sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 11

CAPÍTULO XI
Dona Leontina não engoliu o relato superficial da filha. Sabia do namoro dela com o tal de Nivaldo. Contaram para ela. Sabia até das intimidades. “No meu tempo não era assim”- Pensava consigo.
Preocupada com o casamento de Maria, que se aproximava, a mulher estendida na cama sentia falta do marido que faleceu há dois anos. Falta apenas, saudade talvez, solidão não. Seus três filhos não eram anjos, sabia. Eram humanos, metidos a moderninhos. – Essa mocidade de hoje, hum! - Sabia que o namoro de Maria já ultrapassou os beijos e abraços. Até onde já teria ido, não sabia. Sabia também que Marquinhos andava fumando escondido. Sabia que Nivaldo não era um rapaz bem comportado. Poucas mães o desejariam para genro.
Maria não a preocupava tanto. Antônio Carlos era um bom partido. Nivaldo não. Fumava e bebia demasiadamente. Era um verdadeiro estúrdio. Marli passava por problemas. Nem mais procurava as coisas da Igreja.
Igreja. Leontina lembrou-se de quando era moça e morava na roça. Loura, linda. Trabalhava a semana inteira. Tratava dos porcos, socava arroz no pilão, fazia comida, lavava roupa na bica. Pés descalços, vestido de chita ou carne-seca feito em casa. Feito em casa também era a roupa de baixo, como se dizia naquela época.
Domingo. Pela manhã havia trabalho. Preparava cedo o almoço. Era dia de comer frango com quiabo. Até às dez horas devia estar todo mundo almoçado para terem tempo de arranjarem e ir ao povoado. Eram sete quilômetros a pé. No povoado encontrava as amigas. Muitas delas, primas. Depois da celebração geralmente tinha jogo de futebol. Junto com as duas irmãs e mais três amigas procuravam um canto. Sempre vinha time de fora. Sempre tinha um rapaz bonito no time visitante. Só o olhavam de soslaio. Chegar como? Não davam um passo sem o acompanhamento dos olhos dos pais ou de um dos irmãos.
Contava com dezenove anos. Era atraente, principalmente com as bochechas rosadas de pó de arroz. Ela ia à celebração todos os domingos. Mesmo que se sentido mal, cólicas menstruais, por exemplo, falava que estava tudo bem. Naquele tempo ela era religiosa. Todas as moças eram religiosas. Os rapazes não. Preferiam fica na vendinha bebendo e jogando sinuca. Em casa, Leontina rezava o terço todo dia. A mãe é que tirava. Ela e as duas irmãs recitavam repetidos pai-nossos e sussurradas ave-marias. Sabia até a salve-rainha de cor. Isto é naquele tempo.
Não tardeou surgir pretendentes. Primeiro foi o João do Miquinha. Moço alto e magro com um chapéu de abas grandes. Mandava-lhe recados através de sua irmã. Insistiu muito. Ela não o quis. Ele enfim desistiu.
Seu pai dava-lhe conselhos curtos, diretos. –“filha minha não é égua para rapaz ficar repassando.”- falava num tom autoritário, determinante. Ela e as duas irmãs sabiam o que ele queria dizer. –“O maior desgosto da minha vida é ver uma de vocês barriguda antes do tempo.”- completava a mãe, mais categórica.
Surgiu o segundo pretendente. Rapaz louro como ela. Não era de ir à Igreja. Porém, não era chegado à bebedeira da venda. Muitas vezes chegava ao povoado na hora do jogo de futebol. Chegou a jogar algumas vezes no cascudinho, era perna de pau.
Um bilhetinho escrito num pedaço de folha de caderno pautada chegou até às mãos dela. Ela demorou entender o que estava escrito. Pouca escolaridade de ambos. O bilhete em suma dizia. –“Estou querendo namorar você. Posso ir à tua casa conversar com teu pai?”- Era assim que se procedia. Primeiro o rapaz tinha que conversar com o pai da moça, senão, nada feito.
Todas elas olhavam para a estrada sonhando com o dia que um cavaleiro alto, roupas bem engomadas, transpusesse a porteira e chegasse em suas casas, sorrisse e perguntasse pelo pai delas, conversasse com o chefe da família e depois viesse ao alpendre sentar-se ao lado delas. Era um sonho coletivo.
-“Consentiria que ele viesse conversar com seu pai ou não?”- Esse era o nó que Tina, assim a chamava em casa, precisava desatar. Era o seu sonho também, que em breve poderia se tornar realidade. Através de um bilhete foi procurada, e através de um bilhete disse o seu sim a Athayde. Marcou para que ele viesse na quarta-feira. Falou com sua mãe e esta transmitiu a informação ao seu pai.
Quarta-feira. O anoitecer chegou e Athayde veio no seu cavalo mangalarga baio. Transpôs a porteira com certa elegância. Apeou e amarrou o animal no jambeiro florescido.
O pai de Leontina estava no alpendre com as vistas perdidas no horizonte.
O rapaz subiu os cinco degraus de madeira. Cumprimentou o senhor de cabelos grisalhos cerimoniosamente. Falaram das plantações, da colheita farta que estava preste a acontecer, do preço do gado e, depois e tanto rodeio, do único objetivo pelo qual o rapaz estava ali.
O pai de Tina fez as suas restrições. Só conversar, respeito pela donzela, encontros só na casa dela, quartas e domingos. Isto é, -“aqui em casa”-. O pai da moça prosseguiu. –Noivado e casório o mais rápido possível. Quem tá na chuva é para molhar. Arrematou passando as mãos na grisalhice dos seus cabelos.
Athayde concordou com todos os itens das restrições. Discordar de alguma era perder a concessão que o pai de Tina estava lhe dando. Sabia que não era o único rapaz que se deixava impor pelos pais das moças e nem fazia a ligação de que o casamento não passava de um negócio, de uma barganha.
Noivado e casório o mais breve possível. Athayde também desejava que fosse assim. Assim começou a frequentar a casa de Tina. Aprendeu a chama-la pelo apelido, e ela a ele de Tide. Era até meio poético. Tina e Tide. Começou a levantar o dinheiro para a compra do necessário. Contava com vinte e seis anos. Idade ótima para o casamento.
Com sete meses saiu o noivado e com mais cinco o casório. Tempo demais para aquela época. –“Ficaram cozinhando o galo.”- Comentavam as mulheres preocupadas com a vida alheia.
Teve almoço na casa de ambos. Almoção. Teve gente que veio de longe, parentes. O pessoal compareceu em rodo. Era sábado, sábado de casamento. Não chegava a ser raridade, mas era sempre um dia festivo.
Pela tarde foram à vila assinarem os papéis. Tina estava linda dentro do vestido de noiva. Muitas moças a invejaram naquele dia. Tide num terno comum azul marinho. Não estava nem bonito e nem feio, apenas formal.
O casório no religioso ficou para depois quando o padre viesse rezar alguma missa na vila, quando desse.
À noite, mais festa. Doces coloridos com anilina. Todos comeram a vontade. No dia seguinte há quem estava com os intestinos desregulados. Era de se esperar. Tina sorria largamente. Tide tentava sorrir. Muitos esperavam o som da oito baixos romper no fundo da sala. Cavalheiros convidariam suas damas prediletas. Dançariam noite adentro. Não demorou muito, a oito baixos impôs a sua voz.
No meio da festa, Tide e Tina, agora quase marido e mulher, foram para a casa nova em uma charrete.
Lua de mel. Naquele tempo não tinha esse nome. Talvez chamasse primeira-noite, primeira-vez. Leontina relembra sua quase ingenuidade. Que meninos não vinham de cegonha, isso ela já sabia. Que era para serem iguais os cachorros com as cachorras, os bois com as vacas, os cachaços com as porcas, isso também ela sabia. Na hora não tomou nenhuma iniciativa, apenas fez o que Tide foi dizendo. Aconteceu. Foi dolorido.
Vieram as crianças. Primeiro veio Maria. Depois, Marli. E por último, Marcus.
Vitória era um sonho. Falava-se muito em Vitória naquele tempo. Era onde tinha trabalho a vontade, dinheiro também. Athayde quis ir, ela não. Quase que ele foi sozinho. Na roça ele não queria ficar: - Aqui a gente trabalha pra burro.- Argumentava. – No fim das contas não sobra nada.
Vieram para a cidade. Empregou-se ele na prefeitura. Carteira assinada, salário mínimo, abono família, naqueles idos talvez compensasse.
Construiu uma casa onde hoje a família mora. Compraram, pouco a pouco, os eletrodomésticos básicos: Televisão, geladeira, liquidificador, ferro automático...

Os meninos cresceram. Tide morreu, ela ficou, o casamento de Maria estava próximo.

OBS: Se você quiser acompanhar desde o primeiro capítulo, clique no link: CAPÍTULO 01

sábado, 15 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 10

CAPÍTULO X

OBSERVAÇÃO: RECOMENDADO APENAS PARA


Marli evitava fazer comparações entre seu presente e seu passado. Dentro de dois anos muitas coisas aconteceram. Nada de muito alegre para deixá-la contente e o fato mais triste foi o falecimento do seu pai há oito meses.  Não havia namorado ninguém nesses dois anos. Tanto o estupro de Guido como a transa com Lauciene martelava sua mente de vez em quando. Paqueras ocasionais aconteciam e numa dessas paqueras permitiu-se transar de novo. Depois teve medo de ter se engravidado. Daí alguns dias um câncer no fígado levou seu pai para a sepultura.

Dezessete anos, uma semianalfabeta, uma pobre remediada. Mais de quatro anos no mesmo emprego. Perdera a virgindade violentamente, perdera o ardor religioso. Dizia para si mesma que era uma cristã relaxada. Saiu do grupo de adolescentes e não entrou em nenhum grupo de jovens. Foi se esfriando pouco a pouco. Já não saia muito de casa. Muitos de seus fins de semana eram consumidos em programas de televisão. Sílvio Santos a distraia.

Assustou-se naquela terça-feira ao ir embora. Viu os materiais de construção chegando. Não falaram nada para ela que iriam construir. Pensou em voz baixa:

- A limpeza vai piorar. Todo dia vai ser aquela poeirada. Marli sabia que construção dava poeira. Fazia a faxina ficar mais laboriosa.

No dia seguinte deparou com o pedreiro e seu ajudante nos primeiros trabalhos da reforma da casa. Estavam dentro do banheiro próximo da cozinha consertando o que fora gasto pelo tempo e pelo mau uso.

O pedreiro era um senhor de estatura mediana, usava calça de tergal verde bem surrado e uma camisa fechada sobre o peito sofrido com botões de cores e formatos diversificados. Um chapéu de palha na cabeça. Andava sobre duas havaianas gastas, aparentava uns trinta e cinco anos.

O ajudante parecia que se sentia a vontade com sua bermuda jeans indo até o joelho onde alguns fios de algodão eram maiores, carecia de uma bainha. Parecia que nem se importava com o cós de sua cueca amarela aparecendo tímido, tampando o dorso do corpo amorenado. Tendia um pouco a ser halterofilista. Aparentava ter vinte e quatro anos.

Naquela quarta-feira Marli trabalhou normalmente, sem nenhuma relação dialogal com a dupla de trabalhadores que iam e vinham pela casa. Batiam com força uma ferramenta pontiaguda de ferro maciço contra a parede. Faziam um pouco de massa. Pouco a pouco o serviço ia aparecendo.

Na quinta-feira Marli percebeu que o ajudante a olhava além do normal. Uma flor de curiosidade, fertilizada pelo desejo do seu coração, começava a desabrochar dentro do seu peito. Começou a fazer questão de ser notada e ora outra a sorrir para ele.

Sexta-feira chegou. Marli e o ajudante se conheceram.

Ele era Nivaldo e morava num bairro do outro lado da cidade. Disse que se lembrava de tê-la vista na pracinha algumas vezes. Ela forçou a memória e reconheceu aquele rosto curioso. Ele não lhe era estranho assim. Também se lembrava dele na pracinha.

Naquele final de semana deixou a televisão e foi para a rua. Lá viu Nivaldo com um amigo. Ela estava sozinha. Celina havia se mudado para outra cidade. Sorriu para ele e foi correspondida. Aproximou-se como uma familiarizada e puxou um assunto banal. Ficou ouvindo os dois rapazes falarem de futebol até o amigo de Nivaldo sentir-se sobrando. Pediu licença e se retirou.

Nivaldo a convidou para tomar uma cerveja. Ela aceitou. Procurou fugir do seu irmão. Foram a um bar, tomaram uma, duas, três e tantas outras cervejas. Daí em diante a única coisa que Marli sabia é que estava embriagada, que era sábado e que o pai havia falecido. Podia arriscar a chegar mais tarde em casa, enfrentaria a mãe se preciso. Tomou junto com o ajudante de pedreiro mais duas cervejas, trocaram ebriamente alguns beijos e carinhos. O rapaz pagou e saíram abraçados e cambaleantes.

Caminhavam devagar para não desequilibrar seus corpos. Falavam poucas coisas, já não tinham domínio de todas as palavras de uma frase. Paravam e beijavam, olhavam um para o outro e seguiam sem comentários. Pararam em frente a uma casa em construção. Beijaram e olharam para os lados e constataram a deserteza da rua. Nivaldo a convidou puxando-a pelo braço.

- Venha aqui.

Entraram na casa em construção, só entijolada e tampada com telhas francesas. Então acharam um esconderijo providencial por ali mesmo. Uma construção a mercê de quem quisesse visitá-la nessas horas inoportunas. Beijaram o gosto azedo de cevada que estava na língua do outro.

Nivaldo desabotoou o cinto e abriu o zíper da bermuda de Marli. A bermuda desceu até o chão. Marli sentiu o membro rígido de Nivaldo se metendo entre suas coxas brancas. Afastou-se um pouco, arriou a calcinha, ergueu uma das pernas para cima de um monte de tijolos e começou a sentir vigorosamente Nivaldo dentro de si.

Mais três semanas foi necessário para que a reforma da casa da patroa de Marli ficasse pronta. Vez por outra, ela e Nivaldo se encontravam dentro de um dos cômodos da casa. Todos os finais de semana encontravam-se, bebiam e amavam.

A mãe de Marli a chamou para uma conversa. Quis saber o que estava acontecendo com a filha.

Se você não está acompanhando as postagens capítulo por capítulo. Recomece pelo capítulo:01.

Confira minha obra publicada no Clube de Autores em

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

OS PÉS DO AMOR

O amor é um animal quadrúpede

Em uma só perna
Vem valsando em minha direção
Feito saci com aquele olhar sacana
Encosta em meu ombro e assopra
Uma canção afrodisíaca em meus ouvidos

Com as duas outras pernas
Entrelaça-me
Joga-me sobre a cama
Faz-me viajar sobre montanhas
E me deixa extasiado até chegar a manhã

Mas falta uma perna?
Eu sei.

É dela que tenho medo
De levar uma rasteira ou
Um chute em uma das nádegas

domingo, 9 de outubro de 2016

SORTEIO PALAVRA É ARTE - NARRATIVAS




Caros amigos do blog ESCRITOS DO CLÁUDIO e do grupo do blog no facebook. Gostaria de oferecer um exemplar da coletânea Palavra É Arte para cada amigo e cada amiga que lê as coisitas que escrevo. E nem sei se minhas criações em prosa ou verso têm algum valor literário.

No entanto, como restam poucos exemplares. Vou promover um sorteio com as seguintes regras para quem deseja ter um de cortesia.

Leia no site RECANTO DAS LETRAS minha narrativa que abre a coletânea, O PLANTADOR DE BANANEIRAS. Acesse no link:



Agora, no meu perfil no facebook, responda-me “inbox” a seguinte questão:
Qual emissora de rádio é mencionada na narrativa?

O sorteio será no dia 18 de Outubro, terça-feira, às 18h00 e informado imediatamente. Se der a gente faz ao vivo.

Assim que chegar as Coletâneas Ponto de Criação e Vendetta da Editora Andross, faremos outros sorteios.


Conto com sua participação.

PEDRA INVEJADA

PEDRA INVEJADA











A pedra é invejada
Enquanto Pedro
Mantém a porta fechada

A pedra é invejada
Enquanto o preço
Sobe em disparada

A pedra é invejada
Enquanto o predador
Mantém a presa afiada

A pedra é invejada
Enquanto no poço
A água está mais minguada

A pedra é invejada
Enquanto o porco
Tem a banha cevada

A pedra é invejada
Enquanto o povo
Tem sua fé enganada

A pedra é invejada
Enquanto a inveja
Deixa a alma envenenada

A pedra é invejada
Enquanto eu

Sou cada dia mais nada

sábado, 1 de outubro de 2016

A ÚLTIMA RECONCILIAÇÃO - CAPÍTULO 09

CAPÍTULO IX
OBSERVAÇÃO

Um mês e meio. Bastava Geovane e Tony entrarem no quarto que a mente de Marli já começava a imaginar coisas.
A curiosidade a levou outras vezes a olhar pela fechadura. Viu Geovane colocar várias vezes o pênis de Tony na boca e chupá-lo como se fosse sorvete. Marli ficava excitada e atônita ao mesmo tempo. Num destes dias que viu, desejou ardentemente está no lugar de Geovane. Em casa masturbou-se.
-Preciso apegar-me mais a religião. Pensava consigo.
Foi fazer faxina nos quartos dos rapazes. No quarto de Geovane encontrou revistas de conteúdo homossexual entre seus livros. Por curiosidade, folheou-as.
Depois passou para o quarto de Guido. Ela estava distraída limpando o chão com um pano semiúmido enrolado no rodinho e se lembrando das cenas nas revistas que folheara no quarto anterior. Nem percebeu a aproximação do rapaz. Sentiu apenas uma mão que roçou suas coxas rapidamente e forçava sua calcinha contra a vulva. Assustou-se e no que assustou, aprumou o corpo, e no que aprumou o corpo, Guido a abraçou por trás apertando-lhe os seios ao mesmo tempo em que metia a língua dentro do ouvido da faxineira.
-Não Guido, me larga. Falou a primeira coisa que lhe veio a boca.
Quando terminou de pedir a Guido que a largasse, ele fez com que o corpo dela tombasse e caísse sobre a cama. Violentamente o rapaz puxou a bermuda e calcinha, de uma só vez, deixando a moça com a região pubiana descoberta. Abriu o zíper da calça e o membro excitado pulou para fora.
-Não grita, senão perde o emprego. Eu só quero te comer.
Marli não sabia o que dizer e nem o que fazer.
-Anda, abre as pernas. Agora Guido falou autoritariamente. Meteu a mão entre as coxas da moça separando as pernas e antes que o compasso voltasse a se fechar, introduziu seu pênis excitado na vagina contraída.
Foram sete minutos de horror para Marli. Parecia que uma espada afiada a rasgava ao meio. Quando sentiu o jato quente dentro de si e o membro de Guido diminuindo de volume, deu vontade de dar um soco bem no pau do nariz dele.
-Quando eu quiser te comer de novo eu te procuro. Agora você já não tem mais cabaço.
-Nojento. Disse Marli olhando a pequena poça de sangue sobre o lençol. Correu para o banheiro, lavou-se no bidê e voltou para o quarto afim de trocar rapidamente o lençol da cama. 
-Nem isso o ordinário foi capaz de fazer.
Em casa, Marli temia que sua mãe ou irmã descobrisse o ocorrido. No emprego temia por Guido. Estava ali para ser empregada, faxineira, e não para ser amante dele. Depois, se ele tem uma namorada muito mais bonita e muito mais gostosa que ela, que transavam toda semana, por que ele ia ficar procurando uma moça pobre?
Marli passou a odiar todos os homens do mundo como se todos fossem iguais a Guido.
Três meses se passaram e Guido não a procurou. Ela entrava com cautela no quarto dele. Fazia sempre a limpeza pela manhã nos dois quarto dos rapazes. Pela tarde, quando não era Geovane e seu amigo Tony, era Guido com sua namorada.
Assustou-se Marli quando entrou no quarto de Lauciene e  a encontrou espichada sobre a colcha de xenil amarelo. Blusa e calça atravessada ao pé da cama. E aquele corpo seminu estirado no leito era uma imagem estranha para a faxineira.
Lauciene fumava vorazmente um cigarro estranho. A ponta acesa era uma lâmpada vermelha, sinalizadora, que Marli visualizava bem entre os dois seios livres da moça que usava apenas uma calcinha branca. Lauciene notou o jeito sem-jeito que Marli foi até a um canto para começar por alí a faxina da manhã. No mesmo instante que Marli abaixou para passar a vassoura por debaixo do guarda roupa , Lauciene sentou-se na cama e perguntou com uma voz torpe.
-Marli, você me acha atraente?
Marli olhou para ela sem saber o que responder. Dizer o quê, afinal?
-Marli, eu te perguntei. Você me acha atraente? A voz agora estava menos torpe e mais determinada.
Marli se encostou à parede do quarto e procurou olhar um não sei o que no teto. Lauciene levantou-se da cama, deu dois passos e acariciou o formato redondo do rosto de Marli. Estendeu mais a mão e Marli nem sabia porque estava permitindo aquele carinho na nuca.
Por iniciativa da moça seminua beijaram-se. Foi um longo beijo. Lauciene voltou a sentar-se na cama segurando as mãos alvas da faxineira. Deitou-se e trouxe uma das mãos de Marli até um de seus seios. Marli começou a explorar os seios da moça deitada e instintivamente levou seus lábios até as pontas dos mamilos roxos e pontiagudos. Lauciene passou suas mãos pelas costas de Marli sob a blusa enquanto gemia baixinho.
Lembraram que a porta do quarto estava aberta. Lauciene foi fechá-la enquanto Marli se despia até ficar com os mesmos trajes que a outra. Abraçaram-se fortemente e enquanto se beijavam novamente, os dois corpos caíram sobre a colcha de xenil com a de calcinha branca, Lauciene, sobre a de calcinha laranja e de tecido mais pobre, Marli.
As mãos de Marli descobriram as nádegas de Lauciene e consequentemente o sexo da que estava por cima já se encontrava descoberto e com a calcinha na altura dos joelhos. Levantou-se e se livrou da calcinha branca e tirou a de Marli. Amaram excitadamente e a falta de um pênis foi resolvida com os dedos de ambas.
Os dias se sucediam. A vida de Marli virou uma monotonia. Trabalho e novela durante a semana. No final de semana grupo de adolescentes depois da missa das 17h30. Praça e raramente uma paquerinha nada interessante ou que Marli se interessasse. Tanto Guido como Lauciene não a procurou mais. 
-Ainda bem. Pensava ela. Com Guido não queria, achava que jamais superaria o trauma do sexo feito a força, ainda mais sendo a primeira vez. Com Lauciene fazia força para não querer. Se já aconteceu uma vez não quer dizer que sempre vai acontecer. Com mulher não se pode.
Entrou no quarto da moça para mais uma faxina de rotina e desta vez Lauciene não a assustou com a sua nudez completa sobre a cama. A calcinha estava junto com a calça jeans jogada no chão.
-Tá afim, Marli? Perguntou.
-Não. Respondeu meio soluçado.
-Está bem, meu amor. Faço sozinha.
Marli reparou um objeto na mão de Lauciene. Um pênis de plástico imitando um membro de verdade. Marli ficou reparando de soslaio o que a moça faria com tal objeto.
Como se Marli não estivesse ali, Lauciene introduziu o objeto entre as pernas e fazia um vai-e-vem entoado com gemidos de prazer. Gozou. Riu para Marli e continuou deitada até que a faxina fosse concluída.

Passado algum tempo, Lauciene foi morar em Belo Horizonte para se preparar para o vestibular e Guido foi morar em outra casa com a loura que se engravidou. Assim Marli estava livre de possíveis assédios do rapaz e da moça bissexual. Quanto a Geovane, estava cada vez mais tendo trejeitos femininos.