sábado, 19 de maio de 2018

TODO CASAMENTO É REAL



Uma parte da famigerada população de Homo sapiens do nosso planetinha está com as atenções voltadas, enquanto a outra parte está com suas tensões revoltadas, para o casamento real.
De minha parte eu só sei que vai haver um casamento. Lá na Inglaterra. Vai ter gente chique pra chuchu. E vai ter gente ganhando dinheiro tirando boas fotografias e revistas vendendo. Fico imaginando se todos os casamentos não são reais.
Sim, todos. Posso afirmar sem medo de errar. O seu casamento desandou? Não deu certo? Não se preocupe. Nem por isso ele deixou de ser real. Verdade. Ele existiu. Não foi ilusão. Aconteceu. Você e a outra pessoinha estavam lá.
O leitor vai dizer que o pseudocronista aqui está fazendo trocadilho barato. E está. Mas nem por isso deixarei de desenvolver a pseudocrônica que vai manchando a brancura da tela.
Mesmo sabendo que o real é de realeza e não de realidade, posso afirmar que todo casamento é de fato real. Somos príncipes e princesas de algum reino. Ainda que seja uma choupana no interior do interior do interior do Brasil, ou de qualquer país do sul. Ser príncipe e princesa está no nosso DNA de Homo sapiens. Comandamos alguma coisa em algum momento da vida. Esse pseudoescriba, de vida fútil, comanda agora os destinos desse texto. Então a tela em branco é seu reinado, ora bolas.
Lavando o copo na pia sobre os pratos sujos do almoço quando já são quatro horas da tarde, ou na bica d’água que desce da lasca de bambu lá pelos anos oitenta no córrego do Cedro, todos nós temos nossos principados. E ansiamos dentro do coração encontrar nossa cara metade. O amor é uma infecção que vem do útero. Penso até que o amor deveria ser considerado uma das DSTs. Não há quem não deseje, lá no fundo, amar e ser amado.
Mas ainda que o principado de alguém seja uma pia cheia de vasilha suja ou um beco de milho para ser capinado, não deixa de trazer as complicações da política. Do conduzir para o bem ou para o mal as circunstâncias. Como tudo na vida, o pequeno principado de cada um deve ser conduzido com maestria. E até o casamento pode vir a ser conchavo para alianças como já foi no passado, no tempo dos reinos. Aí é que a coisa fica encoberta ou desanda.
Confesso que não estou por dentro de quem casou com quem hoje lá na Inglaterra, e nem sequer, no meu torrão amado. Portanto não opinarei sobre o quanto há de política e o quanto há de amor de fato no casamento. O que eu sei é que as coisas se misturam. A política não é ruim. Ruim é a politicagem. O uso dela para fins nada humanos e sociais. Mas o casamento pode até ser um arranjo político, sobretudo entre realezas, mas para terem durabilidade, não podem abrir mão do amor.
O contrário também é verdadeiro. O casamento pode ser motivado pelo nobre sentimento, mas se os cônjuges não colocarem em prática a política da boa convivência, não haverá amor que mantenha dois Homo sapiens vivendo debaixo do mesmo teto e rocando sob a mesma coberta. Por isso todo casamento é real de realeza e real de realidade.


19/05/2018 14:43:15


sexta-feira, 18 de maio de 2018

A ÚLTIMA GOTA




Quando a subida não mais compensa
Quando a comida fica mais densa
Quando ninguém mais te pede licença
Quando o diálogo termina em desavença

Será que chegou a hora de fechar a porta
E de jogar fora o que pouco te importa?
Ninguém mais liga pelo jeito que você se comporta
Até parece que ninguém te suporta

Quando a rota não pode ser mais alterada
E tudo se esgota antes da hora marcada
E a roupa desbota toda vez que é lavada
E o ônibus lota antes da passagem ser comprada

Será que é momento de dizer aquele adeus
E marcar o sepultamento para hoje à tarde?
Fui apenas entretenimento em diferentes coliseus
 Fui apenas fermento na massa que arde

Apenas a vida e o latejar do impulso
A veia corrompida sustentando o pulso
A última gota de saliva ejaculada por instinto
A morte imperativa reina no corpo já extinto

segunda-feira, 14 de maio de 2018

CENAS DE UM CURTA-METRAGEM





O meu amor por Keith Trujillo começou naquela manhã de neblina. Estava eu prendendo o cachorro quando ela passou em frente à minha casa. Notei seu olhar desejoso e correspondi abrindo um belo de um sorriso. Ali percebi que algo começou a germinar dentro de mim por aquela garota que eu via pela primeira vez. A partir daí as coisas foram se encaixando.
Pela tarde, quando fui à padaria do bairro comprar pão para o lanche vespertino, ela estava lá fazendo o mesmo. Não deu outra, nos apresentamos e ela me falou que tinha se mudado no dia anterior para uma casa no final da rua. Entre risadas para preencher o vazio da conversa e questionamentos sobre o outro, o papo foi rolando até chegar ao portão da minha casa. Combinamos de lanchar à noite juntos no trailer que fica na avenida.
Assim foi o nosso primeiro dia de namoro, se assim podemos chamar. Lanchar juntos foi pretexto para o primeiro beijo. Parecíamos ao final do encontro, tão íntimos, que a sensação era de que estávamos nos relacionando há meses.
Eu nunca tinha namorado alguém com tanta convicção assim. Amanhecia e eu prendia lentamente o cachorro na esperança de vê-la passar para a escola. Eu frequentava um cursinho três vezes por semana na parte da tarde e agora aproveito as outras para estar com ela em algum lugar. Fui alertado pela família para não perder o foco. Concentrar-se nos estudos para prestar vestibular. Eu sempre respondia que tudo estava sobre controle. Tínhamos que nos encontrar pelas pracinhas. Ela nunca havia me convidado para ir à sua casa.
Certo dia, perguntei a ela se não era melhor para a gente se eu fosse apresentado aos seus pais. Ela me disse que não. Ela já havia me apresentado para eles. Mas eles entendiam que ainda não era o momento para ela levar namorado em casa. Eles permitiam que ela ficasse comigo assim, todo dia.
Keith Trujillo era cinéfila. Conhecia todos os filmes e toda semana íamos ao cinema. Sabia falar da carreira dos principais atores de Hollywood. Era fã de Rachel Weisz. Fui lembrado da atriz atuando em Constantine. Quando mencionei Quentin Tarantino, ela torceu o nariz. Não era seu diretor favorito. Reconhecia seu talento, mas seus filmes raramente a atraía.
Quando Keith me falou que estava com vontade de rever Titanic com Leonardo DiCaprio, eu não hesitei. Disse que tinha o filme em casa, dividido em dois DVDs. Ela parecia se sentir feliz e perguntou que dia poderíamos assistir. Marquei para domingo à tarde. Ela compareceu. Perguntei a ela o que a levou ter o desejo de rever o velho filme. Ela me disse de uma tese que circula na internet dizendo que o personagem Jack Dawson não é real, mas fruto da imaginação de Rose que o inventa para fugir da pressão que estava vivendo.
Sempre achei o filme longo demais. Mas dessa vez ele teve um sabor especial, Keith era a minha Rose. Ela ia me explicando a tese enquanto eu ia navegando com minha mão pela sua pele. Meus pais tinham saído. No fim, enquanto o navio afundava, eu explorava certas partes do corpo dela e o congelamento de Jack Dawson se contrastava com o meu aquecimento naquela tarde de domingo em frente à TV da minha casa.
Pouco a pouco percebi que eu também estava virando um cinéfilo. Passei a pesquisar sobre filmes, atores, diretores e até me arrisquei a escrever um roteiro. Keith riu de mim e disse para fazermos juntos alguma faculdade sobre cinema. Poderíamos trabalhar em parceria no futuro.
A vida ia caminhando normalmente. Tive que avançar no cursinho para ter êxito no Enem e conseguir entrar na Federal. Keith, ainda no 2º ano do Ensino Médio, faria também o Enem por insistência minha.
Faltando duas semanas para o exame, acordei com uma rajada de tiros perto da minha casa. Achei estranho. Abri a janela com medo. Vi sirenes de ambulâncias e viaturas indo para o final da rua. Não me contive, saí e vi que a tragédia tinha sido na casa de Keith. Ela e todos os demais da família foram assassinados.
Dias depois fiquei sabendo de um detalhe que ela não me contou. Talvez nem ela soubesse. Ou sabia, mas queria proteger o nosso amor. Seu pai fazia parte de uma rede internacional de tráfico de drogas.
Hoje revivo sempre nossas cenas de amor que talvez dê para fazer um curta-metragem. Um dia eu farei.




quinta-feira, 10 de maio de 2018

CATACLISMO

Restam-me todos os momentos
Alegres
Em que você configura
Sorridente
Ao meu lado nessa loucura
Fremente
De tentar amar sem medidas

Respingos do que são vidas
Decadentes
De dois corpos amantes
Dementes
Tentando reatar o antes
Nos dentes
Do desejo em tardes delirantes

Restolhos de tudo que gemeu
De prazer
E saiu dos lábios meus
E você
Lubrificou os lábios teus
A mercê
Do cataclismo de um adeus

sábado, 5 de maio de 2018

CONSUMAÇÃO



Foi essa chuva que me trouxe
O teu cheiro agridoce

E num relâmpago de relance
O calor do teu afago

E num trovão de sons guturais
A melodia dos teus ais

E a vida segue traiçoeira
Puxando-nos o tapete
No ápice da felicidade

A lembrança martela
Para além da morte

A saudade amarga a boca
E sangra os olhos

A verdade se esconde
Onde a gente não vasculha

E a vida segue a cada dia
Mais sádica, mais insana
Na panela da consumação

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A BUSCA (PEQUENOS ESCRITOS, GRANDES NARRATIVAS! I)




A BUSCA

Ela sofre com seus casos de amor. Ninguém ainda sabe o segredo do seu cofre.



A CONDUÇÃO

Sentia a mão de algum deus conduzindo-lhe pela vida. O que lhe incomodava era a unha grande deixando chagas pelo corpo.


PRESENÇA

Assim que entrou no pátio da escola, foi o centro da atenção. Sua caderneta dizia que ela se fazia presente desde o dia da sua morte.


A JUSTIÇA PARALELA

Ele decidiu largar o crime. Mas na lei do crime, isto é muito crime. Foi sentenciado largamente.


PARTIDA

Estação lotada. Difícil pegar qualquer trem. Ela, um dia, 
conseguira partir,  para as estrelas.



quarta-feira, 2 de maio de 2018

5 melhores filmes baseados na obra de H.P. Lovecraft


H.P. Lovecraft foi um dos maiores autores da literatura clássica gótica. Morreu novo, com apenas 46 anos, em decorrência de um câncer no estômago, mas deixou uma enorme contribuição na ficção científica de horror, na qual ficou conhecida como “Terror Cósmico”. Nele, mostrava o ser humano sempre diante de uma realidade paralela hostil e assustadora habitada por criaturas estranhas que adentravam em nossa realidade para aniquilar os seres humanos.

Leia o artigo em: http://nerdpoint.com.br/26/03/2018/especial-5-melhores-filmes-baseados-na-obra-de-h-p-lovecraft/