. Discordar de alguma era perder a concessão que o pai de Tina estava lhe dando. Sabia que não era o único rapaz que se deixava impor pelos pais das moças e nem fazia a ligação de que o casamento não passava de um negócio, de uma barganha.
Noivado e casório o mais breve possível. Athayde também desejava que fosse assim. Assim começou a frequentar a casa de Tina. Aprendeu a chama-la pelo apelido, e ela a ele de Tide. Era até meio poético. Tina e Tide. Começou a levantar o dinheiro para a compra do necessário. Contava com vinte e seis anos. Idade ótima para o casamento.
Com sete meses saiu o noivado e com mais cinco o casório. Tempo demais para aquela época. –“Ficaram cozinhando o galo.”- Comentavam as mulheres preocupadas com a vida alheia.
Teve almoço na casa de ambos. Almoção. Teve gente que veio de longe, parentes. O pessoal compareceu em rodo. Era sábado, sábado de casamento. Não chegava a ser raridade, mas era sempre um dia festivo.
Pela tarde foram à vila assinarem os papéis. Tina estava linda dentro do vestido de noiva. Muitas moças a invejaram naquele dia. Tide num terno comum azul marinho. Não estava nem bonito e nem feio, apenas formal.
O casório no religioso ficou para depois quando o padre viesse rezar alguma missa na vila, quando desse.
À noite, mais festa. Doces coloridos com anilina. Todos comeram a vontade. No dia seguinte há quem estava com os intestinos desregulados. Era de se esperar. Tina sorria largamente. Tide tentava sorrir. Muitos esperavam o som da oito baixos romper no fundo da sala. Cavalheiros convidariam suas damas prediletas. Dançariam noite adentro. Não demorou muito, a oito baixos impôs a sua voz.
No meio da festa, Tide e Tina, agora quase marido e mulher, foram para a casa nova em uma charrete.
Lua de mel. Naquele tempo não tinha esse nome. Talvez chamasse primeira-noite, primeira-vez. Leontina relembra sua quase ingenuidade. Que meninos não vinham de cegonha, isso ela já sabia. Que era para serem iguais os cachorros com as cachorras, os bois com as vacas, os cachaços com as porcas, isso também ela sabia. Na hora não tomou nenhuma iniciativa, apenas fez o que Tide foi dizendo. Aconteceu. Foi dolorido.
Vieram as crianças. Primeiro veio Maria. Depois, Marli. E por último, Marcus.
Vitória era um sonho. Falava-se muito em Vitória naquele tempo. Era onde tinha trabalho a vontade, dinheiro também. Athayde quis ir, ela não. Quase que ele foi sozinho. Na roça ele não queria ficar: - Aqui a gente trabalha pra burro.- Argumentava. – No fim das contas não sobra nada.
Vieram para a cidade. Empregou-se ele na prefeitura. Carteira assinada, salário mínimo, abono família, naqueles idos talvez compensasse.
Construiu uma casa onde hoje a família mora. Compraram, pouco a pouco, os eletrodomésticos básicos: Televisão, geladeira, liquidificador, ferro automático...

Os meninos cresceram. Tide morreu, ela ficou, o casamento de Maria estava próximo.

OBS: Se você quiser acompanhar desde o primeiro capítulo, clique no link: CAPÍTULO 01

sábado, 15 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 10

CAPÍTULO X

OBSERVAÇÃO: RECOMENDADO APENAS PARA


Marli evitava fazer comparações entre seu presente e seu passado. Dentro de dois anos muitas coisas aconteceram. Nada de muito alegre para deixá-la contente e o fato mais triste foi o falecimento do seu pai há oito meses.  Não havia namorado ninguém nesses dois anos. Tanto o estupro de Guido como a transa com Lauciene martelava sua mente de vez em quando. Paqueras ocasionais aconteciam e numa dessas paqueras permitiu-se transar de novo. Depois teve medo de ter se engravidado. Daí alguns dias um câncer no fígado levou seu pai para a sepultura.

Dezessete anos, uma semianalfabeta, uma pobre remediada. Mais de quatro anos no mesmo emprego. Perdera a virgindade violentamente, perdera o ardor religioso. Dizia para si mesma que era uma cristã relaxada. Saiu do grupo de adolescentes e não entrou em nenhum grupo de jovens. Foi se esfriando pouco a pouco. Já não saia muito de casa. Muitos de seus fins de semana eram consumidos em programas de televisão. Sílvio Santos a distraia.

Assustou-se naquela terça-feira ao ir embora. Viu os materiais de construção chegando. Não falaram nada para ela que iriam construir. Pensou em voz baixa:

- A limpeza vai piorar. Todo dia vai ser aquela poeirada. Marli sabia que construção dava poeira. Fazia a faxina ficar mais laboriosa.

No dia seguinte deparou com o pedreiro e seu ajudante nos primeiros trabalhos da reforma da casa. Estavam dentro do banheiro próximo da cozinha consertando o que fora gasto pelo tempo e pelo mau uso.

O pedreiro era um senhor de estatura mediana, usava calça de tergal verde bem surrado e uma camisa fechada sobre o peito sofrido com botões de cores e formatos diversificados. Um chapéu de palha na cabeça. Andava sobre duas havaianas gastas, aparentava uns trinta e cinco anos.

O ajudante parecia que se sentia a vontade com sua bermuda jeans indo até o joelho onde alguns fios de algodão eram maiores, carecia de uma bainha. Parecia que nem se importava com o cós de sua cueca amarela aparecendo tímido, tampando o dorso do corpo amorenado. Tendia um pouco a ser halterofilista. Aparentava ter vinte e quatro anos.

Naquela quarta-feira Marli trabalhou normalmente, sem nenhuma relação dialogal com a dupla de trabalhadores que iam e vinham pela casa. Batiam com força uma ferramenta pontiaguda de ferro maciço contra a parede. Faziam um pouco de massa. Pouco a pouco o serviço ia aparecendo.

Na quinta-feira Marli percebeu que o ajudante a olhava além do normal. Uma flor de curiosidade, fertilizada pelo desejo do seu coração, começava a desabrochar dentro do seu peito. Começou a fazer questão de ser notada e ora outra a sorrir para ele.

Sexta-feira chegou. Marli e o ajudante se conheceram.

Ele era Nivaldo e morava num bairro do outro lado da cidade. Disse que se lembrava de tê-la vista na pracinha algumas vezes. Ela forçou a memória e reconheceu aquele rosto curioso. Ele não lhe era estranho assim. Também se lembrava dele na pracinha.

Naquele final de semana deixou a televisão e foi para a rua. Lá viu Nivaldo com um amigo. Ela estava sozinha. Celina havia se mudado para outra cidade. Sorriu para ele e foi correspondida. Aproximou-se como uma familiarizada e puxou um assunto banal. Ficou ouvindo os dois rapazes falarem de futebol até o amigo de Nivaldo sentir-se sobrando. Pediu licença e se retirou.

Nivaldo a convidou para tomar uma cerveja. Ela aceitou. Procurou fugir do seu irmão. Foram a um bar, tomaram uma, duas, três e tantas outras cervejas. Daí em diante a única coisa que Marli sabia é que estava embriagada, que era sábado e que o pai havia falecido. Podia arriscar a chegar mais tarde em casa, enfrentaria a mãe se preciso. Tomou junto com o ajudante de pedreiro mais duas cervejas, trocaram ebriamente alguns beijos e carinhos. O rapaz pagou e saíram abraçados e cambaleantes.

Caminhavam devagar para não desequilibrar seus corpos. Falavam poucas coisas, já não tinham domínio de todas as palavras de uma frase. Paravam e beijavam, olhavam um para o outro e seguiam sem comentários. Pararam em frente a uma casa em construção. Beijaram e olharam para os lados e constataram a deserteza da rua. Nivaldo a convidou puxando-a pelo braço.

- Venha aqui.

Entraram na casa em construção, só entijolada e tampada com telhas francesas. Então acharam um esconderijo providencial por ali mesmo. Uma construção a mercê de quem quisesse visitá-la nessas horas inoportunas. Beijaram o gosto azedo de cevada que estava na língua do outro.

Nivaldo desabotoou o cinto e abriu o zíper da bermuda de Marli. A bermuda desceu até o chão. Marli sentiu o membro rígido de Nivaldo se metendo entre suas coxas brancas. Afastou-se um pouco, arriou a calcinha, ergueu uma das pernas para cima de um monte de tijolos e começou a sentir vigorosamente Nivaldo dentro de si.

Mais três semanas foi necessário para que a reforma da casa da patroa de Marli ficasse pronta. Vez por outra, ela e Nivaldo se encontravam dentro de um dos cômodos da casa. Todos os finais de semana encontravam-se, bebiam e amavam.

A mãe de Marli a chamou para uma conversa. Quis saber o que estava acontecendo com a filha.

Se você não está acompanhando as postagens capítulo por capítulo. Recomece pelo capítulo:01.

sábado, 1 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 09

CAPÍTULO IX
OBSERVAÇÃO

Um mês e meio. Bastava Geovane e Tony entrarem no quarto que a mente de Marli já começava a imaginar coisas.
A curiosidade a levou outras vezes a olhar pela fechadura. Viu Geovane colocar várias vezes o pênis de Tony na boca e chupá-lo como se fosse sorvete. Marli ficava excitada e atônita ao mesmo tempo. Num destes dias que viu, desejou ardentemente está no lugar de Geovane. Em casa masturbou-se.
-Preciso apegar-me mais a religião. Pensava consigo.
Foi fazer faxina nos quartos dos rapazes. No quarto de Geovane encontrou revistas de conteúdo homossexual entre seus livros. Por curiosidade, folheou-as.
Depois passou para o quarto de Guido. Ela estava distraída limpando o chão com um pano semiúmido enrolado no rodinho e se lembrando das cenas nas revistas que folheara no quarto anterior. Nem percebeu a aproximação do rapaz. Sentiu apenas uma mão que roçou suas coxas rapidamente e forçava sua calcinha contra a vulva. Assustou-se e no que assustou, aprumou o corpo, e no que aprumou o corpo, Guido a abraçou por trás apertando-lhe os seios ao mesmo tempo em que metia a língua dentro do ouvido da faxineira.
-Não Guido, me larga. Falou a primeira coisa que lhe veio a boca.
Quando terminou de pedir a Guido que a largasse, ele fez com que o corpo dela tombasse e caísse sobre a cama. Violentamente o rapaz puxou a bermuda e calcinha, de uma só vez, deixando a moça com a região pubiana descoberta. Abriu o zíper da calça e o membro excitado pulou para fora.
-Não grita, senão perde o emprego. Eu só quero te comer.
Marli não sabia o que dizer e nem o que fazer.
-Anda, abre as pernas. Agora Guido falou autoritariamente. Meteu a mão entre as coxas da moça separando as pernas e antes que o compasso voltasse a se fechar, introduziu seu pênis excitado na vagina contraída.
Foram sete minutos de horror para Marli. Parecia que uma espada afiada a rasgava ao meio. Quando sentiu o jato quente dentro de si e o membro de Guido diminuindo de volume, deu vontade de dar um soco bem no pau do nariz dele.
-Quando eu quiser te comer de novo eu te procuro. Agora você já não tem mais cabaço.
-Nojento. Disse Marli olhando a pequena poça de sangue sobre o lençol. Correu para o banheiro, lavou-se no bidê e voltou para o quarto afim de trocar rapidamente o lençol da cama. 
-Nem isso o ordinário foi capaz de fazer.
Em casa, Marli temia que sua mãe ou irmã descobrisse o ocorrido. No emprego temia por Guido. Estava ali para ser empregada, faxineira, e não para ser amante dele. Depois, se ele tem uma namorada muito mais bonita e muito mais gostosa que ela, que transavam toda semana, por que ele ia ficar procurando uma moça pobre?
Marli passou a odiar todos os homens do mundo como se todos fossem iguais a Guido.
Três meses se passaram e Guido não a procurou. Ela entrava com cautela no quarto dele. Fazia sempre a limpeza pela manhã nos dois quarto dos rapazes. Pela tarde, quando não era Geovane e seu amigo Tony, era Guido com sua namorada.
Assustou-se Marli quando entrou no quarto de Lauciene e  a encontrou espichada sobre a colcha de xenil amarelo. Blusa e calça atravessada ao pé da cama. E aquele corpo seminu estirado no leito era uma imagem estranha para a faxineira.
Lauciene fumava vorazmente um cigarro estranho. A ponta acesa era uma lâmpada vermelha, sinalizadora, que Marli visualizava bem entre os dois seios livres da moça que usava apenas uma calcinha branca. Lauciene notou o jeito sem-jeito que Marli foi até a um canto para começar por alí a faxina da manhã. No mesmo instante que Marli abaixou para passar a vassoura por debaixo do guarda roupa , Lauciene sentou-se na cama e perguntou com uma voz torpe.
-Marli, você me acha atraente?
Marli olhou para ela sem saber o que responder. Dizer o quê, afinal?
-Marli, eu te perguntei. Você me acha atraente? A voz agora estava menos torpe e mais determinada.
Marli se encostou à parede do quarto e procurou olhar um não sei o que no teto. Lauciene levantou-se da cama, deu dois passos e acariciou o formato redondo do rosto de Marli. Estendeu mais a mão e Marli nem sabia porque estava permitindo aquele carinho na nuca.
Por iniciativa da moça seminua beijaram-se. Foi um longo beijo. Lauciene voltou a sentar-se na cama segurando as mãos alvas da faxineira. Deitou-se e trouxe uma das mãos de Marli até um de seus seios. Marli começou a explorar os seios da moça deitada e instintivamente levou seus lábios até as pontas dos mamilos roxos e pontiagudos. Lauciene passou suas mãos pelas costas de Marli sob a blusa enquanto gemia baixinho.
Lembraram que a porta do quarto estava aberta. Lauciene foi fechá-la enquanto Marli se despia até ficar com os mesmos trajes que a outra. Abraçaram-se fortemente e enquanto se beijavam novamente, os dois corpos caíram sobre a colcha de xenil com a de calcinha branca, Lauciene, sobre a de calcinha laranja e de tecido mais pobre, Marli.
As mãos de Marli descobriram as nádegas de Lauciene e consequentemente o sexo da que estava por cima já se encontrava descoberto e com a calcinha na altura dos joelhos. Levantou-se e se livrou da calcinha branca e tirou a de Marli. Amaram excitadamente e a falta de um pênis foi resolvida com os dedos de ambas.
Os dias se sucediam. A vida de Marli virou uma monotonia. Trabalho e novela durante a semana. No final de semana grupo de adolescentes depois da missa das 17h30. Praça e raramente uma paquerinha nada interessante ou que Marli se interessasse. Tanto Guido como Lauciene não a procurou mais. 
-Ainda bem. Pensava ela. Com Guido não queria, achava que jamais superaria o trauma do sexo feito a força, ainda mais sendo a primeira vez. Com Lauciene fazia força para não querer. Se já aconteceu uma vez não quer dizer que sempre vai acontecer. Com mulher não se pode.
Entrou no quarto da moça para mais uma faxina de rotina e desta vez Lauciene não a assustou com a sua nudez completa sobre a cama. A calcinha estava junto com a calça jeans jogada no chão.
-Tá afim, Marli? Perguntou.
-Não. Respondeu meio soluçado.
-Está bem, meu amor. Faço sozinha.
Marli reparou um objeto na mão de Lauciene. Um pênis de plástico imitando um membro de verdade. Marli ficou reparando de soslaio o que a moça faria com tal objeto.
Como se Marli não estivesse ali, Lauciene introduziu o objeto entre as pernas e fazia um vai-e-vem entoado com gemidos de prazer. Gozou. Riu para Marli e continuou deitada até que a faxina fosse concluída.

Passado algum tempo, Lauciene foi morar em Belo Horizonte para se preparar para o vestibular e Guido foi morar em outra casa com a loura que se engravidou. Assim Marli estava livre de possíveis assédios do rapaz e da moça bissexual. Quanto a Geovane, estava cada vez mais tendo trejeitos femininos.